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17 de abril de 2001
BERNARDO AJZENBERG
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Três temas tomam conta das capas dos principais jornais hoje: 1) o factual das prisões de acusados no caso Sudam; a subida do dólar sob o impacto do projeto de Cavallo de incluir o euro na cesta cambial argentina; e a "defesa" de Jader Barbalho na tribuna do Congresso. Interessante: os jornais do Rio ("Globo", "JB" e "O Dia") abriram amplas "caixas" em suas primeiras páginas para a separação do casal Suplicy, antecipada pela Folha ontem. O "Estado", aparentemente constrangido em "dar força" para o furo do concorrente, limitou o caso a uma "bandeira". Fez bem a Folha ao realçar, com foto no alto, a volta de Ronaldo aos treinos com bola.
Sudam e jader
Parecia uma operação casada. Enquanto o governo (via Polícia Federal) efetuava prisões de acusados de desvios na Sudam, Jader Barbalho fazia sua defesa na tribuna do Congresso. Está na cara que FHC decidiu retomar as rédeas na crise política de sua base, com vistas a isolar mais o "trombone" ACM. Se terá êxito, ainda é cedo para falar.
Duas observações sobre a edição:
1) A Folha traz a reação dos governistas ao discurso de Jader ("FHC volta a atacar criação de CPI", Brasil, pág. A6), mas não a da oposição. Esta, dizem o "Globo" e o "Estado", reúne-se hoje para encaminhar ao Conselho de Ética do Senado pedido de afastamento do senador da presidência da Casa.
2) Duas retrancas trazem informações desencontradas sobre o empresário José Osmar Borges e seus "comparsas". Em "Justiça manda prender 27 pessoas..." (Brasil, pág. A4), afirma-se que Borges é acusado de desviar mais de R$ 100 milhões; em "Esquema de fraudes atinge pelo menos seis Estados" (Brasil, pág. A5), noticia-se que o empresário já recebeu "cerca de R$ 83 milhões".
Além disso, dois nomes de funcionários dele não batem: Cirlene Ferreira e Florisvaldo Fulvio na primeira retranca, contra Sirlene (com "S") Ferreira e Florisvaldo Furio na segunda;
Acusou ou não acusou?
Formulações divergentes sobre um mesmo fato transmitem insegurança ao leitor com relação às afirmações do jornal. Um exemplo é a retranca "Ministro do STF pede licença para processar ACM" (Brasil, pág. A7). Um parágrafo diz: "O senador baiano teria afirmado que (Ricardo Sérgio de) Oliveira recebeu propina de empresas...". Mais adiante, um outro afirma: "O senador acusou o ex-diretor do Banco do Brasil de receber propina..." ACM "teria afirmado" ou efetivamente "acusou"? Dá a impressão, pelo texto publicado, de que a própria Folha não sabe ao certo a resposta.
Sem charme
O jornal perdeu a oportunidade de apresentar ao leitor um material mais charmoso, com texto de "feature" inclusive, sobre a separação de Eduardo e Marta. Não bastam as (poucas) fotos. Não há uma única história do casamento, episódios, nem mesmo a data. Não se diz quem são os filhos etc. Faltou investimento. É uma falha. Por que o jornal não fez algo mais criativo nesse caso, em que ele mesmo teve a dianteira? Por que não soube se diferenciar marcadamente, numa rara oportunidade para que isso ocorresse?
Ideologia
Há uma deformação na maneira de as agências internacionais apresentarem certos fatos do confronto entre Israel e os palestinos -e a Folha vai junto. O texto "Síria põe em alerta seus soldados no Líbano" (Mundo, pág. A10), hoje, por exemplo, afirma, após sintomático intertítulo "Bombardeio a Gaza": "Israel voltou ontem a retaliar ataques com bombardeios a instalações das forças palestinas de segurança na faixa de Gaza". E segue descrevendo a operação. Ora, por que a notícia não é ao contrário: forças palestinas voltaram a atacar, o que provocou reação israelense? Esta abordagem (de considerar sempre Israel como sujeito do fato, mesmo quando se trata de reação) é permanente. Será que não há uma forma de contornar esse "vício" tendencioso?
Crianças no navio
O dramático caso do tráfico de crianças escravas na África ameaça tornar-se um dos mais confusos do noticiário internacional. "Navio suspeito de tráfico chega a Benin, mas sem crianças escravas" (Mundo, pág. A11) revela que nem mesmo o governo de Benin sabe muito bem o que está acontecendo. Para aumentar as dúvidas, a matéria do "Globo" de hoje sobre o assunto, diferentemente da Folha, informa que o tal navio, o "verdadeiro", que teria mesmo as crianças a bordo, foi visto na Guiné. Todo cuidado será pouco.
Genocídio em Ruana
"Começa na Bélgica julgamento..." (Mundo, pág. A11) informa que o genocídio acontecido em Ruana foi em 1984. O mesmo texto, depois, fala em 1994. Qual é o ano correto?
Lâmpadas
Estão invertidas as informações de preço e consumo de energia na comparação entre lâmpadas incandescentes e fluorescentes na arte da pág. B5, em Dinheiro ("Como é consumida a energia em SP").
ANP versus Petrobrás
A confirmação oficial de que a Agência Nacional de Petróleo liberou o uso do gasoduto Brasil-Bolívia pela empresa BG, contra a vontade da Petrobrás, merecia bem mais do que uma Panorâmica escondida sob o um balanço pago (Dinheiro, pág. B9). No mínimo uma cabeça de página. Não pelo fato em si, mas principalmente pelo aspecto político que ele encerra (o conflito Zilbersztajn versus Reischtul), num momento de enorme desgaste deste último. Não por acaso, foi chamada de capa do jornal no concorrente local.
Por que "América"?
Leitor se queixa de que o texto da capa da Ilustrada de hoje, em vez de dizer "Estados Unidos", ao se referir ao país dos Ramones, diz "América". É uma observação pertinente.
Crianças adotadas
Parece-me inapropriada a nota "Vidas sem rumo", da coluna Mônica Bérgamo. Traz uma série de considerações comparativas entre crianças adotadas e crianças não-adotadas com base nas observações de apenas uma psiquiatra infantil. É assunto por demais complexo e delicado, a meu ver, para ser tratado de modo tão resumido e com base apenas num ponto de vista (por mais competente que possa ser a médica em questão). Pauta, diga-se, excelente.
Esclarecimento
Lucia Boldrini, editora-assistente de Dinheiro, informa que, ao contrário do que afirma a crítica interna de ontem, o caderno noticiou, sim (já no domingo), que o ministro Cavallo enviaria ao Congresso proposta que inclui o euro no sistema de conversibilidade cambial argentino. De fato, a notícia está na edição SP, sendo que eu li o caderno Dinheiro em sua edição Nacional (na qual a notícia não estava).
Leia críticas anteriores:
16/04/2001
11/04/2001
10/04/2001
09/04/2001
06/04/2001
05/04/2001
04/04/2001
03/04/2001
02/04/2001
30/03/2001
29/03/2001
28/03/2001
26/03/2001
23/03/2001
22/03/2001
21/03/2001
20/03/2001
19/03/2001
16/03/2001
15/03/2001
14/03/2001
13/03/2001
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