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São Paulo, 17 de outubro
de 2000
RENATA LO PRETE
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Sintonia
fina
"Fracassa primeiro dia de cúpula entre Israel e palestinos",
diz título de chamada na Primeira Página. Não se trata
propriamente de erro, e sim de uma escolha infeliz de verbo,
a mesma da capa do "Globo". A Redação pode alegar que o enunciado
se refere apenas ao primeiro dia. E, a despeito do acordo anunciado
esta manhã, sempre existe a possibilidade de que tudo dê para
trás. Mas não se usa "fracassa" para uma cúpula ainda em andamento.
Outros jornais brasileiros, assim como os principais estrangeiros,
foram mais cautelosos ("impasse", "sem avanço", "não dobra resistência"
etc.). Como resultado, ficaram menos distantes do tom dos desdobramentos
de hoje.
Para não entender
É uma confusão a matéria sobre a morte do filho mais velho de
Paulo Tarso Flecha de Lima (pág. A6). O jornal empilha informações
da nota oficial do hospital Sarah Kubitschek sem se dar ao trabalho
de traduzir ou simplificar termos como "escara sacra", "comprometimento
ventilatório", "polineuropatia" e "exame de eletroneuromiografia".
O leitor sai do texto sem entender o que provocou a morte. A
obesidade mórbida citada no sexto parágrafo? Erro médico na
cirurgia para redução do estômago? À diferença dos concorrentes,
a Folha não registra a troca de acusações entre o hospital
de Belo Horizonte, onde foi realizada a operação, e o Sarah,
para onde Paulo foi transferido. Última observação: segundo
o "Globo", o filho do embaixador tinha síndrome de Down, o que
a Folha também não informa.
Roseana no hospital
A Folha é o único dos principais jornais a não noticiar
que Roseana Sarney será submetida amanhã a cirurgia para retirar
um nódulo do seio. Não bastasse o fator 2002, a omissão é ainda
mais estranha porque a governadora do Maranhão aparece nos concorrentes,
em "on", falando sobre o problema. Se a saúde de Mário Covas
e de Tasso Jereissati é notícia, por que a de Roseana não seria?
Eleições
Dois leitores e a assessora de imprensa do prefeito Beto Mansur
telefonam para criticar a reportagem "Telma acusa superfaturamento
de pão em Santos em programa" (pág. A11). Eles perguntam por
que o jornal omitiu que:
1. a mesma empresa que fornece pão à prefeitura hoje
o fazia na gestão do petista David Capistrano (o "outro lado"
diz apenas que a empresa "já teve contratos anteriores com a
administração municipal", sem precisar em que época);
2. a gestão Capistrano enfrentou idêntica acusação de
superfaturamento. Se as informações procedem, sem dúvida deveriam
ter sido registradas.
Comentário lateral: o título da matéria é bastante confuso.
Debate nos EUA
Básico: a matéria sobre o terceiro debate entre Bush e Gore
(pág. A14) não registra nem o horário nem as emissoras que transmitirão
o encontro desta noite.
Piloto automático
A menos de três meses do fim de sua gestão, Celso Pitta segue
anunciando medidas como a que aparece hoje na capa de Cotidiano
("Prefeitura faz pistas de cooper em avenidas"). A quase todas
elas o jornal dá grande destaque, apenas para informar, logo
de saída, que não prestam e/ou que jamais serão concretizadas.
Se é assim, por que não registrar em página interna e encontrar
capas mais interessantes para o caderno?
Na TV
Duas observações sobre a grade da página E8:
1. Pela amostra das edições de ontem e de hoje, há erro
na programação do canal Sony, que mudou com o início do horário
de verão.
2. A programação da CNN não traz o debate Bush x Gore,
que a emissora vai transmitir ao vivo, a partir das 23h.
Leia críticas anteriores:
16/10/2000
11/10/2000
10/10/2000
09/10/2000
06/10/2000
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