|
14 de março de 2001
BERNARDO AJZENBERG
 |
Com exceção do "Estado" (que põe em manchete o crescimento industrial), as capas dos principais diários hoje enfatizam a prisão de Luiz Estevão, o acordo sobre FGTS e o encontro Pelé-Teixeira. A questão da carne européia –o segundo destaque no "New York Times"– também ocupa espaço importante.
Primeira Página
1) Dado do IBGE sobre indústria merecia chamada.
2) FGTS: a chamada dá a entender que houve consenso quanto ao trabalhador doar parte da multa para o Fundo. O texto interno afirma que as centrais não aprovam isso.
3) Parece-me precipitado e exagerado afirmar neste momento que o Ministério da Justiça está retardando a reabertura da investigação sobre o dossiê Caribe (essa observação vale também para o material interno sobre o caso).
Dossiê Caribe
Ao mencionado no item 3) acima, acrescento: Não merecia uma resposta (Nota da Redação) a crítica do porta-voz presidencial (Brasil, pág. A4, retranca "Governo retarda...") quanto ao título da edição de ontem "Ação de FHC..."? A meu ver essa crítica não cabe, já que objetivamente foi uma ação, uma atitude do presidente que desencadeou os passos que levaram à suspensão das investigações.
ACM x Jader
"O Globo" informa que o senador baiano entrou ontem com pedido de requerimento formal para aprofundar apuração sobre participação de parentes do presidente do Senado nas desvios da Sudam. Não vi na Folha.
Ao Manual
Na Panorâmica "Ministério Público: Procuradora se demite em Minas" (Brasil, pág. A8, edição Nacional) há um equívoco. A procuradora em questão não é do Ministério Público estadual e sim da Procuradoria Geral do Estado. Como mostra a pág. 165 do Manual da Redação, são órgãos diferentes;
Didatismo
1) Luiz Estevão (Brasil, pág. A8): o leitor ganharia muito se o jornal explicasse o que é prisão preventiva (em quais casos ela se aplica, duração etc);
2) Indonésia (Mundo. pág. A12): faltou mapa localizando o país e a capital;
3) "Anatel quer..." (Dinheiro, pág. B4): faltou mostrar quais são as diferenças de direitos e deveres entre "concessão para o serviço público" e "licença para competir no mercado". Senão fica difícil entender a posição da Anatel com relação ao Opportunity;
4) Esporte: apesar das duas artes da edição de hoje (págs. D1 e D2), realmente não está dando para entender como vai ficar afinal a questão do passe dos jogadores de futebol a partir do dia 26.
5) O que vem a ser "UBS Warburg" (Dinheiro, pág. B1, "Alta do dólar...)?
Desconjunção editorial
1) Em "Crise no campo..." (Mundo, pág. A13), faltou remissão para o bom material sobre febre aftosa da pág. B20.
2) Há em Dinheiro duas análises da Redação (uma na pág B-2 e outra na pág. B-3) sobre os dados do IBGE. Deveriam ser fundidas num texto único.
3) Em Cotidiano (São Paulo), o abre da capa praticamente se reproduz na retranca "Vereador quer...", à pág. C3.
Raças
1) Retranca "Brasil deve propor..." (Mundo, pág. A11) trata o professor e geógrafo Milton Santos como "um dos principais intelectuais negros do Brasil". Como se sabe, ele é um dos principais intelectuais (negros ou não) do Brasil. O fato de ser negro, relevante no contexto da reportagem (pois se trata de racismo), deveria estar afirmado de outro modo.
2) O texto "Nova droga combate..." (Ciência, pág. A12) se apóia em pesquisa que compara negros com caucasianos para afirmar diferenças relativas à ação de determinada droga. Faltou explicar o sentido de "caucasianos" neste caso, pois obviamente não se trata de habitantes do Cáucaso.
Confusão sobre FGTS
O caso é complexo e o jornal tem publicado artes para tentar explicá-lo. Os pontos do acordo entre governo e centrais sindicais aparecem de diferentes formas nos jornais hoje. "Valor" e "Gazeta Mercantil" afirmam que a proposta é de um aumento de 10% sobre o valor da multa. Os demais (Folha inclusive, à pág. B4) dizem que é um aumento de dez pontos percentuais (passa de 40% para 50%) no cálculo da multa. Não vejo motivo para achar que a Folha esteja errada, mas é preciso conferir novamente e reafirmar as informações amanhã para o leitor.
Inclinação perigosa
Ao ler as quatro retrancas sobre o caso da morte da menina Larissa na favela Alba (Cotidiano, pág. C7), tive a sensação de ser material, no conjunto, favorável aos traficantes da área e desfavorável à polícia. Faltou equilíbrio. Veja pelos títulos: "Tráfico substitui Estado em favela de SP"; "Nós ajudamos os moradores, diz traficante"; "Protesto marca enterro de Larissa"; "Investigadores do GOE são afastados".
Tijolaços
Pode ser coincidência, mas, a julgar pela edição de hoje, a Ilustrada aboliu o uso de intertítulos. Aliás, a subestimação do intertítulo como recurso gráfico básico é visível, em maior ou menor grau, dependendo da editoria, em todo o jornal.
Informática ou Turismo?
Pareceu-me incômodo ler "Viaje por ilhas tropicais na rede" em Informática (pág. F22) e não em Turismo. Nos sites que a reportagem indica, vê-se que se trata de serviços com finalidade turística.
Errei
Na crítica de ontem, escrevi Busch em vez de Bush.
Leia críticas anteriores:
12/03/2001
08/03/2001
07/03/2001
06/03/2001
05/03/2001
01/03/2001
28/02/2001
27/02/2001
26/02/2001
25/02/2001
24/02/2001
23/02/2001
22/02/2001
21/02/2001
20/02/2001
19/02/2001
16/02/2001
15/02/2001
13/02/2001
12/02/2001
09/02/2001
08/02/2001
07/02/2001
|