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Sexta-feira, 05 de março de 2001
RENATA LO PRETE
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Jader e o relatório
1. O caso do Banco do Estado do Pará voltou à tona antes do Carnaval, pelas
mãos do "Valor". Se não me engano, no mesmo dia em que "IstoÉ" colocou na
Internet a conversa de ACM com os procuradores. Demorou mais de uma semana
para a Folha entrar no assunto (apesar de alerta na coluna de Janio de
Freitas), e só ontem o jornal conseguiu reunir informação suficiente para
levá-lo à Primeira Página. Nessa reportagem, Jader Barbalho deixou sem
resposta as suspeitas de desvio de dinheiro levantadas contra ele e
familiares no relatório do Banco Central. "O presidente do Congresso
preferiu não receber a Folha para comentar o assunto." Ótimo. Ontem o
presidente do Congresso recebeu a Folha, e o que o jornal fez? Uma
submanchete e um abre de página (A5) exclusivamente dedicados a ataques de
Jader contra ACM, em nada diferentes da munição que os dois trocam há
meses. As deslizantes explicações de Jader sobre a encrenca Banpará estão
confinadas em um box e não são mencionadas na chamada de capa, como se a
matéria de ontem não tivesse existido.
2. Enquanto isso, o "Valor" reproduz um dos cheques que constam do
relatório, "o primeiro documento a vincular a movimentação financeira do
presidente do Senado a aplicações de renda fixa que se utilizaram de
recursos desviados do banco" (pág. A6).
3. A reportagem de "Veja" (págs. 48 e 49) tem detalhes que ajudam a
entender o processo de hibernação dos diferentes relatórios produzidos pelo
BC sobre o caso, e como o Planalto vem se utilizando desse material em seu
relacionamento com o PMDB.
4. É uma história explosiva, que a imprensa cobre de acordo com interesses
bem definidos. Quem tem como prioridade pegar ACM ("Isto É" é o exemplo
mais vistoso) não se interessa pelo escândalo Banpará. Em tese, a Folha não
trabalha com esse gênero de amarra, mas nesta cobertura está devendo serviço.
Leva e traz
Título na Primeira Página: "Quaresma traz tapetes floridos à Guatemala".
Não seria melhor "leva"? Nem o redator estava na Guatemala quando fez o
título, nem a Folha circula nesse país.
É preciso comparar
"640 mil litros de óleo atingem Santos", diz o título que abre a pág. C4. É
muito? Mais ou menos do que outros vazamentos recentes? A reportagem não dá
nenhuma indicação.
Só para fechar 1
Está bem dar uma foto generosa de Fernanda Torres e Debora Bloch, na coluna
de Mônica Bergamo, a propósito da estréia de "Duas Mulheres e um Cadáver"
em São Paulo. Mas dar duas fotos da mesma série, sem nenhum acréscimo de
informação, é passar da medida. A impressão de que a segunda imagem está
ali apenas para preencher espaço é reforçada pela diagramação, que a deixou
separada do texto-legenda.
Edição de domingo, 4 de março
Só para fechar 2
1. O texto que acompanha as listas de livros mais vendidos (pág. 22 do
Mais!) não diz praticamente nada que o leitor não possa descobrir sozinho,
consultando os quadros. Ou se usa a matéria para oferecer informação
complementar, ou é melhor eliminá-la, ocupando o espaço de outra forma.
2. Legenda da foto que ilustra esse material: "cena da minissérie 'Os
Maias', que está sendo exibida pela TV Globo". Além do "está sendo", há as
perguntas: que cena? que personagens? que atores? Assim como outras falhas
de acabamento, a pobreza das legendas do jornal é ainda mais difícil de
engolir nos cadernos semanais.
Mais serviço
Falta um "olho" no serviço "Úteis e Fúteis", da Revista da Folha. A
ausência de uma introdução deixou as páginas (20 e 21) com aparência de
anúncio. Faltaram também indicações de onde encontrar algumas das sandálias
recomendadas. Há itens que não trazem nomes de lojas.
Edição de sábado, 3 de março
Apostas
A chamada da Primeira Página cita um único nome como provável substituto de
José Luis Machinea no Ministério da Economia: Chrystian Colombo, chefe de
gabinete do presidente argentino. O texto equivalente do "Estado" menciona,
pela ordem, Ricardo López Murphy, que veio a ser indicado para o cargo, e
Colombo.
A reportagem na capa de Dinheiro relaciona entre os cotados o ex-ministro
Domingo Cavallo. O texto equivalente do "Estado" (pág. B12) descarta
Cavallo para a Economia, apresentando-o como opção para o Banco Central.
Quem diz o quê
Trecho da reportagem "Perito confirma que voz é de senador da BA" (pág.
A5): "Molina confirma a versão de Luiz Francisco", segundo a qual "ACM
indica uma forma de chegar a FHC por meio de quebra de sigilos
telefônicos". Sigilos "bancários" foi o que saiu na primeira transcrição da
"IstoÉ", um tanto recauchutada na edição desta semana (não que isso seja
reconhecido pela revista).
É detalhe, mas serve para mostrar que nem o jornal tem clareza sobre quem
diz o quê na histórias das fitas. Imagine o leitor. Seria oportuno
produzir um material de apoio que apresentasse lado a lado as diferentes
versões dos procuradores, a do senador e a da revista.
Piloto automático
Como já havia ocorrido na chuva do sábado de Carnaval, faltou à Folha
sensibilidade para perceber que os estragos de sexta-feira passada
superaram o patamar já incorporado à vida do paulistano, aproximando-se do
universo do leitor do jornal.
O caráter atípico do que aconteceu, bem captado pela coluna "São Paulo" de
ontem, passou despercebido na edição de sábado, em tudo enquadrada à
fórmula-padrão de cobertura de chuvas. Começou no título da Primeira Página
("Duas mulheres morrem em temporal em SP"). E continuou no texto de
Cotidiano, que trouxe a mistura habitual de número de pontos de alagamento,
extensão dos congestionamentos e volume de precipitação. Da mulher morta na
avenida Pompéia não havia nem o nome, muito menos algum relato das cenas
impressionantes que o "Cidade Alerta" exibiu.
Descontado um erro de informação no enunciado interno, o "Estado", já a
partir de seu título de capa ("Idosa afoga-se em enxurrada na avenida
Pompéia"), mostrou maior sintonia com a notícia.
Leia críticas anteriores:
01/03/2001
28/02/2001
27/02/2001
26/02/2001
25/02/2001
24/02/2001
23/02/2001
22/02/2001
21/02/2001
20/02/2001
19/02/2001
16/02/2001
15/02/2001
13/02/2001
12/02/2001
09/02/2001
08/02/2001
07/02/2001
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