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Crítica diária
São Paulo, 17 de agosto de 2000

RENATA LO PRETE

EJ
1. Não se trata de erro. Nem mesmo estou convencida de que havia alternativa melhor. Mas vale a pena refletir sobre o verbo usado nas manchetes do jornal e da página A 6 ("Depoimento liga EJ a fundo do BB"; "Depoimento de ex-dirigente liga EJ à Previ"). "Ligar" é uma espécie de coringa para títulos, tanto pelo significado amplo quanto pelo reduzido número de toques. Mas, ainda que o depoimento de Jair Bilachi ao Ministério Público seja interessante, e que certamente contradiga declarações de Eduardo Jorge ao Senado, a rigor não é possível afirmar que o ex-secretário-geral esteja, em razão das informações publicadas hoje, mais "ligado" à Previ do que estava antes.
2. Detalhe de texto. Segundo quadro que acompanha a reportagem da página A 6, Jair Bilachi "também protagonizou o escândalo do grampo no BNDES". O verbo exagera a participação do ex-dirigente da Previ nos diálogos gravados.

Eleições
1. Chamada na Primeira Página diz que a avaliação de telespectadores sobre o horário eleitoral foi medida "em pesquisa a pedido da Folha". Considerando o destaque obtido pelo assunto na capa e o fato de ele ocupar toda a página de abertura do noticiário eleitoral (A 10), esperava encontrar, na reportagem interna, informações adicionais sobre a origem do levantamento. Em vão. Apesar de haver até uma arte "entenda a pesquisa", o jornal simplesmente não diz QUEM a fez, nem QUANTAS PESSOAS foram ouvidas.
2. Ainda sobre o levantamento, penso que cabe uma discussão na linha "pesos e medidas". Nada contra utilizar esse tipo de informação na cobertura, mas pergunto se, com UM DIA de horário eleitoral, é pertinente transformar os resultados no PRINCIPAL DESTAQUE do Folha Eleições. "Programa de Alckmin é o mais aceito, diz pesquisa; Marta e Tuma vêm em seguida" (manchete da pág. A 11). Anunciada em duas linhas de título, a conclusão é tão frágil (e tão gratuitamente simpática a um dos candidatos) que a Primeira Página teve o cuidado de optar por um enunciado misto ("Alckmin, Marta e Tuma agradam mais na TV"). Agradam mais. No primeiro dia. E daí?
3. Estão trocados os textos relativos a Marta Suplicy e a Romeu Tuma no quadro "Os pontos altos dos programas dos candidatos" (pág. A 10).
4. Procede a informação do "Estado" sobre Tuma (admite apoiar Maluf no segundo turno)?
5. Um dos destaques na chamada de capa sobre o caderno especial Problemas de SP: 26% dos eleitores dizem ter um parente ou amigo assassinado nos últimos 12 meses. Não sei qual foi a formulação exata da pergunta (a versão que aparece no caderno é "conhece alguém"), questão importante nesse tipo de pesquisa. E trata-se do que as pessoas "dizem". Mas, considerando o número de eleitores, a taxa de homicídios e a grande variação desta entre regiões da cidade, não é fácil levar a sério o percentual, que parece bastante inflado.






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