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Crítica diária
São Paulo, 16 de outubro de 2000

RENATA LO PRETE

Eleições
1.
Trecho de reportagem na pág. A 8: "Conde mora numa casa com cinco banheiros no Condomínio Cachoeira da Barra". Se era para descrever o imóvel, ficou um tanto estranho informar apenas o número de banheiros.

2. Trecho de reportagem na pág. A 9: "Maia acredita que o debate será uma forte arma para alavancar seu desempenho nas pesquisas". O candidato acredita, ou diz que acredita, no que quiser, mas o jornal deveria redigir com um pouco mais de distanciamento.

Oriente Médio
1. Cresce o número de leitores que criticam o jornal por apontar a visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, em 28 de setembro, como responsável pela onda de violência na região. Entendo que o quadro explicativo, hoje na pág. A 11, fala em "estopim", o que é diferente, mas a Redação sabe que mesmo para acender o pavio outros fatores também contribuíram. A arte ficaria melhor se conseguisse contemplá-los.

2. Para que esse quadro cumpra a tarefa de ajudar o leitor a "entender a crise", seria bom que apresentasse, além da oposição Barak x Arafat e das exigências de israelenses e palestinos, algo a respeito das divisões dentro de cada lado.

Cadê o beijo?
Segundo nota na pág. A 12, Gisele Bündchen negou (já havia negado no "Estado" de ontem, mas tudo bem) que tenha ficado noiva de Leonardo DiCaprio, e "não quis comentar a foto em que está beijando o ator". Certo, mas cadê a foto? Está nos concorrentes.

Mulheres maravilhosas 1
Segundo reportagem na capa de Dinheiro, "as mulheres representam atualmente 36% das vendas do setor automotivo e têm cada vez mais poder e decisão de compra. Esse fato é confirmado pelo grande número de mulheres presentes ao 21º Salão do Automóvel". 36% é muito? Quanto era antes? Alguma estimativa do "grande número de mulheres presentes"? Tudo sem resposta. Para completar, o sobretítulo diz que a indústria já "lança modelos para o público feminino", enquanto o texto fala apenas em "acessórios voltados para mulheres". Dá para perceber que não foi fácil preencher o espaço.

Mulheres maravilhosas 2
"Eles são ousados, mas elas lucram mais", diz a manchete do Folhainvest. O enunciado se baseia na a opinião de quatro consultores (uma delas, de algo chamado Mulherinvest, cita a indefectível "pesquisa feita nos EUA") e em dois personagens escolhidos a dedo para não atrapalhar o lide: o mocinho "agressivo" que perdeu dinheiro e a mocinha "cuidadosa" que aos poucos vai se dando bem.

O resultado são duas páginas entupidas de lugares-comuns ("Elas, antes de tomarem uma decisão, querem ter certeza de que estão fazendo a coisa certa; eles vão direto ao que interessa"). Para piorar, o caderno já fez essa pauta.

Edição de domingo, 15 de outubro

Erramos demais
"Diferentemente do que foi publicado na página 2 do Fovest de 10/10, o site correto é www.sercomtel.com.br/matematica." Que site? Além da redação imprecisa há o fato de que esse foi o terceiro "erramos" sobre a mesma edição do Fovest (os outros dois diziam respeito a uma equação e à composição da molécula de água). Seria bom redobrar o cuidado, já que se trata de um caderno de orientação para estudantes.

Projeto Alvorada
Observações sobre a reportagem "Carentes são preteridos em pacote antipobreza" (pág. A 4):

1. O sublide credita a "levantamento feito pela Folha" a descoberta de que 672 cidades ficaram fora do Projeto Alvorada apesar de terem uma qualidade de vida inferior à de alguns dos municípios atendidos. O parágrafo seguinte diz que "o problema foi identificado pela assessoria do PT no Senado". Afinal, foi a Folha ou o PT? Não é recomendável que reportagens sugiram uma dobradinha entre o jornal e o partido.

2. A matéria tem um problema central. Pelo lado do governo, Wanda Engel defende a metodologia do projeto (considerar o IDH de microrregiões, não o de municípios isolados). Como o texto não apresenta argumentos em contrário, o leitor fica com a impressão de que o jornal encontrou um número (672 cidades), mas não entende muito do que está falando.

3. As declarações de Wanda Engel registradas na sub "Principal meta é reduzir miseráveis" são tão semelhantes às que o jornal publicou quando da divulgação dos números do Ipea, há uma semana, que a retranca parece ter sido simplesmente reciclada para a reportagem de ontem.

De qualquer jeito
Observações sobre o TV Folha de ontem:

1. Faz anos que a Record tenta "mudar a imagem de TV do bispo". Além da chegada de Adriane Galisteu, "que poderá usar a roupa que quiser e terá total liberdade de expressão", a única novidade nesse processo, até certo ponto bem sucedido, é a contratação de uma agência de publicidade para "desvincular a imagem da Record da Igreja Universal". Foi o bastante para ganhar a capa do caderno. A Giusti-Loducca agradece.

2. Há duas semanas, o TV Folha publicou uma cozinha (não creditada) da "Entertainment Weekly" sobre a nova temporada de seriados norte-americanos.

Hoje o caderno volta ao assunto e: a) usa o chapéu "sitcoms" sobre matéria em que várias das atrações citadas não são sitcoms; b) fala apenas dos programas novos, sem informar ao leitor quais dos seriados que ele acompanha vão sair da grade e como será o início da nova temporada dos que
permanecerão no ar.

Coincidência chata
A mesma personagem ilustra as capas da Revista da Folha e da "Vejinha". Na primeira ("Como os cachorros ajudam seus donos a ter uma vida melhor"), a modelo Karina Bacchi segura um yorkshire. Na segunda ("Multiplicam-se as técnicas terapêuticas que ajudam paulistanos e paulistanas a relaxar"), aparece mergulhada em um ofurô.

Edição de sexta, 13 de outubro

Trocando as bolas
A seção "Destaques da TV paga" informou que na noite de sexta-feira passada o GNT exibiria um especial sobre o "escritor, ator e diretor de cinema Sam Shepard". Na verdade, o programa tratava do quase homônimo Sam Sheppard, condenado por crimes brutais nos anos 40. Seu caso foi reaberto 20 anos depois, provocando barulho e mudanças na legislação norte-americana. Não sei se o erro foi da Folha ou do próprio GNT. Para assistir ao programa recomendado pelo jornal, o leitor que ligou para me avisar da confusão chegou a discutir com a mulher, que preferia ver "Aquarela do Brasil".





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