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22 de março de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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O "maior acordo do mundo", sobre o FGTS, está na manchete dos quatro principais diários ("Estado" trocou em segundo clichê pelo aumento dos juros). "Globo" ("Acordo garante pagamento de FGTS a 54 milhões de pessoas") e "JB" ("Governo, empregados e patrões vão dividir reposição do FGTS") trazem um tom ufanista. A Folha ("Governo propõe pagar FGTS até 2006") fica mais próxima do fato. Sintomaticamente, os diários econômicos, "Valor" e "Gazeta Mercantil", nada puseram a respeito do assunto em suas respectivas capas.
Interrogações no ar
1) Faltou um "placar" da coleta de assinaturas para a CPI na retranca "Jader autoriza..." (Brasil, pág. A4). A dúvida é imediata na cabeça do leitor. Quantas assinaturas ainda são necessárias? Quem já assinou?
2) Segundo a Folha, os deputados ligados a ACM não assinaram a CPI "pensando nos cargos que mantêm no governo federal". O "Globo" dá outra versão, talvez mais atualizada: após a confirmação da demissão do carlista Firmino Sampaio da presidência da Eletrobrás, ontem, os aliados de ACM foram liberados e deverão apoiar em bloco a CPI. A conferir.
Furos
O jornal não deve ficar obcecado na tentativa de cobrir tudo de todos os setores ou de trazer tudo aquilo que os concorrentes trazem. É básico, e está no projeto editorial. Mas pelo menos dois assuntos relevantes não deveriam estão ausentes hoje: a viagem de Garotinho a Cuba, com comitiva que chegaria a cem pessoas, e a defesa feita pelo deputado Michel Temer ontem na tribuna da Câmara em relação às acusações de que é alvo no caso do porto de Santos.
Bumbo precipitado
Dois comentários a respeito da cobertura da Folha sobre o acordo em torno da reposição do FGTS:
1) Dada a discordância da Fiesp, CNI e CUT, é improvável que o acordo seja aprovado no Congresso em sua íntegra. Nesse sentido, o material ficaria mais completo se tivessem sido ouvidos pelo menos alguns parlamentares;
2) O abre afirma que a CNC (Confederação Nacional do Comércio) e a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) apóiam o acerto feito com FHC. A retranca "Empresários reagem..." (pág. C3), porém, afirma que ambas se oporão no Congresso ao adicional na multa rescisória. O correto seria dizer, então, que o seu apoio é, no fundo, parcial.
Povo? Que povo?
É infeliz o lide de "Com alta do dólar, tarifas da Gol poderão subir..." (Dinheiro, pág. B16): "A alta do dólar está levando a Gol, que estreou em janeiro como a companhia aérea do povo, a rever os preços...".
Acidente no Extra
O abre do noticiário sobre o acidente ("Teto de hipermercado cai e fere 47 pessoas", pág. C1) comete um deslize ao afirmar que "a chuva forte que caiu na hora do acidente pode ser a causa do desabamento". Nem mesmo o pessoal do Extra trabalha com essa hipótese. Evidentemente a causa está em algum problema da estrutura/manutenção, a ser apurado, e não na existência da chuva.
Como de hábito em coberturas de tragédias do gênero, há discrepâncias de números que sugerem checagem.
Eis algumas:
1) Só a Folha e o "Agora" falam em 47 feridos. Os outros jornais falam em 42, sendo que, segundo o "Globo", desse total 22 pessoas foram atendidas por causa de crise nervosa (não, portanto, ferimentos);
2) O "Diário Popular" afirma que é de 8 mil m2 e não de 4 mil m2 a área do telhado que desabou.
3) O "Estado" noticia que foram 290 e não 190 os homens da polícia, bombeiros e da Defesa Civil deslocados para as operações de resgate.
Tom oficioso
Senti falta da posição dos camelôs (sua associação ou representantes) na matéria "PT limita atuação e número de camelôs" (Cotidiano, pág. C7). Com isso, a retranca resvala para um tom oficioso.
Esse mesmo tom, aliás, transparece no conteúdo e no tamanho da cobertura dedicada à aplicação de um megapsicodrama pela prefeitura (págs. C9 e C10).
Será que não tem ninguém que questione, de uma forma ou de outra, a validade ou a execução dessa iniciativa? A retranca "Na Câmara Municipal...", que registra o fracasso do evento naquele local, atenua muito pouco, a meu ver, o tom oficioso do conjunto.
Outro lado ausente
Faltou o "outro lado" em "Previdência fecha cerco aos investidores do futebol" (Esporte, pág. D2).
Pauta queimada
Ao ler o material de capa de Equilíbrio, esperava encontrar um tratamento diferenciado, um enfoque criativo para o tema já batido do inferno do trânsito nas metrópoles. O resultado, porém, pareceu-me uma reunião de lugares-comuns, casos banais e dados já mais ou menos conhecidos.
De olho no Congresso
Neste ano, a edição demonstra ter tomado cuidados em relação a possíveis queixas e reclamações, que vinham marcando as edições dos anos anteriores. Pareceu-me, à primeira vista, material completo. Vamos aguardar.
Leia críticas anteriores:
21/03/2001
20/03/2001
19/03/2001
16/03/2001
15/03/2001
14/03/2001
13/03/2001
12/03/2001
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