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30 de março de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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Como durante toda a semana, não há, hoje, um assunto dominante nas capas dos jornais. Todos registram a apresentação do GP de F-1 e o encontro FHC-Bush, mas cada qual dá manchete para um tema diferente. A Folha traz manobra do governo para barrar de vez a CPI; o "Estado" destaca a visita do presidente aos EUA; o "Globo" retoma a campanha contra a LBV em manchete.
"JB" sai com direitos humanos: "Governo fará propaganda contra tortura".
Títulos e siglas
Difícil a tarefa da Primeira Página de encontrar um bom título para expressar a estratégia do governo de criar novas CPIs para emperrar a da corrupção. O resultado ("Governo cria 3 CPIs para abafar CPI") ficou ruim. Não só por causa da repetição de siglas, mas pela confusão que cria.
Águas turvas
A formulação adotada em "Brindeiro entrega fita..." (Brasil, pág. A5) para explicar o que teria dito a senadores o procurador Guilherme Schelb é muito confusa. Segundo o texto, ele disse que ACM contara ter uma lista (ou relação) sobre quem votou contra ou a favor da cassação de Luiz Estevão no Senado. No parágrafo seguinte, se acrescenta que, para Schelb, o termo utilizado (lista ou relação) parecia se tratar mais de um "juízo de valor" do que de informação sobre a votação. Não dá para entender como a afirmação de que ACM tem a lista (ou relação) possa ser considerada um "juízo de valor". O que isso significa? Qual é o nexo?
Sobrando papel
A reportagem "Tucano diz que comissão é ´teatro`" (Brasil, pág. A5) é completamente dispensável. No atual contexto, de "enterro" da CPI, ela não pesa nada. Faria sentido no começo da discussão sobre o assunto. A não ser que haja algum motivo que o texto não revela para o leitor, trata-se de uma retranca que chove no molhado.
Livro do MEC
Faltou ouvir o autor do livro didático "O Município em Debate", adotado pelo MEC e que, como mostra a reportagem ("Livro do MEC destaca imagem do PSDB", Brasil, pág. A6), faz propaganda subliminar do partido dos tucanos.
Notícia versus análise
O texto "Lixo Nuclear ´suja` Verdes alemães" (Mundo, pág. A18) é uma análise do desgaste crescente entre os Verdes (no governo) e suas bases (as organizações ambientalistas) na Alemanha. Assim deveria ser tratado, ancorando alguma notícia, e não como texto solto na edição.
Fotógrafo não é da Imprensa?
Diz a retranca "Presidente sul-africano visita Elián com Fidel" (Mundo, pág. A18) que a imprensa não teve acesso ao encontro. Mas então como se explica a foto do evento, feita pela Associated Press?
Imprecisão
"Bush põe economia dos EUA antes do clima" (Ciência, pág. A19) afirma que os EUA respondem por "cerca de 25%" das emissões globais de gás carbônico. No quadro, porém, o gráfico de barras mostra 21%. O correto, se fosse para "arredondar", seria, então, "cerca de 20%".
Cai não cai...
A redução do preço da gasolina nas refinarias pode ou não se refletir nos postos, isto é, no bolso do consumidor. Depende do mercado. Essa tese está bem clara em Dinheiro, à pág. B4, retranca "Gasolina baixa só em áreas competitivas" (o "baixa", aqui, diga-se, embute ambiguidade). Mas, para ser útil ao leitor, faltou trazer dados ou expectativas concretas. Por exemplo: São Paulo é considerado mercado competitivo? E o Rio? O que o leitor quer saber é o que ele pode esperar em relação ao bolso dele. Mesmo que não seja possível uma previsão científica.
Os remédios
Anunciou-se ontem a redução de preço de dois remédios contra a Aids, o efavirenz e o indivinavir (obs: não será indinavir, como dizem os concorrentes? Se for, não seria o caso de ERRAMOS?). O jornal deu a notícia em Cotidiano, à pág. C9. Mas os concorrentes também deram.
Compare os números dados pelos jornais:
Folha: a UNIDADE do efavirenz passou de US$ 2,32 a US$ 0,84; a UNIDADE do indivinavir (?) caiu de US$ 1,62 para US$ 0,47.
"Globo": o preço da CAIXA do indinavir caiu de US$ 1,33 para US$ 0,47; o da CAIXA DE 200 mg de efivarenz foi de US$ 2,05 para US$ 0,84.
"Estado": a CÁPSULA DE 400 mg de indinavir caiu de US$ 1,337 para US$ 0,47; cada COMPRIMIDO DE 200 mg de efavirenz passou de US$ 2,05 para US$ 0,84.
Que confusão! A culpa é de quem: dos jornalistas ou da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde?
Capas históricas
Três pequenas observações sobre o belo trabalho "A maior das capas", da Ilustrada, com a enquete e a história da música brasileira a partir das capas de disco:
1) alguma explicação e/ou análise precisava ser feita, com esse material, para explicar por que as vencedoras estão todas na década de 70 (três são da de 60). Tem a ver com a idade dos votantes? Qual é a média de idade deles? Ou tem a ver com uma pobreza das décadas seguintes em termos visuais? Ou os votantes acabaram misturando gosto pela capa com gosto pela música que ela traz dentro? Presumo que haverá repercussão e mais material para outras edições.
2) Principalmente pelo fato de publicar o texto de Alex Antunes ("Quer pergunta legal!!!"), a foto da capa de "Fa-tal" (a preferida pelo autor desse texto e oitava colocada no geral), de Gal Costa, tinha de aparecer. Por que está ausente?
3) A retranca "Livros de melhores inspiram lista" (pág. E1) começa assim: "Nick Hornby o quê? A mania de listas dos melhores isso e aquilo na música..." Ora, quem sabe o que isso quer dizer? Só poucos leitores (mesmo em relação ao universo daqueles que acompanham a Ilustrada) leram o escritor inglês ou se recordam de que o filme "Alta Fidelidade" se baseia em livro dele. Cifrado demais.
Leia críticas anteriores:
29/03/2001
28/03/2001
26/03/2001
23/03/2001
22/03/2001
21/03/2001
20/03/2001
19/03/2001
16/03/2001
15/03/2001
14/03/2001
13/03/2001
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