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Quinta-feira, 8 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


Folha e "Globo" abrem com a batalha comercial-diplomática, embora o jornal do Rio mantenha, no alto da capa, sua "caixa" diária para Herbert Vianna. Os dois enunciados destacam a nota de recuo do Canadá; o concorrente a apresenta como consequência do protesto do Congresso brasileiro contra o boicote da carne. Também as manchetes de "Estado" e "JB" coincidem: ambas tratam dos cortes anunciados no Orçamento.

Câmara e Senado
1. "Eleição acirrada deixa plataformas de lado", diz o título principal do material sobre a corrida pelas presidências da Câmara e do Senado (pág. A6). O lide vai na mesma linha. É um pouco ingênua a sugestão de que alguém discutiria plataformas caso a disputa fosse menos acirrada. Simplesmente falaríamos menos da eleição. 2. No final do parágrafo está escrito que, "a julgar pelas propostas, as diferenças entre os candidatos são mínimas". Pensando em Jader Barbalho Jefferson Péres, a afirmação não é fácil de engolir. 3. Talvez minha dúvida se deva ao fato de que peguei o bonde andando, mas tenho a impressão de que o jornal ainda não explicou se o lançamento da candidatura do PT torna certa a realização de segundo turno na Câmara. 4. A reportagem "Bornhausen pode ser alternativa do PFL" (pág. A11) traz alguns números, mas talvez seja possível avaliar melhor, na edição de amanhã, o impacto que essa candidatura teria na eleição no Senado.

Eleição em Israel
"Sharon diz que Jerusalém é indivisível." Alçada à manchete de Mundo (pág. A11), a declaração ganha aparência de notícia. No entanto, em nada difere do que o premiê eleito sempre disse a respeito de Jerusalém. Sem dúvida merecia registro, mas para o título principal seria melhor ter buscado alguma novidade.

Amanhecido
É um tanto estranho encontrar na edição impressa de hoje um texto que está no ar desde anteontem na Folha Online. É o que ocorre com o comentário intitulado "Lucy era uma inglesa bem brasileira", sobre a mulher de Herbert Vianna (pág. C10).

Devagar com o andor
"A seleção é a consagração de qualquer treinador. O bom profissional não pode deixar de almejar isso." "O Corinthians foi o clube que me projetou para a seleção. É sempre uma força muito grande." A partir dessas declarações, Esporte concluiu, em título da edição de ontem, que "Luxemburgo vê time como trampolim para seleção". Como se vê, as frases do técnico são mais vagas e brandas do que a conclusão, mas é possível alegar que o enunciado foi "interpretativo". Hoje, no entanto, a reportagem de capa do caderno sobe um degrau e diz: "A declaração de que pretende usar o Corinthians como trampolim para voltar à seleção serviu para persuadir o grupo a se esforçar para evitar uma derrota (diante do Fluminense). Falso. Luxemburgo não "declarou" isso, para não falar no fato de que o "serviu para persuadir o grupo" encontra pouca sustentação no corpo da matéria. É a velha prática de "ajeitar" declarações para que caibam no que o jornal pretende dizer.

Atrapalhado
Anteontem, quando todos os jornais noticiaram a separação de Tom Cruise e Nicole Kidman, a Folha não deu uma linha sobre o assunto, como se fosse séria demais para registrar divórcios hollywoodianos. Hoje, em compensação, há notas sobre o ex-casal em Mundo (pág. A12) e na Ilustrada (pág. E7).


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