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Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001

RENATA LO PRETE


Todos contra ACM

1. O texto da manchete desrespeita determinação do "Manual", mantida na nova edição (pág. 42): "A Folha cita nominalmente o veículo de comunicação que tenha dado um furo importante". Falta menção à "Isto É" na capa do jornal.

2. Há sinais de desorganização e prioridades equivocadas em Brasil. Um exemplo é o pouco destaque dado à manifestação do comando do PFL contra ACM (pág. A7), sem dúvida um dos movimentos mais relevantes entre os que se seguiram à divulgação da conversa do senador com os procuradores. A reação de Jorge Bornhausen deveria estar em abre de página (basta percorrer a edição para constatar que havia meio de fazê-lo). E, se o jornal reproduz até a carta de protesto do governador Siqueira Campos, deveria ter publicado a íntegra da nota de Bornhausen, como faz o "Globo" (pág. 5). Para completar, a resposta de ACM está três páginas distante (A4) do ralho do presidente do partido.

3. Outro exemplo. A matéria "Permanência no cargo depende de FHC, dizem ministros", com declarações de Rodolpho Tourinho e Waldeck Ornélas (pág. A6), é uma obviedade que poderia ter sido incorporada à reportagem "FHC adia reação, mas decide demitir os ministros do PFL", na página anterior. Em vez disso, "Permanência no cargo depende" etc. aparece acima da encrenca entre os procuradores, outro aspecto do caso que merecia mais visibilidade.

4. Mais um exemplo, este de desorganização. Não há lógica em "Ministros do STF negam acusações" ser box de "Estevão pedirá anulação de cassação" (pág. A7).

5. Por falar em procuradores, é difícil de acreditar na versão apresentada pela Folha, segundo a qual, no meio da conversa com ACM, "Luiz Francisco deixou a sala da reunião para pegar o gravador em seu gabinete". Além de lhe faltar sentido, ela foi contestada por dois jornalistas, ambos próximos do caso, com quem conversei esta manhã. Também no Ministério Público se diz que não foi esse o procedimento da gravação.

6. ACM disparou para todos os lados, certo? Então a concepção visual do quadro que o "Globo" traz com declarações dele (pág. 3) é muito mais eficiente que a do similar da Folha (pág. A4).

7. Ainda sobre artes, é uma confusão a que está na pág. A7. Seu título ("Notas repudiando as acusações de ACM") não corresponde exatamente ao que se encontra abaixo. A primeira nota é a da assessoria do senador, contestando o conteúdo da reportagem. A segunda é a dos procuradores, desautorizando a divulgação da conversa. Em seguida vem a nota do procurador-geral da República, esta sim de repúdio, mas, à diferença das demais incluídas no quadro, não tem legenda.

8. A edição está fraca de fotos. Tanto a imagem de Luiz Francisco (pág. A6) quanto a de senadora Heloísa Helena têm similares bem melhores nos concorrentes (a do procurador está na pág. A4 do "Estado"; a da senadora petista, na capa do "Globo").

2 x Tom Zé
A reportagem "Deu a louca no Carnaval?", na capa da Ilustrada, destaca no "olho" que Tom Zé estará no trio elétrico de Daniela Mercury em Salvador. Idêntica informação é tema de uma das notas da coluna de Mônica Bergamo, na página seguinte.

Ainda que os fechamentos independentes dificultem a identificação prévia de um ou outro caso de redundância, é demais repetir na coluna o que está na capa do caderno.

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