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16 de março de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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A foto da plataforma da Petrobrás adernada domina as capas dos principais diários hoje. Os cariocas saíram em tom dramático ("Inferno em alto-mar", para o "Globo", "Pânico e morte..." para o "JB"); os paulistas, informativos. Depois, intervenção do BC no mercado do dólar e veto à carne européia. A Folha destaca também o caso do inquérito sobre a Operação Condor. O "JB", as novas medidas referentes ao Código do Consumidor.
As explosões da P-36
Vi os seguintes problemas na cobertura da Folha:
1) Divergências de dados entre algumas retrancas. O peso da plataforma é 60 mil toneladas ("Funcionários apontam...", pág. C3) ou oscila de 31 mil t a 56,5 mil t ("Plataforma é a maior...", pág. C3)? Ela produz de 60 mil a 80 mil barris/dia ("Para ANP...", pág. C4) ou 80 mil barris/dia (arte pág. C3)? O país produz hoje 1,4 milhão de barris/dia ("Para ANP...", pág. C4) ou 1,33 milhão de barris/dia ("Acidente trará...", pág.C4)?
2) Faltou o lado "humano". Os outros jornais trazem alguns relatos em primeira pessoa e fotos de funcionários já em terra, telefonando para familiares.
3) Caberia, como fez o "Globo" uma retranca lembrando o inferno astral administrativo de Henri Philippe Reichstul.
4) "Valor" e "Estado" trazem o impacto do acidente na balança comercial brasileira: de US$ 600 mi a US$ 700 mi no ano. Não é pouco. Não vi na Folha.
Raposa engana raposa?
Parece ingênua a retranca "PSDB ganha...", Brasil, pág. A6) ao assumir a versão do senador petista José Eduardo Dutra de que a oposição conseguiu "enganar" os aliados do governo (que teriam "mordido a isca", como diz o texto) para obter a Comissão de Relações Exteriores.
Operação Condor
O texto afirma que houve a ação coordenada entre militares da América do Sul. A Arte fala em "suposto acordo". Há contradição. O texto trata Videla e Gualtieri como "líderes". Até onde sei, foram mais do que isso: presidentes argentinos ditadores. O texto repete todos os nomes dos onze implicados, informação que já está na Arte.
Sísifo
1) Faltou a idade do novo presidente da Assembléia Legislativa, Walter Feldman (Brasil, pág. A10)
2) Faltou a idade do sindicalista morto por envenenamento ("Laudo confirma...", Cotidiano, pág. C8).
Traduções
Há no jornal, não só hoje, um número expressivo de retrancas, principalmente em Mundo e em Dinheiro, traduzidas de jornais estrangeiros. Hoje particularmente fica claro que as traduções, inclusive nas retrancas creditadas a agências internacionais, carecem de maior cuidado. Quatro exemplos:
1) "Avião russo é..."(pág. A11): "equipe especial de crise...", em vez de "comissão de emergência", como está em outra retranca;
2) "Conflito atinge..." (pág. A12): aqui um texto do "Independent" que deveria servir de apoio vira principal, e o lide fica perdido;
3) "Farmacêutica abre..." (pág. A13): fala-se em Manhattan sem mais nem menos, como se estivéssemos em NY. Esta mesma retranca, alías, cita o Brasil negativamente, sem um "outro lado".
4) "Bush tenta..." (pág. B4): "...o que está acontecendo nos mercados afeta a vida das pessoas reais(sic)".
Mandarim
Na reportagem "Nobel de 2000..." (capa da Ilustrada2), faltou questionar a editora quanto ao motivo para traduzir do francês e não diretamente do mandarim a obra "A Montanha da Alma", de Gao Xingjian. Na mesma página, o leitor que queira obter o livro em formato eletrônico não encontra na retranca "Obra está sendo lançada..." indicações detalhadas de como fazê-lo.
Didatismo
Em Ciência, pág. A14, faltou explicar o que é genoma em "Vacina usa genoma..." e o que é efeito estufa em "Efeito estufa teria...".
Leia críticas anteriores:
15/03/2001
14/03/2001
13/03/2001
12/03/2001
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