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Crítica diária

Terça-feira, 20 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


SP x PCC

1. A Folha continua atrasada no que diz respeito a envolver Brasília nessa história. Hoje, além da obrigatória nota do Planalto (pé da pág. C5), a edição tem apenas uma versão mais fraca (pág. C6) da matéria que o "Estado" trouxe ontem sobre o dinheiro que o governo federal deixou de gastar no sistema penitenciário. No "Globo", um abre de página (8) informa que o Departamento Penitenciário Nacional está com diretor provisório há dois meses.

2. Onde está Geraldo Alckmin? Trata-se da primeira grande crise enfrentada pelo governador interino e não há uma linha sobre ele na edição de hoje, como se o jornal achasse que uma encrenca desse tamanho pudesse ser reportada apenas com declarações do secretariado. Alckmin aparece no "Globo" (pág. 8) defendendo a política de segurança do governo estadual. O "Valor" (pág. A5) especula sobre possíveis efeitos políticos do episódio.

3. Folha e "Estado" divergem quanto ao número de rebelados e a fatia que representam do total da população dos presídios. A primeira fala em "28 mil detentos envolvidos, a metade das 60 mil pessoas condenadas que cumprem pena em São Paulo". O concorrente registra "a participação de 23.500 presos (25% da população carcerária do Estado)". Entendo que "população carcerária" pode ser um universo maior que o de "condenados que cumprem pena", mas quem está mais próximo da verdade?

4. "Sombra diz que vai comemorar a liberdade". "'Vou comer caviar e beber champanhe', afirmou principal liderança do PCC antes de ser transferido do Carandiru para Taubaté." O título e o sobretítulo que abrem a pág. C5 induzem o leitor a uma conclusão equivocada. O verbo do enunciado no presente e o "antes de ser transferido para Taubaté" deixam a impressão de que as declarações são do momento, como o suposto "vou virar o sistema" registrado na edição de ontem. Na verdade, trata-se de entrevista publicada pelo "Agora" em 22 de janeiro.

5. Por falar em PCC, o organograma apresentado pelo "Agora" está mais detalhado que o da Folha (pág. C4).

6. Ainda o PCC. O "Globo" traz história que não vi em outro lugar, segundo a qual a "multirrebelião" teria sido organizada a partir de Porto Alegre, onde estão presos os chefes "Geleião" e "Marcola". "Eles têm total domínio sobre o Sombra", disse ao jornal um ex-detento que preside uma ONG prestadora de assessoria jurídica aos presos (pág. 9).

7. Ponto para o "Painel" por deixar em segundo plano a novela sucessória e dedicar as notas de abertura às rebeliões de São Paulo.

8. Detalhe de acabamento. Se a legenda do quadro na pág. C3 indica que os números da coluna da esquerda são de "rebelados", para que repetir esta palavra dezenas de vezes, em cada um dos presídios citados?

9. Detalhe de texto. "Todos os pesquisadores ouvidos pela Folha foram unânimes em afirmar que a formação de grupos acontece em qualquer sistema penitenciário do mundo" (pág. C5). O "todos" dispensa o "unânimes", e vice-versa.

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