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Crítica diária

16 de abril de 2001


BERNARDO AJZENBERG


A revelação das ligações entre o presidente do Senado, Jader Barbalho, e o empresário José Osmar Borges, tido como o maior fraudador da Sudam, foi o assunto principal do final de semana prolongado -e continuará a ser hoje se Barbalho cumprir a "promessa" de fazer seus contra-ataques na tribuna. O furo foi dado na sexta-feira pela Folha e pela "Veja" (nesta, com mais detalhes). Ponto para a Folha, hoje, com o furo sobre a separação do casal Suplicy, outro caso jornalisticamente saboroso.


Onde anda o "outro lado"?

A nova edição do Manual da Redação entrou em vigor no último dia 10 (terça-feira). Por uma infeliz coincidência, um de seus principais pontos foi solenemente ignorado em reportagens importantes nos últimos dias. Eis quatro exemplos:

1) "Zylbersztajn ataca política da Petrobrás" (quinta-feira 12, capa de Dinheiro): faltou a posição de Henri Reischtul sobre a questão (uso do gasoduto Brasil-Bolívia);

2) "Comissão de Ética já interpelou três ministros" (quinta-feira 12, pág. A4, Brasil): faltou ouvir os diretores da Ceasa-AM (cujos nomes são mencionados na reportagem) demitidos por orientação de FHC por suposto descumprimento do Código de Conduta da Alta Administração Federal;

3) "Mulher de Jader foi sócia de acusado de fraudar Sudam" (sexta-feira 13, Brasil, pág. A4): nem Jader nem a mulher, Márcia Cristina, foram ouvidos;

4) "Opportunity criou empresa a fim de "enganar" sócios" (sábado 14, Dinheiro, pág. B5): Não há a visão do Opportunity neste texto, segundo oqual o banco tentou dar um passa-moleque nos seus colegas do conselho de administração da Brasil Telecom.



Edição de sábado, 14 de abril


Eleição italiana

Tudo indica que a presença do megaempresário Silvio Berlusconi dará um "brilho" jornalístico às eleições italianas do próximo dia 13. A Folha faz bem em destacar o assunto. Na retranca "Começa oficialmente campanha eleitoral..." (Mundo, pág. A10), porém, o jornal ficou devendo dados importantes: o voto é obrigatório? Quantos eleitores há na Itália? Por que é tão grande (33%) o atual percentual de indecisos?


Banana com laranja

Há uma comparação equivocada no sobretítulo ARGENTINA "Medidas em estudo devem cortar US$ 300 mi no Orçamento, contra os US$ 4,5 bi previstos pelo ex-ministro López Murphy" (Dinheiro, pág. B1) . Os US$ 300 mi se referem a um corte em um ano (2001), enquanto os US$ 4,5 bi eram previstos para execução em dois anos.



Edição de domingo, 15 de abril


Bilhões ou milhões?

A chamada da manchete ("Bolsa de SP regride aos anos 80") e o texto interno de Dinheiro afirmam que o valor de mercado das empresas que vendem ações na Bovespa caiu no primeiro trimestre de US$ 251 milhões para US$ 205 milhões. Parece estranho. O mais provável é que sejam bilhões. Confere?

Ainda sobre Primeira Página: faltou informar na chamada sobre F-1 o horário da prova e se haveria transmissão da TV.


Folha versus MST

A reportagem "MST vive estado de penúria cinco anos depois do massacre" (Brasil, pág. A8) não se sustenta. A idéia teria sido mostrar a crise financeira do movimento. Mas o texto não traz números que mostrem a suposta deterioração. Fala-se genericamente do corte de convênios dos ministérios com entidades ligadas ao MST. Que entidades são essas? Fala-se de um valor entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões (margem um tanto ampla...) que o governo (segundo o próprio governo) destinava para capacitação profissional ou à saúde em assentamentos mas não repassa mais, sem no entanto mostrar o que isso significa nas "finanças" do movimento. O dirigente Jaime Amorim fala que o MST sobrevive de "doações e da ajuda dos amigos". Verdadeiro ou não, ele não confirma a crise. Além disso, quanto ao isolamento político, a reportagem também não demonstra que ele esteja tão grave quanto ela mesma afirma. A Contag nunca foi aliada do MST. CUT e PT, todos sabem, apóiam o movimento -se tomam agora certa distância é por razões táticas. O mesmo, com talvez ressalvas, vale para a CNBB.


Nome da atriz

Leitor escreve dizendo chamar-se Ana Lucia Torre e não Maria Lúcia Torre atriz de "Eles não usam black-tie" mencionada em "Texto se impõe em encenação romantizada" (Acontece, pág. Especial 2).

Por falar em nome, o do ombudsman foi grafado de modo errado hoje (segunda-feira) em carta do Painel do Leitor.



Edição de segunda-feira, 16 de abril


Fórmula 1

Além dos nomes dos pilotos, é básico, na cobertura da F-1, mencionar as equipes a que eles pertencem. Faltou na Primeira Página informar que o vencedor da prova de ontem (GP de San Marino), Ralf Schumacher, é da Williams, que não ganhava um GP desde setembro de 97.


FHC trocado

Texto-legenda à pág. A4 afirma que na foto FHC está de camisa social com as mangas arregaçadas. Está errado. Quem se veste assim, ali, é outra pessoa. O presidente está atrás, de mangas bem compridas.


25 ou 33 medidas

A Folha continua afirmando que o plano do governo para evitar racionamento de energia tem 25 medidas ("Ministro pede corte de luz e chuveiro" (Brasil, pág. A7). Na verdade são 25 medidas para aumento de oferta e outras 8 de redução de consumo. 33 no total. Certo?


Casal Suplicy

Importante furo noticioso do Painel o anúncio da separação do casal Suplicy. Envolve dois personagens de proa. A Folha vinha cobrindo a crise e conseguiu dar o chute final para fazer o gol. Uma observação: curiosamente, o "Estado" deu na sexta-feira 13 uma entrevista com o senador em que este defendia claramente uma CPI do Lixo para São Paulo, sinal aberto (político, ao menos) de ruptura com a mulher.


Cavallo sumiu

O caderno Dinheiro não sai às segundas. Com isso o noticiário de economia sempre corre o risco de ficar prejudicado. Foi o que aconteceu hoje. O ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, anunciou sábado à noite que enviará nesta semana ao Congresso projeto que inclui o euro no sistema de conversibilidade cambial (manchete do "Globo" de hoje). A Folha, que costuma cobrir bem a situação no país vizinho e trouxe no sábado material interessante sobre outras medidas de Cavallo, hoje não deu nada. Perdeu o trilho do trem.


Botafogo 1 x 5 Corinthians

1) Ouvi no rádio que antes do jogo de ontem houve tumulto, com a torcida corintiana derrubando um portão do estádio em Ribeirão Preto. A matéria da Folha sobre o jogo ("Corinthians explode no 2o tempo e vence a 9a seguida" (Esporte, pág. D2), hoje, não traz nada a respeito.

2) O mesmo texto afirma que aos 10min do primeiro tempo Marcelinho cobrou escanteio e quase marcou um gol olímpico, com o goleiro desviando para novo escanteio. Dois parágrafos adiante, afirma-se que o atacante Éwerthon perdeu uma chance de gol também aos 10min do primeiro tempo. Alguma coisa está errada.

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