Ombudsman Folha   Folha Online
 
07/02/2008

Boas notícias

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

O Planalto anunciou que os ministros não poderão mais usar cartões corporativos. Rendeu a manchete da Folha, "Governo retira cartões de ministros".

Foi publicado decreto restringindo os saques em dinheiro, "prática de difícil fiscalização", como anotou o jornal.

O reitor da Universidade Federal do Piauí disse que pedirá uma auditoria de gastos.

Uma ministra que fez mau uso dos cartões caiu.

O Ministério das Comunicações investiga quem liberou R$ 1.400 para arrumar a mesa de sinuca.

São boas notícias. Insuficientes para moralizar um instrumento de moralização, que são os cartões. Porém boas. Elas decorreram de reportagens sobre o uso indevido dos cartões.

Os cidadãos hoje sabem mais sobre os fatos. Mérito do jornalismo.

É possível que seja formada uma CPI --a considerar tantas comissões dos últimos anos, essa pode não ser uma boa notícia (como pode ser).

Má notícia: as reportagens tiveram como reação um retrocesso na transparência, com o fim do acesso público a uma série de informações.

É importante, em um momento de tantos números para pesquisar no Portal da Transparência e nas empresas que receberam pagamentos, manter a sobriedade. Foi o que ocorreu hoje em duas boas reportagens exclusivas da Folha: os gastos bancados por cartões de dirigentes de universidades federais e do ministro dos Esportes.

De novo, editorializado

A Folha repete uma informação editorializada sobre a decisão do ministro dos Esportes, Orlando Silva, de devolver R$ 30 mil.

Chamada da primeira página diz que "abusos com os cartões" o levaram devolver a quantia.

Não é o que o ministro afirmou em coletiva.

Ele disse aguardar a devolução do dinheiro após análise das prestações de contas por organismo de controle.

Ou o jornal prova o que afirma ou manterá um relato enviesado.

Furo alheio

Seria uma injustiça afirmar que se trata de batalha perdida: desconheço publicação brasileira com maior tradição de reconhecer furos alheios que a Folha.

Hoje, porém, o jornal foi infeliz: suitou reportagem do "Globo" sobre pagamento de reforma de mesa de sinuca com cartão corporativo, mas calou sobre a origem da informação.

O "Estado" deu o crédito ao Globo.

Ficou ainda mais chato porque o diário carioca reconheceu o furo da Folha sobre desembolsos de seguranças da família do presidente Lula (com verbas dos contribuintes).

Pensamento único

O Painel do Leitor tem quatro cartas sobre cartões. Todas no mesmo tom.

Seria muito mais interessante se contemplasse opiniões diversas, mantendo-se como espaço plural de idéias.

Cartões paulistas?

Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP.

Esses cartões existem? Se existem, evidentemente que há interesse público, portanto jornalístico, em saber sobre eles.

Folha: é de São Paulo

A propósito, há dias, como hoje, que a Folha simplesmente ignora o Executivo paulista.

É um desserviço aos leitores.

Na moita

Sei que o presidente da República está de folga.

Mas não custa dizer o óbvio: a primeira pergunta a ser feita a Lula quando possível é sobre o uso dos cartões corporativos.

Retrato do Brasil

Folha e "Estado" publicam na primeira página fotografia de Selminha, porta-bandeira da Beija-Flor, campeã do Carnaval carioca.

O "Globo" saiu com foto melhor, mostrando Aniz Abrahão David desfilando sobre um carro do Corpo de Bombeiros. Conhecido como Anísio, o bicheiro, cartola da escola de samba, esteve preso durante boa parte do ano passado. Completo, seu nome foi citado 35 vezes pela Folha em 2007.

Jornalisticamente, "sua" festa tem mais relevância, pelo menos como imagem.

Nas carnes

Manchete do "Estado": "Brasil recua e tira 2 mil fazendas de lista da UE".

O "Globo" também tem a notícia.

Não a vi na Folha.

Palavrão

Dentro, ainda vai.

Mas publicar na primeira página a expressão "qualidade da elegibilidade" é demais.

Trata-se de um palavrão jornalístico.

Quem lê tanta notícia?

A Folha permanece na dianteira da cobertura das primárias americanas.

Mas o jornal exagera. Hoje publica três páginas inteiras sobre o assunto, mais o alto de uma quarta página, sobre a posição de israelenses e árabes a respeito dos pré-candidatos democratas.

Está demais: quem tem tempo para ler tudo isso?

Erramos 1

A primeira página da edição Nacional afirmou que jogaram ontem pela seleção três jogadores com "idade olímpica".

A edição São Paulo corrigiu: foram quatro.

Erramos 2

A coluna "De tanto morrer se aprende a viver" (pág. C12 do domingo) informou que o município de São Gonçalo fica na Baixada Fluminense.

Não fica.

Erramos 3

Leitores notaram que há erro no texto "Hospital do SUS britânico matou paciente, diz júri" (pág. A9 de ontem).

O texto afirma que homicídio doloso não é intencional.

Pelo contrário: se há dolo, é --como ensinaram numerosos cursos, apostilas e atividades de formação na Folha. Como já corrigiram infindáveis Erramos. Como já repetiram todos os ombudsmans. Como informa o dicionário.

Nesse caso, sim: batalha perdida.


     
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