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6 de abril de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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Com exceção do "JB" ("Bando invade hospital no Rio e resgata traficante"), os jornais dão manchete ao plano federal de aumento de oferta e de redução no consumo de energia. Todos, diga-se, com ceticismo. Na Folha, "Plano tenta conter gasto de energia"; no "Estado", "Plano é lançado, mas racionamento pode vir em junho"; e no "Globo", "Pacote do governo tenta evitar o racionamento de energia". O segundo destaque coube à Copa Davis, com o confronto "top" entre Guga e o australiano Rafter. Também a passagem do primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, por Brasília mereceu destaque nas capas hoje.
Rebaixamento
A chamada "Laudo acusa executivos de grupo de ACM" foi "rebaixada" do alto para debaixo da dobra na Primeira Página entre a edição Nacional e a edição SP. Foi, creio, um equívoco. Essa reportagem, exclusiva, é na minha opinião o que de mais relevante os diários trazem hoje, além do factual. Outra observação: a ausência do nome da festa rave ("MegAvonts") tornou obscura a chamada do Guia da Folha. Ainda sobre a capa: indispensável assinalar quem é Jospin no texto-legenda (algo do tipo "em primeiro plano..."). Não se trata de uma pessoa cujo rosto os leitores identificam com facilidade.
Caso Banpará
O texto "Rivais, Jader e ACM..." (Brasil, pág. A4) contém dois parágrafos (o oitavo e o nono) sobre o destino das investigações a respeito do Banpará com informações relevantes que não constam da retranca específica referente ao caso à pág. A5 ("Apuração poderia prosseguir no Pará").
PM e... PM
Alguma coisa estranha ocorre nas consultas à Polícia Militar para apuração do número de manifestantes em protestos públicos. Veja o caso do ato da oposição ontem em Brasília. Segundo a Folha e o "Estado", havia cerca de 10 mil pessoas; segundo o "JB", 7 mil; o "Globo" falou em 6 mil. E todos atribuem a informação à Polícia Militar. De onde saem, afinal, esses números? São confiáveis as informações da PM, se tanta disparidade aparece?
Contas-fantasmas e ACM
Creio correta e reportagem "Laudo relaciona contas-fantasmas a ACM (Brasil, pág. A6). Apenas algumas observações:
1) No "outro lado,", faltaram as versões dos réus Isaac Edington e Cláudio Noronha Chagas Freitas, além da Odebrecht.
2) O quadro "Como se chegou à conta" omite o papel que teve na investigação o caso do empreiteiro Thales Sarmento. De acordo com a própria reportagem, "a conta do Citibank só foi descoberta porque também recebeu dinheiro de Sarmento".
3) Faltou informar quais são as penas cabíveis no caso de condenação dos réus.
Desequilíbrio
Há um evidente desequilíbrio no noticiário sobre a crise China-EUA (Mundo, pág. A10). Apesar das retrancas abaixo da dobra afirmarem "A visão chinesa" e "A visão americana", o abre ("Negociação entre EUA e China se intensifica") é todo apoiado na posição americana. O jornal, claro, fica em casos assim dependente das agências internacionais. Mas, hoje, houve realmente um exagero.
Por que não Erramos?
Ciência traz em Panorâmica da pág. A13 a informação de que o Idec divulgou uma lista que contém um erro no nome de um produto geneticamente alterado. Como a Folha publicou a lista de produtos ontem, inclusive em quadro, não seria o caso de um Erramos, mesmo atribuindo a responsabilidade ao instituto?
25 ou 33 medidas
A chamada e o texto interno (capa de Dinheiro) sobre o plano do governo para energia elétrica falam que este contém 25 medidas. Pela relação completa das medidas, publicada pelo "Globo", são na verdade 33 (25 de aumento da oferta e 8 de redução do consumo).
Outro lado
1) Faltou o "outro lado" da empresa Gol na reportagem "Para TAM, tarifa aérea precisa ser liberada" (Dinheiro, pág. B9). A nova empresa é chamada pelo dono da TAM indiretamente de demagoga. Além disso, ele afirma que o avião mais novo da concorrente tem mais de três anos. É verdade?
2) A reportagem de capa de Ilustrada2 ("O homem que a história traiu"), sobre documentário, traz a versão "definitiva" do episódio da deduragem que teria precedido a prisão e morte de Che Guevara. Ao entrevistar o argentino Ciro Bustos, crucifica de vez o filósofo francês Regis Debray. Mas é esta mesmo a versão definitiva? Se a memória não me falha, Debray não admite essa versão.
Discrepâncias de números
Mais uma vez números díspares em cobertura "policial". No caso, o factual referente a "Traficantes invadem hospital, matam um PM e ferem 7 pessoas" (Cotidiano, pág. C5 na edição SP e capa na Nacional). Para não entrar em detalhes (idades e número de feridos diferentes), destaco o que me parece principal. Segundo os jornais cariocas, o nome do preso resgatado do hospital pelos invasores é Márcio Greick Lima dos Santos. A Folha registra Márcio Greicke Lira.
Ainda em Cotidiano, um detalhe de acabamento que gera confusão: o texto "Desempregado se entrega após ferir 4" (pág. C6, edição SP) diz que "O segurança desempregado ... se entregou à polícia hoje de madrugada pouco antes da 1h..." Conferi na Folha Online, e é isso mesmo: madrugada de hoje (6). Só que na capa do caderno está escrito que ele foi "concluído às 22h59"...
Leia críticas anteriores:
05/04/2001
04/04/2001
03/04/2001
02/04/2001
30/03/2001
29/03/2001
28/03/2001
26/03/2001
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22/03/2001
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