São Paulo, 05 de outubro
de 2000
RENATA LO PRETE
Eleições
1. A edição da Folha subestima as declarações de FHC sobre a eleição paulistana. É possível que o "Globo" tenha avançado o sinal em sua conclusão. Mas não tenho dúvida de que o presidente disse o suficiente para merecer mais visibilidade na pág. A 11.
2. Com o fim do Eleições como caderno separado, ficou estranha, pelo menos hoje, a ordenação dos assuntos em Brasil. Primeiro vem o embate FHC x ACM (págs. A 4 a A 6), relacionado não apenas mas em boa medida aos resultados de domingo passado. Na sequência aparecem três páginas de outros temas. Só depois (págs. A 10 a A 16) surge o noticiário eleitoral.
3. Reportagem na pág. A 11 registra o que Marta tem a dizer a respeito de alianças para o segundo turno. Pelo que se vê hoje no "Painel do Leitor", seria oportuno ouvir a candidata sobre a reação negativa ao assédio de Eduardo Suplicy a Romeu Tuma.
Oriente Médio
1. O pau está comendo há uma semana no Oriente Médio. Apesar disso, a chamada da Primeira Página registra que israelenses e palestinos chegaram a um acordo sem complementar a informação com o que ocorria nos territórios enquanto Barak, Arafat e Madeleine Albright se reuniam em Paris. Segundo o texto interno (pág. A 17), morreram mais quatro pessoas ontem, entre elas um menino de 13 anos.
2. "Outra criança palestina torna-se 'mártir'", diz o título que abre a pág. A 18. Um dos maus hábitos da Folha é utilizar aspas como recurso para ajeitar o significado de uma palavra que não cabe bem na situação. A tática não funciona e às vezes até piora o resultado. No caso, deixa a impressão de que o jornal faz pouco da dor alheia.
3. Legenda na capa de Mundo: "Palestina e uma garota observam soldados israelenses". A garota não é palestina também?
Gore x Bush
Beira o equívoco, de tão superficial, a conclusão da Folha sobre o evento da noite de terça-feira nos EUA ("Pesquisas dão vitória de Gore sobre Bush no debate", pág. A 19). Algumas observações:
1. Dos levantamentos realizados, apenas o da CBS mostra uma diferença expressiva pró-Gore. Os resultados da NBC se aproximam do empate técnico, e os da CNN estão dentro dele.
2. A reportagem não informa que a opinião de um terço dos entrevistados sobre o governador do Texas melhorou após o debate. Um quarto disse o mesmo a respeito do vice-presidente.
3. A reportagem também não informa que ficou estacionado o percentual dos que consideram Gore "apto para a Presidência". O de Bush cresceu consideravelmente.
4. Tudo somado, e levando em conta que antes do debate imperavam tanto a expectativa de que Gore fosse melhor quanto o temor de que Bush se atrapalhasse, o debate saiu bem melhor do que a encomenda para o republicano. O único dado que a Folha apresenta nessa direção é uma frase de analista perdida no meio do texto.
A chuva
"Houve vários pontos de alagamento na cidade", diz a capa de Cotidiano. Houve mesmo. O problema é que a foto escolhida para ilustrar a reportagem (a do McDonald's) mostra uma singela poça de água na avenida Paulista. Isso não é nada perto do que se viu ontem.
Piada pronta
Pergunta da Folha para Arnaldo Faria de Sá: "O que a prefeitura pretende fazer nestes três meses que restam de mandato?" Resposta do secretário:
"Primeiro, manter todos os factóides".
De graça
A nota de abertura da coluna de Mônica Bergamo trata de um aparelho para avaliar nódulos nos seios desenvolvido na Universidade do Vale do Paraíba. Menos invasivo, o método "deve começar a ser utilizado em cem pacientes" do Hospital do Câncer "a partir de janeiro".
Sem dúvida o assunto tem interesse, mas ele se presta mais a uma reportagem, formato que permite colocar a novidade em perspectiva, fazer as ressalvas necessárias, enfim, oferecer elemento contraditório. Tal como apresentado, o resultado é excessivamente promocional. É sabido como são grandes os interesses envolvidos nesse tipo de divulgação.
Leia críticas anteriores:
04/10/2000
03/10/2000
02/10/2000
28/09/2000
27/09/2000
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