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Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


Tudo é denúncia

A Folha já foi mais cautelosa no uso da palavra "denúncia". Mas, com o faroeste em curso no Congresso, o jornal aderiu à ausência de critérios dominante na imprensa. Ontem, um quadro em Brasil (pág. A5) tinha como título "As denúncias de ACM/as denúncias de Renan Calheiros". Hoje, reportagem na pág. A4 diz que o procurador-geral da República "mandou arquivar as denúncias apresentadas por ACM". São acusações, não denúncias. Quem tiver dúvida pode conferir o verbete na pág. 157 do novo "Manual".

SP x PCC
1. "PCC negocia trégua de 90 dias com juiz." Ainda que negocie, não foi feliz a escolha de título da Primeira Página, se levarmos em conta que a capa deve ter a preocupação de sinalizar o rumo provável do noticiário. No próprio texto da chamada, Geraldo Alckmin diz que "não existe hipótese" de o governo aceitar a condição imposta para a "trégua" (transferência de presos da Casa de Custódia de Taubaté). Além disso, a palavra não combina com a eclosão de um novo motim em São José do Rio Preto, nem com a possibilidade de surpresas durante o Carnaval.

2. O "Jornal da Tarde" publica uma carta assinada por "Sombra" e outros 13 integrantes do PCC (pág. 13A). O texto cobra o cumprimento de supostas promessas do secretário da Administração Penitenciária ao grupo, e teria chegado às mãos de Nagashi Furukawa dias antes do levante de domingo. Vai se complicando a situação do secretário. Primeiro, na versão oficial, o PCC não existia. Depois existia, mas o governo jamais havia negociado com o grupo. Agora essa carta por ser esclarecida. É uma vertente do caso em que a Folha precisa entrar.

3. Está boa a entrevista com Evandro Lins e Silva (pág. C6). No entanto, por mais autorizada que seja a opinião do criminalista, o jornal deve ter a preocupação de dar espaço, nos próximos dias, a pontos de vista diferentes do dele, dada a complexidade do tema.

4. "Motim de presos em Pirajuí acaba com três feridos e um decapitado" (pág. C4). Pela ordem de gravidade, o decapitado deveria vir antes dos feridos no enunciado.

5. Alguém cochilou no fechamento do "Estado", como indica o título que abre a pág. C2: "Violência em Pirajuí surpreende por violência".

Outras palavras
"Brasil pedirá 'panel' contra Canadá" (pág. B6). Entendo que "comissão de arbitragem" tem um número inviável de toques, mas isso é problema para ser resolvido no fechamento. "Panel" não é termo que se use em título da Folha.

Marola
"Luxemburgo se contradiz ao festejar decisão judicial", diz o título que abre a pág. D5. Certo de que encontrará alguma novidade sobre as acusações enfrentadas pelo técnico, o leitor vai à reportagem e descobre que a "contradição" é a seguinte: ao assumir o Corinthians, Luxemburgo havia dito que não falaria mais sobre seus problemas com a Justiça; ontem, no entanto, deu declaração comemorando uma vitória parcial contra a ex-secretária Renata. "O técnico mostrou incoerência", afirma o lide. E a Folha mostrou que não tinha o que dizer.

Disfarce
A nota "Elle fica", da coluna de Mônica Bergamo, desautoriza informação anteriormente publicada no mesmo espaço, segundo a qual a revista da editora Abril deixaria de circular até o final deste ano. Por que fingir que se trata de notícia, em vez de esclarecer ao leitor que o jornal errou?

Sem novidade
A nota "Nobel da Paz 2001", da seção "Coluna Social" (pág. 8 do caderno Equilíbrio), apresenta como novidade uma informação que já saiu, com destaque, na Folha e em todos os jornais (a indicação oficial da Pstoral da Criança para concorrer ao prêmio).

Esclarecimento
A editora da Folhinha, Mônica Rodrigues da Costa, explica que não houve falha na resposta da brincadeira "Descubra o que há de errado com este esquema do Sistema Solar" (10/02), diferentemente do que afirmou um leitor em mensagem registrada na crítica interna. Agradeço pelo esclarecimento, que será transmitido ao leitor. Tanto o desenho quanto o texto da solução apresentados no caderno ficam mais claros depois das explicações que recebi da editora.

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