São Paulo, 02 de outubro
de 2000
RENATA LO PRETE
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Segunda-feira, 2 de outubro de 2000
As manchetes de Folha e "Estado" se concentram no resultado do primeiro turno em São Paulo, embora a primeira acrescente que o "PT já busca o apoio de tucanos". O enunciado do "Globo" investe mais em alianças ("Conde terá o apoio de Garotinho; Cesar espera contar com PT e PDT"). O "JB" opta pelo quadro nacional ("Eleições nas capitais revelam disputa paralela entre PT e PFL"), mesma linha seguida pelo "Valor" ("Esquerdas saem na frente"). Além das eleições, o fim-de-semana teve o último revés brasileiro nas Olimpíadas (o do cavalo) e o item que faltava para selar a sorte de Luxemburgo (a capa de "Veja", dizem que alimentada pelo comando da CBF).
Eleições
1. A Folha, como outros jornais, parece acreditar que apuração de votos é igual a prova das Olimpíadas. "Maluf passa Alckmin no final e enfrentará Marta." Apenas no jornalismo em tempo real o "passa Alckmin" se justifica. Como manchete do caderno Eleições, não faz o menor sentido. Maluf já estava na frente de Alckmin às 17h, quando as urnas foram fechadas.
2. Assim como ocorreu na edição de ontem, o título principal da página 3 ("Marta e Maluf disputam segundo turno") é clone da manchete do caderno. Da mesma maneira, o "lidão" da capa foi extraído, praticamente sem mudança, dos parágrafos de abertura da reportagem da página 3. Redundância sempre há, mas é preciso cuidar para que ela não seja exagerada.
3. O exemplar da Folha que recebi em casa traz, na capa, o resultado da disputa em São Paulo com 98% das urnas apuradas, e, no quadro do caderno Eleições (pág. 8), números relativos a 36%, com Alckmin ainda em segundo lugar. É compreensível que, em edições concluídas tarde da noite, exista algum descompasso entre a Primeira Página e as artes internas, de atualização mais lenta. Mas assim já é demais. O material interno é completamente caduco. Bem antes do horário de fechamento da edição São Paulo, a TV estava muito à frente desses 36%. O "Estado" que recebi não tem o mesmo problema.
4. Falha de acabamento: as páginas do especial Eleições trazem no alto a letra "A", a mesma utilizada na numeração do primeiro caderno. Ontem aconteceu a mesma coisa.
5. Sobretítulo na página 2 lembra que José Eduardo Cardozo, campeão de votos para a Câmara, ficou conhecido ao presidir a CPI que apurou "problemas" na gestão de Celso Pitta. Como observariam os editoriais, isso é "dizer o mínimo".
6. Três nomes são destacados na arte de candidatos mais votados para a Câmara: Cardozo, líder da apuração, Wadih Mutran, da tropa de choque de Pitta, e Ricardo Montoro, por motivo ignorado. De acordo com o quadro, ele não é nem mesmo o nome mais votado do PSDB (quatro aparecem à sua frente). Em boa medida por ser filho de quem é, Ricardo Montoro já havia conseguido um lugar na seleção de 25 candidatos feita pelo jornal na semana passada. Não foi o bastante?
7. Abertura da entrevista com a vencedora do 1º turno em São Paulo (pág.
3): "Pelas pesquisas de opinião pública feitas pelo PT, Marta Suplicy vence qualquer adversário no segundo turno". É certo que as coisas agora podem mudar, mas, até ontem, todas as pesquisas, e não apenas as encomendadas pelo PT, indicavam que etc.
8. Na entrevista, Marta diz que paga R$ 1.200 por mês de IPTU. Quanto será o de Maluf na rua Costa Rica? Apesar da grande diferença entre os dois imóveis, pode-se dizer que este será um segundo turno entre "vizinhos".
9. A ordem de aparição dos assuntos no especial Eleições privilegia excessivamente o aspecto local em detrimento do nacional. Não é o primeiro dia em que isso acontece. Sem dúvida São Paulo tinha de abrir o caderno, mas acho ruim, por exemplo, que a importante e disputada eleição no Rio de Janeiro surja apenas na 13ª das 16 páginas, depois de itens como previsão de término das apurações e filas para justificar. Mesmo a ordenação das notícias nacionais não é boa. O Rio vem depois da mais do que prevista vitória de Antonio Imbassahy em Salvador.
10. Por falar em Rio de Janeiro, é bem possível que o assunto pesquisas eleitorais volte a crescer, na esteira dos ataques de Cesar Maia ao Ibope (o instituto chegou ao dia da eleição com Benedita da Silva um ponto à frente do petebista). Não era assim o "Globo" que recebi em casa ontem, mas me contam que, na capa da edição local, o jornal contrapôs o resultado do Ibope ao do Datafolha, que dava Maia adiante da petista, também dentro da margem de erro.
11. Mais uma sobre pesquisas. Com a apuração mais rápida, diminui muito a importância do levantamento de boca-de-urna na cobertura do dia seguinte, embora ainda sirva como instrumento para orientar a edição enquanto as urnas permanecem abertas. Isso fica claro nos jornais de hoje. Em compensação, a boca-de-urna serve bem ao tempo real. Com ela e com as projeções do Datafolha, o Folha Online fez um bom trabalho ontem.
12. Para um caderno de 16 páginas, o Eleições tem bem pouca interpretação: apenas um texto (pág. 7). No mais, somente números e declarações.
13. Por falar em declarações, o "Valor" traz uma boa de Jorge Bornhausen, presidente do fortalecido PFL, mostrando a conta aos tucanos: "O resultado é um alerta aos nossos aliados. Unidos, garantimos a continuidade do governo, mas, sem a aliança, há riscos para a sucessão presidencial em 2002".
Edição de domingo, 1º de outubro
1. Detalhe de acabamento: o texto da capa do caderno Eleições saiu em corpo menor do que deveria.
2. Legenda na mesma capa: "Geraldo Alckmin analisa atentamente o mapa de São Paulo na sala de sua casa". Por que "atentamente", se a foto é posada?
3. "Voto digital inviabiliza recontagem da votação." O "da votação" está sobrando nesse título da pág.2.
4. Reconheço que a questão é um tanto subjetiva, mas a mim parece confuso o resultado visual das duas páginas que abrigam a reportagem "Candidatos se defrontam com imagens e frases do passado" (4 e 5), ainda que o conteúdo seja interessante. Além disso, ficou um pouco estranho dizer, no lide, que Romeu Tuma "não concordou em participar da experiência", para, em seguida, dar a ele o mesmo tratamento dos demais.
Edição de sábado, 30 de setembro
1. O "JB" decidiu arriscar tudo em sua manchete de sábado: "Conde x Cesar e Marta x Maluf, o 2º turno no Rio e em São Paulo.
2. Vale a pena conferir o comentário de "Época" sobre a célebre foto de Fernando Henrique sentado na cadeira de prefeito de São Paulo (pág. 9). A revista recupera o episódio e conclui pela culpa da Folha, que teria desrespeitado embargo da imagem. "Uma gentileza com a imprensa passou à história como gesto de arrogância.".
Outros assuntos
Letra a menos
O nome do diretor de cinema Gus Van Sant saiu sem o "t" final em título na pág. E 6 de hoje.
Gafe irrelevante
Vai de mal a pior a "Gafe da Semana". Ontem, a seção resolveu implicar com a "irrelevância" dos comentários do locutor Fernando Vanucci sobre o nado sincronizado na Olimpíada, como se as bobagens destacadas em algo diferissem das que Vanucci diz em qualquer ocasião. Medalha de ouro em falta de assunto para o TV Folha.
Calendário
Título de chamada na Primeira Página de sábado: "Falha no início tira outro ouro do iatismo". Que outro? A diferença de fuso confundiu o redator. Nenhum dos dois ouros perdidos pelos brasileiros na modalidade havia constado da edição de sexta-feira. Do ponto de vista do jornal, ambos eram novidade.
Leia críticas anteriores:
28/09/2000
27/09/2000
26/09/2000
25/09/2000
22/09/2000
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