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São
Paulo, 7 de fevereiro de 2001
RENATA LO PRETE
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Básico 1 -
O texto da manchete se estende pelos seis módulos da capa. Portanto, espaço não faltou. Apesar disso, não há uma única linha a indicar por que a produção industrial registrou, no ano passado, seu maior crescimento desde 1994. A deficiência da chamada tem origem na reportagem interna (pág. B10), pouco interpretativa.
Básico 2 -
Ao percorrer o volumoso material sobre as eleições na Câmara e no Senado, notei que nenhuma das edições recentes da Folha trouxe entrevista com Jefferson Péres. Com ou sem chance de vitória, o candidato da oposição à presidência do Senado deveria ser ouvido ao menos uma vez, de maneira alentada, pelo jornal.
Sem memória -
Que eu me lembre, a ação contra a MP dos Procuradores é o primeiro gesto do sempre dócil Geraldo Brindeiro de alguma forma desconfortável para o Planalto. Sem dúvida pesou a pressão da categoria, mas isso não retira o ineditismo da atitude do "engavetador-geral", que poderia ter sido observado na reportagem da pág. A4.
Sharon eleito -
A leitura dos últimos dias me deixou com muito boa impressão da cobertura da eleição em Israel feita pelo enviado especial da Folha. Dito o mais importante, apresento uma ressalva que me foi feita por um leitor atento do noticiário internacional. O jornal tem abusado do recurso do "pingue-pongue com um analista". Como ocorre hoje na pág. A9, publica-se uma entrevista com um nome pró-Israel e outra com um pró-palestinos. Às vezes funciona bem, mas essa não é a única nem necessariamente a melhor maneira de tornar a cobertura pluralista. O resultado pode ser mais rico quando o jornal ouve vários especialistas, não apenas "um de cada lado", e compõe seu próprio texto. O comentário, que me parece merecedor de reflexão, não diz respeito apenas ao assunto Oriente Médio.
Explicar melhor -
O lide da reportagem "Plano pode definir volta da caça à baleia" (pág. A12) registra que a prática está proibida no mundo desde 1986. Ao lado, no entanto, um quadro informa que as baleias minke são caçadas pelo Japão e pela Noruega. Ciência me explica que não há contradição entre texto e arte. O Japão alega que caça de forma restrita e exclusivamente para fins científicos. A Noruega simplesmente não respeita a determinação internacional. Seria bom que o esclarecimento tivesse constado da matéria.
Escondido -
A manchete de Cotidiano ("Grandes empresas param e afetam 1,5 mi") tem o velho defeito de omitir o elemento principal da notícia (ônibus). Ele não aparece nem mesmo no "chapéu", que é genérico ("transportes"). Dessa maneira, o enunciado perde força.
Berlim 2001 -
A reportagem de capa da Ilustrada informa que o Festival de Berlim, iniciado hoje, abriu mão este ano do ineditismo de seu cardápio. "'Traffic', de Steven Soderbergh, já estreou na Inglaterra." Não só na Inglaterra. É detalhe, mas o filme está em cartaz há semanas em circuito comercial nos EUA.
Teerã 200 - 1
Faltou uma boa limpeza de redator na texto "Festival do Irã recusa filmes premiados" (pág. E8). Enviado de Teerã por uma colaboradora eventual, o texto está um tanto fora do padrão da Folha. Entre outras deficiências, diz quando o evento começou mas não informa quando vai terminar. De acordo com a matéria, Reza Pahlevi foi "rei" do Irã. Não chega a merecer correção, mas o termo adequado é outro.
Leia
críticas anteriores:
07/02/2001
27/12/2000
20/12/2000
18/12/2000
14/12/2000
13/12/2000
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