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Crítica diária

12 de março de 2001


BERNARDO AJZENBERG


Colegas da Redação,
Destaco na abertura de minha primeira crítica interna princípios ligados à função do ombudsman. Afirma o Manual da Redação (nova edição):

"A Folha aconselha a seus profissionais que se critiquem uns aos outros, de maneira franca e pertinente, e que se aconselhem mutuamente, mantendo um debate vivo e provocador" (pág. 20)
"A Folha entende que a crítica interna é uma conquista do jornalismo moderno. Ela deve ser formulada e recebida profissionalmente, sempre entendida como instrumento valioso de melhoria da qualidade do jornal" (pág. 111)
"...Suas observações e sugestões (do ombudsman) não têm caráter deliberativo. É facultado a todos os jornalistas da Folha responder às observações feitas pelo ombudsman tanto na crítica interna quanto na coluna semanal." (pág. 114)

O objetivo é de que a crítica incentive a discussão e a troca de idéias na Redação. Haverá divergências e polêmicas. Mas tem de ser assim. A indiferença e/ou a anodinia são fatais para qualquer jornal.

indiferença e/ou a anodinia são fatais para qualquer jornal.

Bernardo Ajzenberg      


Edição de domingo, 11 de março

A história de Alexandre

Ótima reportagem em Cotidiano. Boa apuração, bom texto. A arte ficou correta. A foto, sóbria e trágica, está à altura do conjunto. Reparos: 1) Não se mostra que providências tomou até agora (se é que tomou) o CRM-MG, a não ser mandar o médico Rezende Filho ficar calado.

2) Faltam as idades dos médicos Rezende Filho e Carvalho Lopes, relevantes num caso como este.

3) No abre, a redação não deixa claro se Bom Jardim tem 6.641 habitantes agora (2000) ou se os tinha quando Alexandre mudou para lá, aos 8 anos.

4) É cedo para usar o chapéu "No país da impunidade" neste caso. Passou-se pouco tempo, em termos de Justiça, para afirmar que a impunidade prevaleceu.

5) Os três últimos parágrafos de "Policiais negam..." deveriam ser juntados à parte com o último parágrafo de "Médico diz...". Seria melhor para as duas retrancas, e uma terceira destacaria informações que ficaram escondidas.

6) A solução da edição SP para driblar o anúncio de capa foi infeliz. O texto colocado ali, resumindo burocraticamente a história, reduz sabor e impacto da leitura da reportagem. O leitor da Nacional saiu ganhando.

Perguntas:

a) Por que a Folha não deu nada sobre o caso antes, já que, à época, conforme a reportagem, ele foi noticiado em jornais mineiros?

b) Por que não temos conseguido publicar reportagens com este ótimo nível pelo menos uma vez por mês?

Pedofilia

Atenção para o "outro lado" nesse assunto, em Cotidiano. Na notícia de ontem ("Preso acusado de pedofilia na Internet", pág. C-2), ele ficou esmagado.

Ricardo Sérgio

1) Reportagem em Brasil (págs. A12 e A13) começa a desvendar bastidores da privatização. Gol da Folha.

2) Um problema: a retranca "RMC teve auge..." (pág. A13) deveria mostrar em separado os números de contratos da empresa em 97 e em 98 (e não apenas a média do período 95/98). Não o tendo feito, poderá dar razão ao "outro lado", segundo o qual a ascensão começou antes de 95 e a queda, "logo depois" de 96 -nesse caso, a hipótese do título perderia sentido. Diz o Manual (pág. 27): "O outro lado também pode levar o jornalista a refazer sua apuração, ou mesmo abandonar a notícia, se trouxer uma informação procedente que desminta a perspectiva inicial da reportagem". A verificar.

Release

Os textos sobre o governo Alckmin (págs. A5, A10 e A11, em Brasil) formam um conjunto que faz lembrar um press release oficial. A retranca sobre licitações (A-5) não atenua o efeito. O pingue-pongue com o governador, nesse contexto, perdeu força.

Alerta no Dossiê Caribe

Com o material da versão de Oscar de Barros, o "Globo" se credencia para rivalizar com a Folha num caso de primeira grandeza levantado por ela.

Catataus

O bom material sobre Chile foi prejudicado pela falta de intertítulos e apoio iconográfico em Mundo.

Mais!

1) Positiva a mudança da pág. 3. No + Personagem, porém, faltam dados de perfil (idade, onde vive etc). Faltou nota esclarecendo a mudança.

2) Dados o conteúdo e o tamanho do texto de Hans Ulrich Gumbrecht, não é indiferente saber a sua idade. "Quem é" ficou devendo isso.

Edição de segunda-feira, 12 de março

Primeira Página

Só entendi a chamada sobre juízes lendo o material interno.

Publicidade Serra

É inexplicável, para o leitor, ter de ler a extensa carta da assessoria do Ministério da Saúde no PL em vez de ler seu conteúdo transformado em notícia.

Nota ou matéria?

As primeiras quatro notas do Painel são uma notícia. Não seria mais correto estarem fundidas na retranca sobre a reunião da cúpula do PT (pág. A5)?

Legislativo

Faltam as idades dos candidatos à presidência da Assembléia (pág. A7).

Direitos Humanos

"Gazeta Mercantil" traz que Comissão da OEA acatou sexta-feira petição referente à Guerrilha do Araguaia. Não vi na Folha.

Inversão

Noticiário da França é mais relevante do que o do Irã. Deveria abrir a pág. A11. Não o contrário.

Vaca louca

O texto de Ciência (pág. A12) não explica que encefalopatia espongiforme é (até onde entendi) a mesma coisa que a doença da vaca louca. Dá margem a confusão.

Arquitetura

Por que a Escola da Cidade (Cotidiano, pág. C3) é escola e não faculdade? O diploma vale legalmente tanto quanto um da FAU, por exemplo? Para os interessados, é informação importante que faltou.

Mórmons

Detalhe: segundo o Manual, mórmons estão no Brasil desde 1928, não 1935 (pág. C4)

Números a conferir sobre Febem

1) Reféns: Folha: 15; "Agora": 40

2) Altura telhado: Folha: três metros; "Agora": dez

3) Total de internos: Folha fala em "quase mil" e, em outra retranca, 328.

4) Uma retranca diz que funcionário morto é monitor; outra, agente de segurança.

Onde está Guga?

Texto (pág. D6) fala em Palm Springs e Indiana Wells sem dizer em que país ficam?

Ilustrada

Reportagem sobre cinema dos anos 90 (capa) exigia mais serviço (endereço, horários etc).
Na Arte de apoio à boa reportagem sobre TV (pág. E5), em vez de 15 de outubro de 2000 deve-se ler 15 de novembro de 2000. Certo?

Velho problema de título

Capa do Folhainvest: "Taxa de juro do financiamento pode cair"(pág. B1).
Mas o que não pode?

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