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Crítica diária
São Paulo, 11 setembro de 2000

RENATA LO PRETE

Onde está?
Texto-legenda no alto da Primeira Página: "Fiscal morre após ser atingido por um pneu de um dos carros envolvidos em acidente na largada do GP da Itália". Onde está o fiscal? Na foto ele não aparece. A informação de que houve morte devia mesmo estar presente, mas a maneira de apresentá-la está errada. TL não tem a mesma estrutura de uma chamada comum. Não pode ser aberto com a descrição de algo que não consta da imagem.

Sem serventia
A foto aérea escolhida para a Primeira Página não serve para mostrar que houve público a rodo no último dia da Mostra do Redescobrimento. É impossível identificar onde a fila começa, onde acaba e mesmo onde exatamente há fila sob aquelas árvores. O resultado mais confunde do que informa.

Eleições
1
.É um tanto forçada, além de confusa, a manchete do Folha Eleições ("Covas insinua dobradinha Marta-Maluf"). O governador e seu candidato fazem o óbvio: reclamam porque, ao subir nas pesquisas, Alckmin começou a apanhar. Marta e Maluf também fazem o óbvio: batem no tucano porque ele não é mais inofensivo. Parece exagero fazer da pseudo-acusação de Covas o título principal da cobertura.
2. "Nove acusados em CPI são candidatos." Apesar de o assunto ocupar uma página inteira (A 11), os nomes estão perdidos no meio dos textos. Não há um lugar (arte, box, o que for) em que o leitor bata o olho e descubra quem são os nove citados pela CPI do Narcotráfico concorrendo nas eleições deste ano. Também não há foto de nenhum deles. Falha de edição.

Mais petróleo
1. O texto principal da capa de Dinheiro ("Opep vai vender mais óleo; preço pode cair") tem o mérito de estar bastante didático. Em contrapartida, o texto do "Estado" (pág. B1) é mais completo. Traz declarações de Hugo Chávez e de ministros da Venezuela e da Arábia Saudita, além de informações sobre os protestos na Europa.
2. A segunda retranca da capa ("Preço alto derruba conta do governo") não explica o que é conta-petróleo, citada quatro vezes no texto. Para descobrir o leitor tem de chegar até o meio da terceira e última retranca da página.

Para não entender
A história contada na pág. B 4 (Antarctica e Kaiser preparam campanhas publicitárias de estilos opostos) é curiosa, mas o título da reportagem ("Cerveja vê duelo vídeo caseiro x high-tech") é incompreensível.

Pouca surpresa
Há dados interessantes na pesquisa FAU-Poli apresentada na capa de Cotidiano, mas a informação destacada na manchete do caderno ("Cortiço é mais caro do que casa em SP" ) está longe de ser novidade.

Nenhuma surpresa
Manchete de Mundo ontem: "Palestinos vão adiar Estado, diz analista". Manchete de Mundo hoje: "Palestinos adiam proclamação do Estado".

Olimpíadas 2000
1. Só no papel: o caderno Folha Sydney 2000, que estreou hoje, não consta da versão eletrônica do jornal.
2. Está bem bonito o caderno. Nesta primeira edição, merecem elogio à parte as duas fotos de Gustavo Kuerten (capa e pág. D 2), de longe as melhores do tenista entre as muitas apresentadas nos jornais de hoje.
3. Por falar em Kuerten, devagar com a euforia: título no Guia Sydney 2000 afirma que o brasileiro é o favorito no tênis (pág. 14). O certo é dizer "um dos", como faz o texto. Como a própria Folha informou ontem, favorito mesmo é considerado o australiano Patrick Rafter.

Edição de domingo, 10 de setembro

De graça
A reportagem "ACM entra em ação nas eleições baianas", que ocupa toda a página A 12, não tem:
a) nenhuma novidade;
b) nenhum distanciamento em relação ao personagem, que dirá espírito crítico.
Se o jornal diz que o senador está "no apogeu de seu prestígio" na Bahia, poderia ao menos ponderar que, no plano nacional, a situação dele já foi bem mais confortável.
Detalhe: o texto diz que Luís Eduardo morreu em 1999. Foi no ano anterior.

De olho no mapa
Um leitor mostra que a coluna de Elio Gaspari ("O problema da renda está nas capitais", pág. A 9) se referiu a Mato Grosso onde deveria ter dito Mato Grosso do Sul (caso do assassinato de dois sem-terra). O mesmo leitor aponta erro na Primeira Página de sexta-feira passada, edição Nacional. A capa falou em Aparecida do Norte. O nome da cidade é Aparecida.

Ele é ela
Dois leitores esclarecem que Ghada Talhami, apresentada como homem em dois textos de Mundo sobre a criação do Estado palestino (págs. A 16 e A 17), é na verdade uma conhecida feminista árabe.

Fora do ar
1. No domingo que antecedeu a abertura das Olimpíadas, evento televisivo por excelência, o TV Folha não trouxe mais do que um texto mirrado e desprovido de serviço sobre o assunto (pág. 7). O caderno já havia falado dos Jogos de Sydney, mas: a) isso faz um tempo; b) também nessa ocasião não houve ênfase em serviço. A capa de ontem ("Nunca houve tanta religião na TV") poderia ter sido feita um ano atrás ou daqui a um ano. Gancho nenhum.
2. Um caderno semanal não pode ter título como o da pág. 11 ("Claudete vai para Record; Marcia assume 'Mulheres'"). Ele chega velho ao leitor.

Edição de sábado, 9 de setembro


Horário eleitoral
"Rico, Tatuapé vira Moema da zona leste." Na primeira leitura, a capa de Cotidiano de sábado me impressionou apenas por ser velha. Todo mundo, acho que até a própria Folha, já fez essa pauta.
Descubro hoje que há problema bem mais grave com o material, cujos personagens são dois novos-ricos: uma jovem empresária e Manoel Jorge Gonçalves, "dono da imobiliária Ação Imóveis, a mais influente do Tatuapé". "Filho de imigrantes portugueses", ele "fez fortuna e quer continuar no bairro". Pois bem. Gonçalves está em campanha para obter uma vaga na Câmara pelo PPB, depois de ter tentado, sem sucesso, eleger-se deputado pelo Prona em 1998. A Folha, que deu a ele perfil, foto generosa e espaço para opinar sobre a expansão imobiliária na região, simplesmente não informa que Gonçalves é candidato. Mais do que explicar por que omitiu esse dado, o jornal precisaria esclarecer como permite que um candidato vire personagem desse tipo de matéria.

Trocando as bolas
Pode-se até argumentar que a "GQ" é uma publicação um pouco enrustida, mas "revista gay" ela não é. O erro saiu na coluna de Monica Bergamo.

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