O que é o cargo 

Fale com a 
Ombudsman 


Mural 

Colunas 
Anteriores 


FiloFolha 

Dúvidas mais 
Frequentes 


Bate-papo 



Crítica diária
São Paulo, 06 de outubro de 2000

RENATA LO PRETE


Iugoslávia

Assim como vários diários estrangeiros, a Folha adota tom cauteloso em sua cobertura dos acontecimentos de ontem na Iugoslávia. Sem informações seguras sobre o paradeiro e a situação de Slobodan Milosevic, o jornal evita a assertividade do "Globo" ("O fim da última ditadura da Europa") e do "JB" ("Deposto o último ditador da Europa"), ainda que um retorno a esta altura pareça muito improvável. Alguns comentários sobre a edição, que no geral me parece correta:
1. É um equívoco não destinar nenhum título, nas três páginas ocupadas pelo assunto (A11 a A13), à repercussão internacional. Esse aspecto ficou confinado a dois parágrafos no pé do texto de abertura, com uma frase para Bill Clinton e outra para Vladimir Putin. O "Estado", além de apresentar quadro amplo do que disseram os líderes europeus (pág. A18), traz versão mais completa das declarações do presidente dos EUA (pág. A19). Na esteira do erro de Mundo, o texto da manchete do jornal nada registra sobre repercussão.
2. Entendo que, em eventos como o de ontem, os números de manifestantes fornecidos pelas agências costumam ser desencontrados, e por isso raramente vale a pena apostar em um deles para o título, como faz o "Estado" em sua capa ("200 mil vão às ruas para derrubar o presidente iugoslavo"). No outro extremo, também é ruim a opção da Folha, que não registra estimativa de manifestantes em nenhum de seus textos. Traz apenas uma referência vaga ("centenas de milhares") dentro de quadro na pág. A18.
3. É questão de opinião, mas tendo a achar a foto principal de Mundo (também capa do "Estado) mais "revolucionária" do que a escolhida para a Primeira Página.
4. Lide do texto principal de Mundo: "A oposição iugoslava parecia ter derrubado numa revolta popular ontem o presidente iugoslavo". Que outro presidente ela derrubaria? Jornal é feito com pressa, mas não tanta que impeça escrever com um pouco mais de cuidado pelo menos a abertura das matérias.
5. "Entenda a crise política iugoslava", promete título de box na pág. A 18. No entanto, o leitor que não acompanha o assunto sai do texto sem descobrir por que Milosevic foi arrumar sarna para se coçar antecipando eleições. Só duas páginas adiante é explicado que o presidente, na mira do Tribunal de Haia, esperava evitar, com a reeleição, ser preso ou extraditado.
6. Esse texto é bem melhor do que o perfil de Milosevic traduzido do "USA Today" que a Folha publicou à época da crise de Kosovo, verdadeira ofensa à inteligência do leitor. Ainda assim, padece de um certo simplismo que o jornal não consegue evitar quando o assunto é Milosevic.
7. Sobre o perfil nacionalista de Vojislav Kostunica, outros jornais registram frase do líder oposicionista à multidão que não aparece na matéria da Folha (pág. A12): "Não precisamos nem de Washington nem de Moscou".
8. Por falar em Kostunica, seria bom dar um "pronuncia-se".
9. Um detalhe relatado por correspondentes do "New York Times" e do "Washington Post": entre a papelada retirada do Congresso pelos manifestantes estariam cédulas da próxima votação já marcadas como nome de Milosevic.
10. Mais de uma vez a edição de hoje faz referência à economia destruída da Iugoslávia. Seria oportuno voltar a publicar os números que mostram esse quadro.

Leia críticas anteriores:

05/10/2000

04/10/2000
03/10/2000

02/10/2000
28/09/2000


Críticas Anteriores
| Subir |
 
 

Leia as críticas anteriores

2000


Leia as
colunas de domingo


2000

1999

1998

1997

1996

1995


Leia colunas de Ombudsmans anteriores


Voltar à página principal


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A - Todos os direitos reservados.