SP x PCC
1. A Folha continua atrasada no que diz respeito a envolver Brasília nessa
história. Hoje, além da obrigatória nota do Planalto (pé da pág. C5), a
edição tem apenas uma versão mais fraca (pág. C6) da matéria que o "Estado"
trouxe ontem sobre o dinheiro que o governo federal deixou de gastar no
sistema penitenciário. No "Globo", um abre de página (8) informa que o
Departamento Penitenciário Nacional está com diretor provisório há dois
meses.
2. Onde está Geraldo Alckmin? Trata-se da primeira grande crise enfrentada
pelo governador interino e não há uma linha sobre ele na edição de hoje,
como se o jornal achasse que uma encrenca desse tamanho pudesse ser
reportada apenas com declarações do secretariado. Alckmin aparece no
"Globo" (pág. 8) defendendo a política de segurança do governo estadual. O
"Valor" (pág. A5) especula sobre possíveis efeitos políticos do episódio.
3. Folha e "Estado" divergem quanto ao número de rebelados e a fatia que
representam do total da população dos presídios. A primeira fala em "28 mil
detentos envolvidos, a metade das 60 mil pessoas condenadas que cumprem
pena em São Paulo". O concorrente registra "a participação de 23.500 presos
(25% da população carcerária do Estado)". Entendo que "população
carcerária" pode ser um universo maior que o de "condenados que cumprem
pena", mas quem está mais próximo da verdade?
4. "Sombra diz que vai comemorar a liberdade". "'Vou comer caviar e beber
champanhe', afirmou principal liderança do PCC antes de ser transferido do
Carandiru para Taubaté." O título e o sobretítulo que abrem a pág. C5
induzem o leitor a uma conclusão equivocada. O verbo do enunciado no
presente e o "antes de ser transferido para Taubaté" deixam a impressão de
que as declarações são do momento, como o suposto "vou virar o sistema"
registrado na edição de ontem. Na verdade, trata-se de entrevista publicada
pelo "Agora" em 22 de janeiro.
5. Por falar em PCC, o organograma apresentado pelo "Agora" está mais
detalhado que o da Folha (pág. C4).
6. Ainda o PCC. O "Globo" traz história que não vi em outro lugar, segundo
a qual a "multirrebelião" teria sido organizada a partir de Porto Alegre,
onde estão presos os chefes "Geleião" e "Marcola". "Eles têm total domínio
sobre o Sombra", disse ao jornal um ex-detento que preside uma ONG
prestadora de assessoria jurídica aos presos (pág. 9).
7. Ponto para o "Painel" por deixar em segundo plano a novela sucessória e
dedicar as notas de abertura às rebeliões de São Paulo.
8. Detalhe de acabamento. Se a legenda do quadro na pág. C3 indica que os
números da coluna da esquerda são de "rebelados", para que repetir esta
palavra dezenas de vezes, em cada um dos presídios citados?
9. Detalhe de texto. "Todos os pesquisadores ouvidos pela Folha foram
unânimes em afirmar que a formação de grupos acontece em qualquer sistema
penitenciário do mundo" (pág. C5). O "todos" dispensa o "unânimes", e
vice-versa.
Leia críticas anteriores:
19/02/2001
16/02/2001
15/02/2001
13/02/2001
12/02/2001
09/02/2001
08/02/2001
07/02/2001