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Crítica diária

13 de março de 2001


BERNARDO AJZENBERG


Destaque dos jornais hoje: queda nas bolsas (manchete da Folha), dossiê Caribe (manchete do JB) e Sudam (manchete do "Estado" e do "Globo"). JB e Folha avançam na apuração do caso do dossiê. O restante fica no factual.

Dossiê Caribe

a.. A Folha retoma o caso com importante declaração de Oscar de Barros que envolve Sérgio Motta. As possíveis consequências político-institucionais disso superam as do material de domingo do "Globo". As cinco interrogações colocadas em arte são pertinentes. O jornal mostra, com isso, disposição para recuperar a dianteira no caso.

b.. A explicação para não ter dado a entrevista em dezembro ou nas semanas/meses seguintes é pouco convincente para o leitor. A sensação é de que as ressalvas sobre a confiabilidade de Barros ou o fato de que o jornal não obteve as devidas comprovações de veracidade poderiam estar presentes no jornal junto com a entrevista (como estão hoje) antes de o "Globo" ter feito o que fez, e antes de o governo decidir reativar investigações. Ou seja, poderia ter sido a Folha a provocar essa reativação.

c.. Houve correções e ampliação positiva da arte entre a edição Nacional e a São Paulo (não valeria um Erramos na edição Nacional para o fato de a arte afirmar que a declaração de Barros foi feita à Folha "ontem"?). Num aspecto, porém, há confusão para o leitor nas duas edições. O texto afirma haver dois papéis verdadeiros no dossiê: a certidão e o "papel da Trident". Mas na arte só a certidão oficial é dada como autêntica, enquanto o documento da Trident é dado como sem comprovação. É preciso esclarecer.

d.. O "Jornal do Brasil" alimenta o lado fantástico da história com a informação de que o pastor Caio Fábio usou o dossiê para tentar levantar dinheiro do Iraque.

5) Importante: a Folha deve ao leitor informações sobre a atuação do ex-senador Gilberto Miranda nessa história. Não apenas nessa, aliás.

Sudam

O escândalo da Sudam ainda está no começo. É um caso a ser levado adiante com dedicação. Na reportagem de hoje faltaram:

1.. em que períodos, concretamente, ocorreram os desvios?

2.. Quais as punições cabíveis (além da demissão) para os responsáveis?

3.. O "outro lado": alguém da diretoria, por exemplo.

Covas

Depois de tudo que se fez e publicou, não vi nem sequer uma Panorâmica para anunciar a missa de 7o dia do governador. Dizem três linhas perdidas na retranca sobre Tasso Jereissati (pág. A5) que ela será hoje no ginásio do Ibirapuera.

Malan/ICMS

O projeto de unificação do ICMS (pág. A8) cheira a um enorme balão de ensaio. Seria importante a Folha ter mostrado que obstáculos ele teria de superar para viabilizar-se.

Ricardo Sérgio

A Folha esqueceu o assunto hoje. Segundo o "Estado" e o "Globo", a procuradoria vai reabrir no Rio o inquérito para investigar a privatização da Telebrás.

Trapalhada de Busch

Faltou mapa na pág. A11 mostrando onde fica o Kuait e localizando, se possível, a região atingida.

Bolsas

A queda do índice Nasdaq, destacada em sobretítulo, está apenas no 12o parágrafo do texto da capa de Dinheiro. Faltou remissão para a pág. B-6, em que se informa o que houve na Bovespa. Apesar disso, ficou rica a edição no seu conjunto.

O que acontece no Japão?

Retranca "PIB do Japão surpreende..." (pág. B3) mostra mais uma vez que a situação econômica daquele país está a merecer do jornal uma reportagem mais ampla e aprofundada (de preferência feita in loco) que mostre ao leitor o que de fato se passa ali.

Imprecisões/confusões

1) Segundo o texto da capa de Cotidiano, foram três (versão dos moradores) os policiais que invadiram a favela no caso da morte da menina Larissa. Segundo a polícia (retranca à pág. C3), foram seis policiais. A arte informa que foram seis policiais. Ou a edição ficou simplesmente com a versão da polícia (o que não parece adequado) ou houve algum erro mesmo.

2) A arte sobre a Febem (pág. C4) é confusa. Não dá para saber se os algarismos na maquete central se referem à ação do "resgate" ou à ação da polícia.

3) O que é a "Articulação", a que se refere o vereador Vicente Cândido na retranca "Sócio de empresa...", á pág. C8? Eu sei, mas sem dúvida a maioria dos leitores não sabe.

Atualização de valores

Retranca "Estúdio da Multifilmes...", pág. E3 da Ilustrada, traz valor de "seis milhões de cruzeiros" na década de 50 sem comparar (ao menos de modo aproximado) com valores de hoje.

Memória/Rubem Fonseca

Diferentemente do "Estado" e do "JT", que deram a reportagem antes, a Folha não precisava recorrer a um fax enviado pelo escritor ao "Fantástico" para oferecer o "outro lado" dele sobre as relações que teve com o movimento militar de 64. Já que ele não confirma nem desmente ter sido roteirista dos filmes de Jean Manzon sob auspícios do Ipes (objetos da reportagem), teria sido melhor citar trechos do texto que ele escreveu na própria Folha em 27 de março de 94 sobre o assunto.

Siglas embaralhadas

Abre da capa do Agrofolha usa ora CNA ora Conab, aparentemente para designar uma mesma instituição. É isso?

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