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5 de abril de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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O tratamento dado pelos jornais ao balanço do IBGE com dados socioeconômicos da última década, manchete em todos eles, permite uma expressiva comparação. Folha: "País termina anos 90 tão desigual como começou"; "Estado": "IBGE mostra como o País melhorou em 7 anos"; "Globo": "Indicadores sociais melhoram, concentração de renda não cai"; "JB": "IBGE: década do Real não mudou a desigualdade econômica do país". Ou seja, dos quatro principais diários, apenas o "Estado" deu manchete francamente favorável ao governo.
Fôlego para jader
Detalhe de edição no material sob a retranca "Ministério Público descarta investigar Jader por desvio" (Brasil, pág. A4): a posição do ex-presidente do BC Francisco Gros, divulgada por assessoria, está citada literalmente duas vezes em duas retrancas lado a lado na página.
Questão de transparência
Está bem esquisito para o leitor, em "Perito acha fala de ACM..." (Brasil, pág. A5), o modo com que o texto se refere à decisão do Conselho de Ética do Senado de ouvir os jornalistas responsáveis por reportagem da própria Folha segundo a qual fontes revelaram que ACM recebeu a lista da votação do caso Luiz Estevão. O texto, depois de noticiar isso, simplesmente afirma: "A reportagem não foi assinada". Por que não informar ao leitor quais são os jornalistas, já que, pelo que se deduz do texto, a comissão do Senado tem seus nomes? Para preservá-los? Seriam ouvidos em sessão secreta?
Faltou no mínimo uma explicação.
Cadernos contra ACM
A retranca "Sobrinho de ACM agride escritor..." (Brasil, pág. A6) afirma que um grupo de deputados baianos esteve no Congresso para entregar "compilação de supostas irregularidades" de ACM e aliados a Jader Barbalho e a Aécio Neves. Em outra retranca ("Corregedoria se torna...", pág. A5), afirma-se que o pacote foi levado à recém criada Corregedoria Geral da União -versão dada também pelos concorrentes. É preciso esclarecer.
Como assim?
Deve-se tomar mais cuidado com a maneira de noticiar as posições do MST. Em "MST deixa fazenda em MG..." (Brasil, pág. A8), afirma-se: "...após assembléia dos sem-terra, eles não descartaram a hipótese de invadir a fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis". O que isso quer dizer? Alguém propos a invasão em assembléia e o assunto foi votado? A formulação, tal como está ("não descartaram a hipótese"), simplesmente reproduz uma espécie de ameaça do MST, sendo que o jornal não é porta-voz do movimento, certo? Nesse caso, toda busca de objetividade é pouca.
Brindeiro e Maciel
"Falta convencer o vice-presidente Marco Maciel da necessidade da troca". Assim termina o texto "Entidade quer barrar..." (Brasil, pág. A8), sobre movimento de procuradores contrários à permanência de Geraldo Brindeiro como procurador-geral da República. Se a prerrogativa de definir o procurador-geral é do presidente da República (FHC), o que Maciel tem a ver com a história? Por que precisa ser convencido? Brindeiro foi indicação dele?
China x EUA
Dois leitores reclamam que, na cobertura do atual conflito diplomático EUA-China, Mundo não está colocando em que coordenadas ocorreu o choque entre o caça chinês e o avião de espionagem americano. O dado é importante para definir se os americanos realmente violaram ou não as regras internacionais. O próprio "New York Times", lembra um leitor, levantou a questão.
Didatismo
1) A reportagem de capa de Dinheiro, "Septicemia do Mercosul adia visita de FHC" em nenhum momento explica o que é isso (infecção generalizada etc, conforme definição do Manual da Redação). Não é um termo de uso comum --como seria "câncer", por exemplo;
2) A explicação resumida que o texto dessa reportagem dá a respeito do que vem a ser uma união aduaneira me parece melhor do que aquela colocada no quadro interno (pág. B7). Valeria, creio, incorporá-la nas próximas edições, já que o assunto vai longe.
Números do IBGE
Trata-se de material bastante amplo, cheio de dificuldades para edição. Dito isso, destaco quatro problemas no atacado:
1) Ficaram muito escondidos os dados demográficos mais genéricos (população, sexo, família etc);
2) Faltou mais destaque para a ára de Educação, que, ao que parece, teve desempenho superior às demais (sinceramente, embora leigo, fiquei em dúvida se se pode realmente considerar inercial, como diz o texto, uma redução de 17,2% para 13,3% na taxa de analfabetismo em apenas sete anos);
3) Pareceu-me superficial a retranca "Informações devem ter uso eleitoral" (Pág. C5). Primeiro pelo título óbvio, segundo (mais importante) por ouvir apenas um cientista político, um economista e um economista-banqueiro do PSDB que ainda só falou em tom jocoso. Ficou pobre.
4) Caberia comparar os índices de mortalidade infantil brasileiros com os de outros países, para mostrar como, mesmo tendo havido melhora, a situação continua extremamente ruim e alarmante.
Agora, três aspectos de edição e eventuais Erramos:
a) é dispersiva a forma usada para distribuir os dados em termos de gráficos e quadros (principalmente ao citar em "tijolos", separadamente, indicadores de alguns Estados diferenciados); faltou uma arte mais consistente que amarrasse o fundamental da pesquisa, até por um motivo histórico ("JB" e "Globo", embora com problemas estéticos, fizeram isso melhor);
b) no quadro "Indicadores sociais brasileiros melhoraram", a taxa de analfabetismo funcional do Piauí está como 4,4% (é isso mesmo?);
c) nessa mesma arte, parecem estar trocados os mapas do Brasil sob as rubricas "Média de anos de estudo" e "Rendimento médio cresceu 29,8%".
Leia críticas anteriores:
04/04/2001
03/04/2001
02/04/2001
30/03/2001
29/03/2001
28/03/2001
26/03/2001
23/03/2001
22/03/2001
21/03/2001
20/03/2001
19/03/2001
16/03/2001
15/03/2001
14/03/2001
13/03/2001
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