São Paulo, 12 de setembro
de 2000
RENATA LO PRETE
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Eleições
1. É ruim o enunciado "Marta demonstra ter predileção por tucano", o segundo da capa do Folha Eleições (pág. A 9). A candidata pode falar o que quiser. O jornal é que não pode comprar, em título, declarações vazias. Todo mundo sabe, e a própria Marta reconhece na matéria, que para ela seria menos perigoso enfrentar Maluf no segundo turno.
2. Segundo outro texto na mesma página, Maluf "negou a existência de um pacto de não-agressão entre ele e a petista, conforme afirmação feita por Mário Covas". Em primeiro lugar, registre-se que, na edição de ontem, o comentário do governador foi descrito como "insinuação". Em segundo, a história é tão boba que nem era preciso dar espaço para Maluf negá-la.
Só relatório
Mundo dedica sua manchete e dois textos (pág. A 13) aos ataques do governo dos EUA (Clinton e o candidato Gore) à indústria do entretenimento, por promover entre crianças produtos indicados apenas para adultos. O material é tão extenso quanto ingênuo. Um único parágrafo, no meio do segundo texto e ainda assim atribuído ao adversário de Gore, George W. Bush, observa o quanto a investida é eleitoreira e como são sólidas as relações entre essa indústria e a candidatura democrata.
O petróleo
1. É detalhe, mas a leitura do quadro na capa de Dinheiro seria mais fácil se os dados de produção e de reservas de petróleo dos países da Opep tivessem sido apresentados em ordem decrescente, e não "embaralhados".
2. Segundo reportagem na pág. B 5, o ministro da Fazenda "garantiu que não há nenhuma intenção de novo aumento nos preços dos combustíveis". Em seguida vem a frase de Malan: "Não há nenhuma razão para decisões precipitadas". É apenas questão de sintonia fina, mas, a menos que ele tenha dito algo além do que está no texto, cabe observar que o lide e a declaração não têm exatamente o mesmo sentido. Não custa lembrar, também, que o "Manual" manda evitar o verbo "garantir" como sinônimo de "dizer" (pág. 77). Ainda mais quando vem eleição por aí e tanta gente adverte que, depois dela, a conversa do governo sobre aumento de combustíveis poderá ser outra.
Faltou dizer
Não dá para entender por que a reportagem "Pais e mães-de-santo terão aposentadoria" (pág. B11) omite a informação de que o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, é da Bahia, onde vivem os beneficiados pela decisão.
Outras palavras
"Mãe é acusada de atear fogo em gêmeas por R$ 5." O título (pág. C 7) dá a entender que a mulher, em troca dessa quantia, colocou fogo nas filhas. A história, segundo a delegada, é outra: a mãe deu falta do dinheiro, culpou as crianças e as atacou.
Olimpíadas
Com pouca cor (4 das 10 páginas), o caderno Sydney 2000 perde muito de seu apelo visual. Para constatar a diferença em relação à edição de ontem, nada melhor do que comparar o resultado das páginas centrais.
De graça
Ontem Dinheiro trouxe reportagem sobre a nova propaganda da cerveja Antarctica. Hoje, a coluna de Mônica Bergamo volta ao assunto em texto-legenda. Seria bom o jornal ficar atento para não jogar mais confete sobre o mesmo comercial.
Leia críticas anteriores:
11/09/2000
06/09/2000
05/09/2000
04/09/2000
01/09/2000
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