São Paulo, 05 de setembro
de 2000
RENATA LO PRETE
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Sem notícia
Sabemos que o dia está fraco quando:
a) uma foto de Hillary Clinton, nem melhor nem pior do que dezenas de
outras, vai parar na capa do jornal, sem que exista nada para dizer
sobre a primeira-dama dos EUA;
b) a manchete da página A 5 é "FHC deve falar em cadeia de rádio e TV".
Dúvida
Segundo o "Painel", Jaime Lerner viajou à Bahia, para se encontrar com
ACM, em jatinho fornecido pela empresa Ouro Verde, "que seria contratada
em licitação pelo governo do Paraná". É "em licitação" ou "sem
licitação"?
Sem outro lado
Sei que o empresário Mário Adler, "procurado pela Folha", não quis se
manifestar sobre seu embate com Henry Sobel. Isso não desculpa a
reportagem da pág. A 4, que registra o caso exclusivamente pela ótica do
rabino.
No único trecho parecido com um "outro lado", o jornal afirma ter
apurado "que as atividades de Sobel fora da Congregação Israelita
Paulista seriam consideradas excessivas pela atual diretoria. Isso, como
escreveriam os editoriais, "é dizer o mínimo". Qualquer um que já ouviu
falar dessa história sabe que os adversários de Sobel na CIP lhe fazem
acusações mais pesadas.
Se elas procedem ou não é outro problema. O fato é que o jornal, ao
tratar do assunto, precisa refletir os diferentes pontos de vista
envolvidos.
Difícil de entender
O segundo título da pág. A 5 ("Simon diz que indicação de nome de Grossi
para BC é provocação") deixa a impressão de que se trata de assunto
velho (a nomeação de Tereza Grossi para diretoria do Banco Central à
revelia da acusação que lhe foi feita pela CPI dos Bancos), e não da
decisão de Armínio Fraga de colocá-la durante uma semana na presidência
do BC, durante viagem dele ao exterior.
Eleições
São interessantes os dados discriminados da pesquisa Datafolha
apresentados em reportagem na pág. A 11. O problema é que a informação
escolhida para abrir o material ("Marta e Alckmin empatam entre ricos")
já estava na edição de domingo.
Planos em exame
1. A manchete da capa de Cotidiano ("Idec vê irregularidades em 13
contratos") tem o velho defeito de omitir o elemento principal da
notícia (planos de saúde), que ficou escondido no "chapéu".
2. Não vejo problema sério na reportagem, mas penso que o leitor, ao se
deparar com a lista dos 13 planos examinados, tem a curiosidade de saber
como o dele se saiu na avaliação. A matéria não fornece dados
discriminados. Não sei se as informações do Idec permitiam fazê-lo, mas,
no texto de "outro lado" (pág. C 3), o diretor da Marítima alega que a
operadora foi a única a receber quatro estrelas do instituto por clareza
de contrato. Não é esclarecido se a afirmação procede e/ou se tem
relação com a pesquisa.
Sem continuidade
Há cerca de dois meses, a Folha revelou a disputa entre o COB e os
patrocinadores de Gustavo Kuerten em torno da roupa que o tenista usaria
em Sydney (uniforme da delegação brasileira ou suas marcas habituais).
Agora que a história esquentou, chegando a ameaçar a ida de Kuerten aos
Jogos, não está no jornal, e sim nos concorrentes.
O verão de Hollywood
1. Se está correto o lide da contracapa da Ilustrada, então há erro na
arte que apresenta o faturamento dos filmes de verão nos EUA em 1999 e
em 2000. O quadro registra US$ 2,7 bilhões e US$ 3 bilhões,
respectivamente. Segundo a reportagem, é o contrário.
2. Tenho a impressão de que foi equívoco escolher uma cena de
"Gladiador" como principal ilustração do material. Salvo engano, o filme
com Russell Crowe estreou antes da safra de verão. Tanto que só é citado
no último parágrafo da reportagem, dedicado a apostas para o próximo
Oscar, e, apesar de seu bom desempenho de público, não aparece no
ranking de maiores bilheterias da temporada incluído na arte.
Leia críticas anteriores:
04/09/2000
01/09/2000
31/08/2000
30/08/2000
29/08/2000
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