São Paulo, 20 de outubro
de 2000
RENATA LO PRETE
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Bolsa
sem CPMF
1. O texto da manchete do jornal deixa claro por que
a Receita Federal é contra o fim da cobrança da
CPMF para as aplicações em Bolsas (perda de arrecadação).
Mas não explica por que o Banco Central defende a medida
(atração de capital). Pode parecer óbvio
para a Redação, mas tenho a
impressão de que não é para muitos leitores.
2. Depois de isentar os estrangeiros do pagamento da
CPMF, o governo estuda estender o benefício aos investidores
brasileiros, diz o lide de hoje. Não
bastasse a incerteza do verbo ("estuda"), termina-se
a leitura da capa de Dinheiro sem entender por que o
governo está inclinado a ampliar a isenção,
uma vez que a reportagem acaba com o seguinte raciocínio
do presidente da Bovespa: não haveria perda de arrecadação
porque o maior interesse dos estrangeiros (agora livres do tributo)
"atrairia um número maior de investidores brasileiros,
que continuam a pagar CPMF".
3. Arte na capa de Dinheiro diz que a CPMF "começou
em 17 de junho de 99 (...) Antes disso, vigorou por dois anos".
É só maneira de escrever, mas, se o título
do quadro promete ajudar o leitor a "entender o imposto
do cheque", era caso de lembrar como algo que "começou"
em 99 pode ter vigorado antes.
O câncer
de Covas
1. A julgar pela reportagem de hoje, parece não
haver motivo para retificar o "Painel" de quarta-feira,
que localizou no intestino o novo câncer de Mário
Covas. A definição pode ter sido imprecisa,
mas, segundo a matéria da pág. A 6, feita a
partir da entrevista coletiva da equipe que cuida do governador,
o tumor está "na região pélvica,
entre a nova bexiga e o reto (porção final do
intestino)". O jornal acrescenta que "de acordo
com os médicos, a lesão 'aparentemente' já
invadiu o intestino".
2. As reportagens de ontem e de hoje estão bastante
claras e, na opinião de dois médicos que me
procuraram para tratar do assunto, traduzem os termos técnicos
de maneira apropriada. Portanto, é apenas detalhe:
o sublide registra que o tumor já invadiu o intestino
"de fora para dentro". Como poderia ter invadido
"de dentro para fora"?
Eleições
1. Segundo a reportagem principal do Folha Eleições
(pág. A 10), Marta Suplicy pretende, em resposta à
sua queda nas pesquisas, "passar a responder" aos
ataques de Paulo Maluf. Como ela já vinha respondendo
e atacando um bocado, era necessário ser mais específico,
para que o leitor pudesse entender o que de fato vai mudar,
se é que vai mudar muita coisa.
2. Parece superficial, ou no mínimo incompleta,
a interpretação apresentada no abre da pág.
A 11: o PT teria caído em Curitiba e Recife devido
a "um certo clima de 'já ganhou'", que se
traduziu em "postura menos incisiva na propaganda eleitoral
e em debates". Seja lá o que os petistas tenham
feito de errado, basta conversar com o Datafolha para entender
que, depois da disparada inicial da oposição
nessas duas cidades, era bastante esperado um
refluxo das intenções de voto para patamares
mais próximos aos dos resultados do primeiro turno.
3. A Folha diz que Conde, também em queda
nas pesquisas, pretende reagir
tornando seu programa de TV "mais dinâmico".
Segundo o "Globo", a estratégia é
ter menos Garotinho na campanha.
4. Interessante a reportagem "Políticos
inventam nova forma de compra de votos" (pág.
A 12), enviada de Maceió.
Faltou
dizer
De acordo com a reportagem de capa de Cotidiano, mudanças
implementadas no site da Secretaria de Estado da Educação
permitirão aos pais de alunos da rede pública
"fiscalizar" as escolas de seus filhos. Quantas
famílias com crianças na rede pública
estão conectadas à Internet? Ainda que não
fosse possível informar um percentual, alguma idéia
o texto tinha de dar. Sem isso, e com tamanho destaque, a
matéria serve mais para promover o governo estadual.
Guia
da Mostra
Mais completo e bem acabado do que o similar oferecido pelo
"Estado"
anteontem, o guia da Mostra de Cinema de SP que a Folha
traz hoje tem, no
entanto, um problema de concepção.
É sabido que esse evento fica menos "alternativo"
a cada ano, servindo, em boa medida, para que as grandes distribuidoras
promovam filmes às vésperas
de estrear no circuito comercial.
É compreensível que o serviço do jornal
destaque essas fitas, mas seria importante que houvesse também
a preocupação de garimpar o que há de
bom entre as coisas que não irão depois para
os cinemas.
Comparativamente, o caderno tem muito pouco disso. Sua espinha
são os filmes que, como está avisado na última
página, logo mais entrarão em circuito. De minha
parte, tudo a favor de "Alta Fidelidade", mas para
ver o filme de Stephen Frears não é preciso
enfrentar as filas da mostra.
Leia críticas anteriores:
19/10/2000
18/10/2000
17/10/2000
16/10/2000
11/10/2000
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