O fim-de-semana foi das fitas de "Veja", embora pareça pouco provável, nomomento, que o barulho seja suficiente para reverter o quadro na Câmara ouno Senado. De todo modo, material de maior impacto ninguém trouxe. Folha e"Globo" mantêm a eleição na manchete hoje. O "Estado", tão sem notíciaquanto os demais, abre com economia ("BC deve avaliar mais a situaçãointerna para definir política de juro"). E no "JB" o assunto é local("Crise habitacional no Rio atinge 1,5 milhão de pessoas").
Falta de assunto 1"PFL tenta adiar eleição; PMDB quer afastar ACM". A primeira frase damanchete destaca uma manobra que, segundo o próprio jornal informa no"Painel", não vai dar em nada (assim como tantas outras que consumirampapel e atenção nos últimos dias, vide o abre de página "Fogaça diz aJaderque não será candidato", na A5). A segunda frase da manchete relata algoque, além de ter chances igualmente remotas de se concretizar, já saiu naFolha.É impossível fazer jornal diário sem uma dose de repetição, mas o limitedorazoável foi ultrapassado faz tempo na cobertura da eleição para aspresidências da Câmara e do Senado.
Falta de assunto 2Foto de implosão é um dos itens mais batidos do cardápio das agênciasinternacionais. O jornal já publicou inúmeras, em nada diferentes dasequência que ocupa UM TERÇO da Primeira Página de hoje, mostrando adestruição de um edifício (estádio em Pittsburgh) sem nenhum significadopara o leitor da Folha.É bem possível que a imagem vá "bem no Datadia", e que então a Redaçãoconclua ter feito a escolha certa, como se tivesse sido oferecida aoleitoralguma alternativa do que enxergar na capa do jornal.
Sem DinheiroAo anunciar, na edição de ontem, o fim de Dinheiro às segundas-feiras, ojornal argumentou que "assim abre-se mais espaço para o Folhainvest". Pararespaldar essa linha de raciocínio, teria sido conveniente marcar amudançacom uma edição algo especial do caderno de finanças pessoais, querevelasseesforço editorial. No entanto, o que se vê hoje em número de módulos,pauta, apresentação visual etc. não é nada diferente do caderno da semanapassada, exceto pela incorporação das seções sobreviventes de Dinheiro.
Trocando as bolas 11. Tenho forte suspeita de que está invertida a foto do Rio de Janeiropublicada na pág. 2 de Turismo. Com o Cristo na posição em que está, apraia de Botafogo e a baía da Guanabara deveriam aparecer à esquerda, enãoà direita na imagem.2. Legenda de outra foto na mesma página diz que Carlos Heitor Cony estádiante da baía. O que aparece ali é a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Edição de domingo, 11 de fevereiro
Faltou pensarA edição de domingo é a mais elaborada da semana, certo? Como entãoexplicar a presença, no alto da Primeira Página, de um "indifoto" cujainformação ("Câmara Aécio Neves 48%; Senado Jader Barbalho 38%") érigorosamente a mesma que aparece, logo acima, na manchete do jornal("Jader tem 38% no Senado; na Câmara, Aécio lidera com 48%")?
Faltou dizerPara bem resumir a reportagem sobre a reforma do Copan (pág. C9), otexto-legenda da capa deveria ter mencionado que a obra marcará os 50 anosdo edifício.
A vaca exageradaTítulo na Primeira Página de sábado: "Governo diz que veto a boi cai 2ª".Lide da chamada: "O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério daAgricultura afirmou que o Canadá pode suspender na segunda o embargo àcarne brasileira". O que era possibilidade no texto virou certeza noenunciado.Título no alto da pág. B3 de ontem: "Governo admite que veto canadensepodenão acabar amanhã". O que era título forçado no sábado virou "recuo" dogoverno no domingo.
Trocando as bolas 2A capa do Mais! chama Saul Bellow de norte-americano. Não sei se ele senaturalizou, mas o escritor nasceu no Canadá.
Mais serviçoA seção "Os dez +" costuma trazer o serviço completo dos livros querecomenda (além de número de páginas, preço e editora, quase sempre hátelefone). Mas, pela segunda vez em pouco tempo, noto que no caso dediscosé indicado apenas o nome do selo. Seria bom fornecer pelo menos umtelefonede informações, porque não são discos que o leitor encontra comfacilidade.
Edição de sábado, 10 de fevereiro
Sinal ultrapassadoO texto da manchete do jornal ("Receita com IR de empresa sobe 20%")registra que "na opinião de Everardo Maciel, o crescimento pode estarrelacionado à nova lei que permite ao órgão acesso direto aos dadosbancários de todos os contribuintes".A reportagem interna (pág. B10) diz que "aparentemente, números assimexpressivos devem-se à regulamentação da lei que permite" etc. Título dareportagem: "Quebra de sigilo faz Receita bater recorde".Pode bem ter sido a quebra de sigilo, mas se o próprio Everardo, principalinteressado em difundir a tese, não viu condições para ser taxativo, ojornal deveria ter mostrado alguma cautela.
A vaca redundanteTítulo de arte na pág. B3: "Frigoríficos reduzem produção e dão fériascoletivas". Título de reportagem imediatamente abaixo: "Frigoríficos dãoférias coletivas". Sei que o relógio compromete o acabamento, mas valelembrar que estamos falando de edição São Paulo.
Ensinando erradoEntre as brincadeiras da Folhinha (pág. F7) há uma que pede paraidentificar o erro em um desenho do Sistema Solar. Na solução, o cadernoinforma que a ordem dos planetas está incorreta.Um professor da UnB observa que a ilustração contém outros errosgrosseiros, como o tamanho relativo de vários planetas e a colocação dosanéis de Saturno em Júpiter.
Leia críticas anteriores:
08/02/2001
07/02/2001