São Paulo, 01 de setembro
de 2000
RENATA LO PRETE
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FGTS
corrigido
Duas observações pontuais sobre a cobertura da decisão do Supremo pró-correção do FGTS, que no geral me parece boa:
1. Embora carregada de texto, a arte de perguntas e respostas que está na página B 3 parece mais capaz de atrair o interesse do leitor do que a modorrenta foto da sessão do Supremo editada na capa de Dinheiro. Talvez elas pudessem ter trocado de lugar.
2. O segundo título da capa do caderno destaca que a decisão só vale para 20 metalúrgicos. A informação não consta da matéria correspondente. Está no pé do outro texto da capa.
Outras palavras
"Visita de Clinton 'deixou' 23 mortos", diz um dos títulos do no
ticiário sobre o Plano Colômbia (pág. A 10). Mais do que no exemplo destacado na crítica de ontem, aqui as aspas no verbo não consertam o equívoco do enunciado. Aprove-se ou não a ação norte-americana no país vizinho, é no mínimo impreciso atribuir à visita toda a violência registrada no período em que ela ocorreu.
Censo dos EUA
Detalhes de imprecisão na reportagem "Latinos e asiáticos são os que mais crescem nos EUA (pág. A 11):
1. O jornal fornece os percentuais de hispânicos e asiáticos no total da população, mas não traz as parcelas referentes a negros e brancos não-hispânicos (embora registre seus números absolutos).
2. O título da arte é "Avanço das minorias". Para demonstrá-lo, teria sido mais eficiente apresentar "queijos" da divisão em 1990 e agora, em vez de usar um gráfico de barras que além de tudo não contempla a população negra (esta cresceu menos que a de latinos e asiáticos, mas bem mais que a de brancos).
Direto ao ponto
Segundo o lide da reportagem "Atacama teve chuva há 10.500 anos" (pág. A 12), o índice pluviométrico no deserto chileno, "algo entre zero e 20 milímetros por ano, faz qualquer um achar que o Saara é uma região quase aprazível". A frase é simpática, mas, para que o leitor percebesse a diferença, teria sido mais eficaz informar quanto chove no Saara.
Luxemburgo na berlinda
É boa a reportagem da capa de Esporte. Seu lide me parece exemplo de como uma história relativamente complicada pode ser resumida em termos simples, sem que o jornal ultrapasse o sinal em relação aos dados de que dispõe. Já a manchete do caderno ("O mundo paralelo de Luxemburgo"), em parte devido a sua característica de enunciado-fantasia, padece do mal que se vê em boa parte da cobertura sobre as recentes denúncias feitas contra o treinador: dá a impressão de algo maior do que as informações até agora disponíveis revelam.
Que "mundo paralelo"? Se é a relação de Luxemburgo com o empresário Sérgio Malucelli, cabe ponderar que esta, pelo que entendi, jamais foi negada pelo técnico, e que a reportagem da Folha, embora reveladora de detalhes dessa e de outras conexões, ainda não chega a mostrar irregularidade nos negócios dos dois. O que se tem, por enquanto, é o que está no título da Primeira Página: a Receita está investigando a sociedade. De maneira geral, a Folha tem se saído bem desde que o caso veio à tona, há pouco mais de uma semana, no jornal "O Dia". Não fez nada parecido com a reportagem do "Estado" que somou os valores de transações de jogadores da seleção na era Luxemburgo e, em momento de pura ilação, apresentou a cifra como indício contra ele.
Sem prejuízo da investigação jornalística do caso, é preciso ter cuidado. Talvez nenhum personagem do noticiário tenha mais chance de se tornar alvo de campanha do que o técnico da seleção brasileira quando esta vai mal das pernas.
Picuinha
Sem dúvida Romário "tem uma rotina diferente da de seus companheiros na seleção brasileira". Mas beira piada considerar, como um de seus privilégios, o fato de que amigos levaram um travesseiro novo para o atacante na Granja Comary. É o que faz reportagem na página D 2.
Leia críticas anteriores:
31/08/2000
30/08/2000
29/08/2000
28/08/2000
24/08/2000
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