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Crítica diária
São Paulo, 04 de setembro de 2000

RENATA LO PRETE

Fonte única
É interessante o assunto principal do Folha Eleições ("Esterilização é moeda eleitoral no NE", pág. A 5). A reportagem , no entanto, padece de um mal recorrente. Em vez de usar o estudo do demógrafo André Junqueira Caetano como ponto de partida, entrevistando também políticos, médicos e o Ministério da Saúde, o jornal faz o mais fácil: preenche quase a página toda com o relato da pesquisa e declarações de seu autor. História de mulher esterilizada há apenas uma na matéria inteira, ainda assim bastante breve.

Faltou explicar
No final da reportagem de capa de Cotidiano ("Cidade ganhará área protegida de 250 km2"), um rodapé de serviço diz: "Onde encontrar - Olhos da Mata tel." etc. Olhos da Mata é o nome da ONG que atua no local, mas onde encontrar o quê? Até dá para imaginar (a matéria se refere, de passagem, a "caminhadas ecológicas"), mas faltou ser claro.

Para não entender
A matéria "Dois acidentes matam 18 em rodovias do interior de SP" (pág. C 7) relata choques ocorridos entre Bauru e Marília e entre São José do Rio Preto e Barretos, além de registrar que morreram 12 pessoas nas estradas federais de Minas. Assim, não é fácil entender por que o texto está assinado pelo repórter da Agência Folha em Santos.

5 x 0
1. A Folha não traz a informação, disponível em outros jornais, de que Wanderley Luxemburgo teve de se explicar à Polícia Federal antes de embarcar, ontem à noite, para a Austrália.

2. A reportagem "Luxemburgo evita polêmica sobre sua idade" (pág. D 3) traz alguma novidade sobre a recém-revelada faceta "gato" do técnico da seleção. Apenas no meio box há uma referência, ainda assim não muito explícita, à reportagem da "Época". Fica a impressão equivocada de que o caso surgiu na Folha, e não na revista.

3. O texto da capa de Esporte diz que Romário passou a ser o segundo maior artilheiro da história da seleção (55 gols), superando Zico (53). Não é informado quantos foram os gols de Pelé, dono do primeiro lugar.

Beijo na escola
Observações sobre a matéria de capa do Folhateen:
1. O olho abaixo do título fala no "caso dos rapazes transferidos do colégio por terem se beijado" em Manaus. A legenda da foto da dupla se refere a "um suposto beijo". E então? Pelo que entendi da história, vale a primeira versão.

2. O texto ouve apenas um dos dois envolvidos, J.S.S., e nem ao menos explica o motivo da ausência do outro, J.R.M. A omissão é especialmente ruim em uma reportagem de caderno semanal, que trata do caso dias depois de ele ter surgido no noticiário.

3. Se era para fazer repercussão, o jornal poderia ter escolhido grupo um pouco mais diversificado do que meia dúzia de alunos do colégio Rio Branco.

4. Usa-se um pequeno texto para lembrar do estudante paulistano ameaçado de expulsão por ter se declarado a um colega, caso revelado pelo Folhateen no ano passado. Não fica claro qual é a situação desse menino hoje: se está OK na mesma escola e se desapareceram as ameaças de morte registradas na polícia.

Deep Purple e orquestra
Não parece haver problema na matéria "Deep Purple faz show sinfônico" (Folhateen, pág. 3). Mas ela me dá a oportunidade de registrar que dois leitores apontam erro em texto sobre a mesma apresentação publicado na sexta-feira. "Claro que o Deep Purple não é o pioneiro nessa mistura de rock/clássico", informou o Guia da Folha. "No início da década de 80, o trio Emerson, Lake & Palmer já era acompanhado por orquestra". Segundo os leitores, o primeiro disco do Purple com a Filarmônica de Londres é de 1969.

Edição de domingo, 3 de setembro

Básico
A reportagem "Polícia prende acusados de matar sem-terra em Mato Grosso do Sul" (pág. A6) não informa QUANDO foram cometidos os crimes, ou, se sobre isso não havia certeza, quando foram encontrados os corpos. O esclarecimento (foi na sexta-feira) aparece na matéria de hoje (pág. A 4). Logo no primeiro parágrafo, esse texto usa a palavra "execução" de forma condenada pelo "Manual" (pág. 74).

Eleições
1. "Faltando um mês exato para a votação, ainda é grande o número de eleitores que não sabem ou erram o número do candidato em que pretendem votar" (pág. A 8). Publicado ontem, 3 de setembro, o texto sugere que a votação será em 3 de outubro. Será no dia 1º.

2. Não sei se o Planalto está "em euforia" com a ascensão de Geraldo Alckmin, como diz o título principal da pág. A 9. Talvez esteja. O certo é que o enunciado está um tom acima do texto que o acompanha, no qual se encontram trechos como "sonhar com um resultado surpreendentemente favorável nas eleições de outubro" e "balanço poderá ser um reforço da base de apoio ao presidente", além da palavra "otimismo". Não há ali nada que seja sinônimo de "euforia".

3.
"Padre ajuda campanha para candidato", informa o outro título da pág. A 9. Onde está a notícia? A menos que exista algo além do relatado no pequeno texto sobre a eleição em Campinas, não há nada de extraordinário no apoio explícito de religiosos a candidatos.

4.
Por falar em Campinas, os resultados do mais recente Datafolha nesse município e em São José dos Campos não constam do quadro na pág. A 8 ("A disputa em nove cidades de SP"). A pesquisa saiu apenas nos cadernos regionais. A solução não é muito boa porque, nos dois casos, havia notícia nos resultados.

5.
Título principal da pág. A 10: "Covas eleva gastos publicitários, diz PT". A subida de Alckmin e a consequente necessidade de tratá-lo como "peixe grande" não deveriam resultar em apelações como destinar abre de página à surrada pauta do deputado petista que, na condição de fonte única, grita contra os gastos do governo com propaganda. Até "frase" Jilmar Tatto ganhou de presente ("Não houve motivo para justificar aumento tão abrupto nas despesas". Não diga.) Ou a reportagem fazia algo menos raso a partir dos números fornecidos por ele, ou era caso de editá-la de forma mais discreta.

6.
A reportagem "Betim tem disputa eleitoral tumultuada" (pág. A 11) não informa ao leitor quem está na frente em intenções de voto, se Maria do Carmo Lara (PT) ou Carlaile Pedrosa (PL). Há apenas este dizendo que a adversária "está caindo nas pesquisas". Ainda que, neste caso, o jornal não disponha de números do Datafolha, tem de dar ao leitor alguma indicação sobre quem lidera a campanha, ou registrar que a situação é equilibrada, se for este o quadro.

Trocando as bolas 1
"Colômbia garante que não vai usar fungicida", diz o segundo título da capa de Mundo. De acordo com o texto, o que o ministro do Meio Ambiente desse país diz é que não será testado, na Amazônia, o fungo desenvolvido pelos EUA para destruir folhas de coca. O problema menor do enunciado é usar o verbo "garantir" de forma desaconselhada pelo "Manual" (pág. 77).

Trocando as bolas 2
O texto intitulado "Lei de 96 pode dificultar separação" (pág. C 10) se refere a casamentos em que não houve pacto "antinupcial".

A escolha de Romário

No sábado, a Folha disse que Romário pensava em desistir da seleção. Segundo o "Globo" de ontem, ele não apenas quer estar nas eliminatórias como planeja ir à Copa. Quem está certo?

Por falar em quem está certo, aproveito para registrar esclarecimento da Redação a nota da crítica da semana passada. A Folha estava certa ao colocar Gustavo Kuerten no 96º lugar do ranking (o "Globo" do mesmo dia falara em 97º).

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