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27/09/2004
MARCELO BERABA
Faltando uma semana para a eleição municipal, a manchete da Folha de DOMINGO é a pesquisa Datafolha: "Marta e Serra empatam na reta final". O "Globo" também trata de eleição, mas do bate-boca instaurado no Rio: "Lula diz que ação eleitoral de Garotinho no Rio é ilegal".
O "Estado" tem manchete econômica: "indústrias brecam novos investimentos". O grande investimento dominical do concorrente é um caderno especial ("Dossiê Estado - Alerta São Paulo") sobre a pobreza em SP, com indicadores levantados e analisados pelo Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).
As revistas:
"Veja": "O avanço da elite no campo - Quem são e como vivem os brasileiros da fatia do país à prova de crise";
"IstoÉ": "Greves - Ninguém quer esperar o bolo crescer";
"Época": "Na casa da mamãe" - Cada vez mais filhos trintões e quarentões vivem com os pais".
As manchetes de hoje:
Folha: "IBGE mostra quais serviços subiram acima da inflação" (pesquisa encomendada pelo jornal);
"Estado": "Governo quer classificação melhor para investimentos";
"Globo": "PMDB desautoriza ameaça de Garotinho a adversários".
DOMINGO
Editorial
O editorial "Islã e terror" praticamente copia os parágrafos 1º, 2º, 3º, 4º, 14º e 15º da reportagem "Radicalismo islâmico domina terror global", editada na pág. A18 de "Mundo". Não se pode falar em plágio porque é o jornal copiando o próprio jornal. Uma coisa é um editorial fazer uma reflexão sobre uma reportagem e usar informações ali contidas. Outra, é copiar trechos inteiros da reportagem, como neste caso. O editorial se preocupa apenas em buscar um ou outro sinônimo, nada mais.
Para quem se interessa pelo assunto e lê os dois textos fica a impressão de preguiça e de falta de reflexão.
Cony
> O botequim do Rio que os parentes e amigos do Cony querem conhecer quando visitam a cidade deve ser o Jobi, e não Job, como ficou grafado na sua coluna de ontem "Domingo de primavera" (A2).
Eleição
Achei descabida a entrevista em que o "amigo há mais de 50 anos de Fernando Henrique Cardoso" José Arthur Giannotti declara seu voto a José Serra e conclama o eleitorado a votar contra Marta Suplicy. A entrevista é impertinente a começar pelo título, "Se PT perde, democracia ganha, diz filósofo", que procura dar à declaração de voto às vésperas da eleição um caráter de reflexão filosófica ou política.
A entrevista só faria sentido jornalístico se fosse editada junto com declarações de votos para os outros candidatos feitas por intelectuais igualmente célebres e engajados, como o Giannotti. Tal como saiu, sem um "outro lado" do PT ou do governo petista, sem uma entrevista com um intelectual que trouxesse um ponto-de-vista diferente, sem qualquer contraditório, acabou sendo apenas uma peça publicitária da campanha do Serra. E reforça o ambiente de chantagem eleitoral que tomou conta do país.
A mesma Folha, que criticou com razão o discurso de Marta Suplicy quando ela tentou chantagear o eleitorado ameaçando com o caos político no caso da vitória de José Serra, deveria ter refletido antes de publicar esta entrevista sem contraponto. O tom é igualmente apocalíptico e chantagista.
Mesmo que fosse um artigo, exigiria, a meu ver, nesta altura da campanha, a edição conjunta de um outro artigo com uma leitura distinta do momento político.
Considero um erro da Folha.
"Eleições 2004"
O jornal informa, na página Especial 11, que o ex-governador Anthony Garotinho "não quis comentar" as críticas feitas pelo ministro Tarso Genro em nome do presidente Lula ("No Rio, Tarso critica ameaça de Garotinho"). O "Globo", que deu manchete para o assunto ("Lula diz que ação eleitoral de Garotinho no Rio é ilegal"), conseguiu ouvir o ex-governador: "Garotinho respondeu que Lula não tem credibilidade para cobrar porque discrimina o Estado do Rio".
Paraolimpíada
Título para inglês ver na página D7 de "Esporte" de ontem: "EUA apostam em sprint contra vexame".
O uso de palavra estrangeira, no caso, é desnecessário e torna o texto incompreensível para alguns leitores, e pedante para outros. O termo "sprint" não consta da lista de estrangeirismo do "Manual" (pág. 335).
SEGUNDA
Mercosul
A Folha informa, na pág. A10 de "Mundo", que "Mercosul envia nova proposta a europeus" e que "bloco espera oferta da EU (União Européia)". "Valor", no entanto, já antecipa que "Negociações UE-Mercosul enfrentam novo impasse". O texto da Folha, da Redação, praticamente reproduz uma nota do Itamaraty; o do "Valor", enviado de Genebra, é mais rico, analisa e contextualiza as negociações, e não se limita às informações oficiais do governo brasileiro.
"Eleições 2004"
Está incorreto o título da capa do caderno especial, "Cabos de Marta usaram broches de Lula em inauguração". Se fossem broches de Lula (ou seja, com a imagem dele ou algo parecido), seria apenas um material de propaganda do governo. O que o jornal quis apontar como grave, na verdade, foi o uso do broche da Presidência da República que garante trânsito livre nas cerimônias com a presença do presidente. Portanto, o título deveria se referir à Presidência e não a Lula.
Chamo a atenção da editoria para um detalhe. A reportagem da capa de hoje ("Cabos de Marta usaram broches de Lula em inauguração") é baseada na petição enviada pelo PSDB para a Justiça Eleitoral pedindo punições para Lula e Marta por conta da inauguração da extensão da Radial Leste no sábado retrasado, dia 18. Todas as informações que constam da petição e que provariam, além do discurso presidencial, o uso eleitoral da solenidade poderiam ter sido observados pelo jornal no dia da inauguração. Cabos eleitorais com broches da Presidência da República, operário da obra com capacete com propaganda do PT, equipe da Marta gravando, instalação de faixas e cartazes da campanha, chegada de peruas da campanha, isso tudo poderia ter sido observado pela cobertura e registrado no jornal. Não sei se provam crime, mas reforçam o seu uso eleitoral. A nossa reportagem se limitou a reproduzir o discurso do Lula (sem dúvida o aspecto mais importante do ato) e a registrar que a "platéia era formada basicamente por operários que trabalharam na obra e por militantes petistas". Mas não olhou em volta.
> A inauguração da extensão da Radial Leste foi no sábado, 18, e não no dia 19, como informa o primeiro parágrafo da reportagem principal da capa do caderno especial ("Cabos de Marta usaram broches de Lula em inauguração").
"Estado" e "Globo" ainda investem hoje nas ameaças do casal Garotinho aos candidatos do PT a prefeituras fluminenses. Os ataques continuaram ontem. No "Estado": "Não negociarei com prefeito do PT, diz Rosinha". E no "Globo": "Ameaças constrangedoras - Cúpula do PMDB critica casal Garotinho por prometer retaliação a adversários".
A crítica interna é de responsabilidade do ombudsman Marcelo Beraba. Circula diariamente na Redação da Folha e na Empresa Folha da Manhã S/A
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