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Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


O fim-de-semana foi das fitas de "Veja", embora pareça pouco provável, no momento, que o barulho seja suficiente para reverter o quadro na Câmara ou no Senado. De todo modo, material de maior impacto ninguém trouxe. Folha e "Globo" mantêm a eleição na manchete hoje. O "Estado", tão sem notícia quanto os demais, abre com economia ("BC deve avaliar mais a situação interna para definir política de juro"). E no "JB" o assunto é local ("Crise habitacional no Rio atinge 1,5 milhão de pessoas").

Falta de assunto 1 "PFL tenta adiar eleição; PMDB quer afastar ACM". A primeira frase da manchete destaca uma manobra que, segundo o próprio jornal informa no "Painel", não vai dar em nada (assim como tantas outras que consumiram papel e atenção nos últimos dias, vide o abre de página "Fogaça diz aJader que não será candidato", na A5). A segunda frase da manchete relata algo que, além de ter chances igualmente remotas de se concretizar, já saiu na Folha. É impossível fazer jornal diário sem uma dose de repetição, mas o limitedo razoável foi ultrapassado faz tempo na cobertura da eleição para as presidências da Câmara e do Senado.

Falta de assunto 2 Foto de implosão é um dos itens mais batidos do cardápio das agências internacionais. O jornal já publicou inúmeras, em nada diferentes da sequência que ocupa UM TERÇO da Primeira Página de hoje, mostrando a destruição de um edifício (estádio em Pittsburgh) sem nenhum significado para o leitor da Folha. É bem possível que a imagem vá "bem no Datadia", e que então a Redação conclua ter feito a escolha certa, como se tivesse sido oferecida aoleitor alguma alternativa do que enxergar na capa do jornal.

Sem Dinheiro Ao anunciar, na edição de ontem, o fim de Dinheiro às segundas-feiras, o jornal argumentou que "assim abre-se mais espaço para o Folhainvest". Para respaldar essa linha de raciocínio, teria sido conveniente marcar amudança com uma edição algo especial do caderno de finanças pessoais, querevelasse esforço editorial. No entanto, o que se vê hoje em número de módulos, pauta, apresentação visual etc. não é nada diferente do caderno da semana passada, exceto pela incorporação das seções sobreviventes de Dinheiro.

Trocando as bolas 1 1. Tenho forte suspeita de que está invertida a foto do Rio de Janeiro publicada na pág. 2 de Turismo. Com o Cristo na posição em que está, a praia de Botafogo e a baía da Guanabara deveriam aparecer à esquerda, enão à direita na imagem. 2. Legenda de outra foto na mesma página diz que Carlos Heitor Cony está diante da baía. O que aparece ali é a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Edição de domingo, 11 de fevereiro

Faltou pensar A edição de domingo é a mais elaborada da semana, certo? Como então explicar a presença, no alto da Primeira Página, de um "indifoto" cuja informação ("Câmara Aécio Neves 48%; Senado Jader Barbalho 38%") é rigorosamente a mesma que aparece, logo acima, na manchete do jornal ("Jader tem 38% no Senado; na Câmara, Aécio lidera com 48%")?

Faltou dizer Para bem resumir a reportagem sobre a reforma do Copan (pág. C9), o texto-legenda da capa deveria ter mencionado que a obra marcará os 50 anos do edifício.

A vaca exagerada Título na Primeira Página de sábado: "Governo diz que veto a boi cai 2ª". Lide da chamada: "O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura afirmou que o Canadá pode suspender na segunda o embargo à carne brasileira". O que era possibilidade no texto virou certeza no enunciado. Título no alto da pág. B3 de ontem: "Governo admite que veto canadensepode não acabar amanhã". O que era título forçado no sábado virou "recuo" do governo no domingo.

Trocando as bolas 2 A capa do Mais! chama Saul Bellow de norte-americano. Não sei se ele se naturalizou, mas o escritor nasceu no Canadá.

Mais serviço A seção "Os dez +" costuma trazer o serviço completo dos livros que recomenda (além de número de páginas, preço e editora, quase sempre há telefone). Mas, pela segunda vez em pouco tempo, noto que no caso dediscos é indicado apenas o nome do selo. Seria bom fornecer pelo menos umtelefone de informações, porque não são discos que o leitor encontra comfacilidade.

Edição de sábado, 10 de fevereiro

Sinal ultrapassado O texto da manchete do jornal ("Receita com IR de empresa sobe 20%") registra que "na opinião de Everardo Maciel, o crescimento pode estar relacionado à nova lei que permite ao órgão acesso direto aos dados bancários de todos os contribuintes". A reportagem interna (pág. B10) diz que "aparentemente, números assim expressivos devem-se à regulamentação da lei que permite" etc. Título da reportagem: "Quebra de sigilo faz Receita bater recorde". Pode bem ter sido a quebra de sigilo, mas se o próprio Everardo, principal interessado em difundir a tese, não viu condições para ser taxativo, o jornal deveria ter mostrado alguma cautela.

A vaca redundante Título de arte na pág. B3: "Frigoríficos reduzem produção e dão férias coletivas". Título de reportagem imediatamente abaixo: "Frigoríficos dão férias coletivas". Sei que o relógio compromete o acabamento, mas vale lembrar que estamos falando de edição São Paulo.

Ensinando errado Entre as brincadeiras da Folhinha (pág. F7) há uma que pede para identificar o erro em um desenho do Sistema Solar. Na solução, o caderno informa que a ordem dos planetas está incorreta. Um professor da UnB observa que a ilustração contém outros erros grosseiros, como o tamanho relativo de vários planetas e a colocação dos anéis de Saturno em Júpiter.

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