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Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


Amanhã e depois as manchetes deverão voltar para a novela no Congresso, mas hoje cada um atira para um lado. O "Estado" abre com o anúncio governamental da ampliação do bolsa-escola. A Folha, com o efeito da inadimplência sobre os juros do varejo. O "Globo", com Canadá ("Brasil pára de importar US$ 200 milhões"). O "JB" traz um balanço da apreensão de armas no Rio, e, assim como o "Estado", compensa o pouco destaque dado ontem ao Genoma com uma caixa sobre o assunto no alto da capa.

Contar melhor - 1. Texto-legenda no alto da Primeira Página informa que os favelados protestaram "contra o sumiço de homem baleado socorrido pela polícia". No caso, "levado" teria sido melhor do que "socorrido" porque, de acordo com a reportagem interna (pág. C6), existe a possibilidade de o homem ter sido atingido pela própria polícia. 2. "Moradores de uma favela de São Paulo bloquearam duas pistas da marginal Tietê e enfrentaram a tropa de choque em protesto" etc. Assim começa o texto de Cotidiano. Apenas no sétimo parágrafo é dito qual é a favela e onde fica (estamos falando da edição que circula na cidade). O fato de haver um mapa na página não elimina a obrigação de informar o básico no lide.

Estica-e-puxa - É claro que a Folha tem de acompanhar bem as eleições na Câmara e no Senado, mas qualquer um que se dê ao trabalho de ler a cobertura extensivamente percebe que o jornal está enchendo linguiça. Na edição de hoje, nem de longe há notícia suficiente para sustentar os quatro abres de página dedicados ao assunto (A4 a A7). São vários tipos de enrolação: 1. Mesma informação em textos diferentes. A nota "Sacrifício doméstico", do "Painel", diz o mesmo que o abre da página A7 ("Pefelistas podem optar por solução caseira"). A nota "Antes tarde..." redunda com o que é relatado na matéria "FHC não dá aval à articulação do PFL" (pág. A7). 2. Informação repetida no mesmo texto. O lide da matéria "FHC não dá aval..." diz que "a fita com neopeemedebistas sugerindo vantagens econômicas para ingressar no partido deu (a FHC) mais motivos para manter a neutralidade oficial na disputa". DOIS parágrafos adiante está escrito que "para o governo, o acirramento da disputa, cujo último lance foi a gravação mostrando deputados sugerindo que trataram de vantagens econômicas para trocar o PFL pelo PMDB, serve de pretexto para afastar FHC ainda mais das batalhas entre o PFL e a aliança PMDB-PSDB". 3. Entusiasmo com novidades que o jornal está cansado de saber que não darão em nada. É o caso da manchete de ontem ("PFL tenta adiar eleição; PMDB quer afastar ACM"). Dúvida: o abre da pág. A6 diz que "nas contas do PFL, Fogaça poderia chegar aos 40 votos, contra os 35 esperados para um nome do próprio partido". 35 para um nome do PFL? Não bate com as contas que o jornal publicou antes.

Trocando as letras - A cidade de Vladivostok aparece como "Valdivostok" na matéria "Corrupção tira aquecimento de russos no pior inverno em 50 anos" (pág. A10).

Outras palavras - Segundo a matéria "Partidos de Sharon e Barak fazem acordo" (pág. A11), o premiê eleito "precisa superar suas diferenças em relação às propostas de paz dos trabalhistas para formar um governo até o fim de março e evitar eleições gerais". Não é assim. Sharon vem de uma vitória para lá de convincente nas urnas. Por mais complicado que seja o xadrez da formação de seu governo, as propostas de paz dos trabalhistas não vão predominar neste momento.

Diário oficial - Está bem que o jornal cuidou de incluir, no noticiário sobre a ampliação do bolsa-escola, uma retranca mostrando o uso eleitoral que será feito do cartão magnético com os símbolos do governo FHC e do MEC. O texto principal de Cotidiano, no entanto, segue o padrão de todos os anúncios nessa área. Um trecho que diz tudo: "Até o final de 2000, o MEC não pretendia incluir cidades maiores. Mas o ministério descobriu que haveria recursos para todos". Para não dizer que o governo federal é o único agraciado com esse gênero de matéria, tem exatamente o mesmo tom o abre da pág. C3 ("Prefeitura quer fundo único contra pobreza"). Neste caso, nem mesmo são favas contadas. "A prefeitura pretende", "Márcio Pochmann disse que a intenção é" etc. A Folha não dizia (pág. 42 do "Manual") que projeto oficial é algo a ser noticiado com distanciamento e algum senso crítico?

Em tempo - 1. Um surfista me procura para dizer que a onda mostrada na capa do Folhateen é do Taiti, não do Havaí, como informou a legenda. 2. Outro leitor observa que o fundo Bradesco FAQ Macro foi classificado como de alto risco na pág. B4 do Folhainvest de ontem e como de baixíssimo risco na pág. B7 da mesma edição. 3. A editora 7 Letras avisa que está desatualizado o seu telefone publicado, no sábado, em texto sobre o livro "No shopping". Os números corretos são (21) 540-0037 e 540-0130.

A crítica interna é de responsabilidade da ombudsman Renata Lo Prete. Circula diariamente na Redação da Folha e na Empresa Folha da Manhã S.A.

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