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Crítica diária

Quinta-feira, 01 de março de 2001

RENATA LO PRETE


Luiz Francisco

1. É superficial e crédula a reportagem da Folha sobre as explicações fornecidas por Luiz Francisco para a gravação e divulgação de sua conversa com Antonio Carlos Magalhães (pág. A7). Não se trata de perseguir o procurador, ou mesmo de julgá-lo no texto noticioso, mas simplesmente de apontar as incongruências da história contada por ele, visíveis para qualquer um que tenha acompanhado a entrevista coletiva ontem e apresentadas com clareza na matéria do "Globo" (pág. 3). O jornal não pode transmitir ao leitor a impressão de que deixa Luiz Francisco passar sem questionamento na esperança de se beneficiar de seus vazamentos.

2. Exemplo. No texto da Folha, só no penúltimo parágrafo é mencionada a rocambolesca passagem da destruição das fitas "com o pé, trincando o invólucro plástico, deixando os restos no chão para serem jogados no lixo".

3. Outro. De acordo com o concorrente, um "relatório do procurador-chefe do Distrito Federal informa que partes do diálogo publicado pela 'IstoÉ' são incompatíveis com a realidade". Procede? A Folha não registra essa versão, que contraria a de Luiz Francisco (ontem já havia matéria nessa linha no "Jornal do Brasil").

4. Apesar da entrevista ocorrida ontem, a Folha traz foto de arquivo do procurador, à diferença do que se vê nos concorrentes (o "Globo" tem ótima imagem dele descendo uma escada em caracol na sede da Procuradoria).

5. Aliás, apenas as fotos vindas do Incor não são de arquivo hoje em Brasil. É falha que tem sido recorrente. Merece exame da Redação.

Só para caber
"Começa tentativa de impeachment a Lerner". Bem esquisito, se é que não está errado mesmo, o uso de "a" em substituição a "de" neste título da pág. A5.

Efeito e causa
Está errada a ordenação das cenas do "storyboard" que ilustra a reportagem "Gangue invade casas em Perdizes e fere um" (pág. C4). O primeiro quadro mostra o engenheiro Percival Baier assustado com o barulho de um disparo. No segundo os assaltantes atiram no cachorro. Deveria ser o contrário.

Tudo de novo
1. Embora seja oferecida uma explicação plausível para o título "Ou vai ou racha" ("No último ano de seu contrato com a Ferrari, Barrichello precisa de resultados para renovar o acordo com a escuderia"), não há como escapar à constatação de que esse tem sido o mote de todos os cadernos anuais de apresentação da temporada de F-1. Primeiro era "ou vai ou racha" porque o piloto tinha diante de si o desafio de seguir as pegadas de Senna. Depois de vários insucessos, "ou vai ou racha" de novo porque finalmente ele teria a oportunidade de competir em uma equipe de primeira linha. Agora é a necessidade de mostrar resultados. Mudam as alegações, mas a conversa do jornal é sempre a mesma.

2. O item mais interessante do caderno é a arte que ocupa as páginas centrais ("Desconstruindo a Ferrari"), idéia e realização acima da média da infografia do jornal. Destaque para a opção de apresentar, em cada item do quadro, três versões de legenda (respectivamente para leitores aficionados, interessados e ignorantes em F-1).

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