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Crítica diária

08 de março de 2001


RENATA LO PRETE


O enterro

1. Na terça foi a entrevista com Covas. Ontem, o pingue-pongue com Fernando Henrique. Hoje o "Estado" traz artigo assinado por Geraldo Alckmin (o texto em si não impressiona, mas trata-se do novo governador, o personagem da hora). A comparação é amarga para a Folha.

2. Na pág. A-7 há um artigo interessante de Renato Mezan analisando as razões da comoção popular em torno da morte de Covas. O texto torna um tanto dispensável a matéria "Luto coletivo permite tristeza sem censura" (pág. C-10), na qual um punhado de psicólogos desfia as obviedades de praxe nessas ocasiões: "A morte é um evento maior e tem o poder de alterar o cotidiano"; "Ídolo é alguém que carrega muito da nossa fantasia" etc. Além da redundância existe o problema de organização: não há lógica em editar em lugares diferentes do jornal itens que tratam do mesmo aspecto do caso.

3. Tendo a achar que falta um título para FHC (não me refiro ao box com a íntegra de seu discurso) na edição de Brasil.

Mais encrenca

A coluna de Danuza Leão ("JB") traz declaração de Ciro Gomes, supostamente feita ontem em São Paulo, que não vi registrada em outros jornais: "É preciso apurar as denúncias de ACM, independentemente da motivação do senador. Não podem pairar dúvidas sobre figuras importantes do Legislativo e do Executivo. Se o PPS não pensa assim, vai ter de pensar."

De olho no manual

Segundo a primeira nota do "Erramos", o Equilíbrio mencionou incorretamente que Maria Antonieta foi "esposa" de Luís 14 (seu marido foi Luís 16). É provável que não exista padronização de estilo da Folha mais conhecida entre jornalistas do que a recomendação para não usar "esposo" e "esposa" (mantida no novo "Manual", pág. 66).

No caso, importa menos o deslize em si e mais o fato de ele ocorrer em uma seção encarregada de zelar pela correção e pela obediência às normas do jornal.

Piloto automático

A Primeira Página tem chamada para a chacina na loja de celulares. Cotidiano dedica abre de página ao caso. À primeira vista, portanto, "demos bem". Quem se dispuser a comparar as reportagens de Folha e "Estado" constatará que isso não é verdade.

Não me refiro ao fato de o concorrente ter colocado as seis mortes na capa de seu caderno de cidades. A entrevista exclusiva em que o presidente da Febem reconhece a prática de tortura na entidade mais do que merece a capa de Cotidiano.

Refiro-me à forma de relatar a notícia. Compare os lides. Folha (pág. C-9): "Seis pessoas morreram assassinadas dentro de uma loja de assistência técnica para celulares em São Paulo, na maior chacina do ano no Estado". Concorrente: "Ao contrário das chacinas normalmente registradas em São Paulo, desta vez o crime não aconteceu em favela ou bar de área pobre, durante a madrugada. Entre 17h e 18h de ontem, seis pessoas foram assassinadas numa loja de celulares na rua Clélia, 2.138, na Lapa. Apesar de lugar e horário 'incomuns', a lei do silêncio é a mesma da periferia. Com medo, moradores da região dizem que não sabem de nada".

A Folha retira do freezer o velho quadro "Chacinas no município de São Paulo", com evolução do números de casos, percentual de crimes esclarecidos etc. O "Estado" traz um pequeno mapa para localizar a loja na rua Clélia e esta no conhecido e movimentado bairro da Lapa.

Como no caso das chuvas recentes, faltou sensibilidade para perceber e/ou capacidade para mostrar que a notícia não cabia na fórmula tradicionalmente usada pelo jornal para tratar de chacinas.

Sintonia fina

"Zilda Arns é idolatrada por pelo menos 1 milhão de pessoas assistidas pela Pastoral da Criança no país", diz a introdução de entrevista com a médica na pág. C-10. Zilda Arns merece crédito, elogios e o Nobel que querem lhe dar. Mas "idolatrada por pelo menos 1 milhão" é maneira um tanto exagerada de dizer.

Sem novidade

É positivo que a coluna social da Ilustrada trate, entre outros assuntos, de bastidores da política. Cabe lembrar que Mônica Bergamo foi responsável por bons furos nessa área.

Mas é preciso ter cuidado para não apresentar nesse espaço, como novidade, informações velhas, já registradas no primeiro caderno e nos concorrentes. É exatamente o que acontece hoje com as notas "Cautela" (sobre o que deve acontecer entre ACM e o PFL na reunião marcada para hoje) e "Cotado" (sobre as chances de Pimenta da Veiga na disputa pela presidência do PSDB), respectivamente a segunda e a terceira da seção.

De lascar

Alerta de um leitor para manchete da página de Ciência da Folha Online de hoje: "Proteína assossiada ao mal da vaca louca pode se modificar".

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