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28/09/2004
MARCELO BERABA
Sumiu da primeira página da Folha, faltando cinco dias para a disputa pelas prefeituras, o noticiário eleitoral. O "Estado" dá bem fotos de Marta Suplicy e José Serra em campanha e duas chamadas: "Marta desafia TRE e repete acusações a FHC" e o resultado do Ibope, "Serra tem 37% e Marta, 35%". O "Globo" também destaca as pesquisas Ibope na cidade ("Rio ainda não sabe se terá 2º turno"), em SP e em Nova Iguaçu.
Mas os destaques maiores destes jornais foram as greves.
Folha: "Judiciário paulista põe fim à greve após 91 dias" e "Lula decide cortar ponto dos grevistas de BB e CEF". Ainda tem fotos do enfrentamento de servidores do Judiciário e advogados e de avião da Vasp no solo.
"Estado": "Acaba a maior greve do Judiciário de SP".
"Globo": "BB e CEF cortam ponto de grevistas". O jornal do Rio também noticia o fim da greve do Judiciário de SP.
"Valor" mantém foco nas negociações comerciais: "UE acha insatisfatória a nova oferta do Mercosul".
Observação: por problemas no sistema de transmissão do jornal, a Crítica Interna de ontem foi distribuída com atraso, e a de hoje, feita sem a leitura das edições SP da Folha e do "Estado".
Greve do Judiciário
Terminou ontem, depois de três meses, a maior greve do Judiciário de SP.
A impressão que ficou, acompanhando o noticiário e através de e-mails de leitores, é que ela foi mal coberta pela Folha.
A greve começou no dia 29 de junho e a primeira notícia saiu no dia 3 de julho. Era uma nota curta, enviada por um free-lance de Ribeirão Preto:
"Greve de servidores em Araraquara e Ribeirão pára registro de 400 candidatos" [referência às eleições municipais].
No dia 9 saiu a primeira notícia mais completa sobre a greve, com informações sobre suas motivações, número de grevistas envolvidos e primeiras conseqüências para a cidade e para o Estado. As notícias continuaram raras e curtas, e não permitiram aos leitores dimensionarem o tamanho do problema que foi sendo criado.
O jornal começou a dar visibilidade para a greve apenas quando ela completou dois meses e passou a ser acompanhada com um pouco mais de regularidade.
A impressão que ficou é que o jornal não soube dimensionar os transtornos para os paulistas e tratou a paralisação apenas como um enfrentamento corporativo.
Esta é a minha impressão. Se a Redação tem outra avaliação, gostaria de conhecê-la.
O noticiário de hoje na Edição Nacional mostra a dificuldade que temos para fazer este tipo de cobertura. Ele está centrado nas negociações finais, nas ameaças dos serventuários, e no enfrentamento entre grevistas e advogados. Mas o que interessa de fato para os leitores, além das informações sobre as negociações, é saber como se dará o restabelecimento dos serviços na Justiça. Segundo o "Estado", e a Folha deveria ter registrado este balanço, 12 milhões de processos estão parados, 450 mil audiências foram suspensas e 1,2 milhão de novas ações estão acumuladas e aguardam o início da tramitação. Como se dará este processo? Como a população que recorre ao Judiciário será tratada?
Esta greve foi um desgaste para os serventuários, para a Justiça, para o governo do Estado, e foi, principalmente, um grande desgaste para a população. E isso o jornal não enfoca na sua Edição Nacional.
A coluna do Luís Nassif ("A vez do governador", pág. B3 de "Dinheiro") aponta um caminho para a cobertura do jornal. A greve acabou, mas não os problemas do Judiciário paulista.
Outras greves
As coberturas das greves dos funcionários da Vasp (capa de "Dinheiro" da Edição Nacional) e dos bancários (B3) sofrem do mesmo problema da falta de serviços para os usuários da companhia aérea e dos serviços dos bancos. O que devem fazer? As coberturas estão centradas nas questões sindicais, nas negociações e nos conseqüências para a economia.
Apagão
> Afinal, quanto tempo durou de fato o apagão que afetou ontem os estados do Nordeste?
A primeira página informa que começou às 10h37 e se estendeu até 11h32. A capa de "Cotidiano" (Edição Nacional) informa que começou às 10h38.
Quando terminou?
Não há um critério definido, mas não foi às 11h32. A fábrica Alumar voltou a ter energia às 10h44 (seis ou sete minutos depois do começo do apagão); as residências, às 11h40; e somente às 13h50 o fornecimento foi normalizado para as indústrias.
Eleição
Bom o editorial de hoje sobre a falta de escrúpulos generalizada na campanha eleitoral, "Atitude republicana" (A2). O jornal se posiciona contra um dos escândalos que marcaram esta campanha, a chantagem praticada, no Rio e em São Paulo, pelo PSDB, PT e PMDB.
A Redação vem cobrindo, no geral bem, estes episódios no varejo. Acho que vale, no entanto, voltar jornalisticamente ao assunto mostrando que foi uma das características desta eleição. Talvez valha ouvir algum cientista político com algum distanciamento.
Bienal
Publicada na edição de hoje, a cobertura do primeiro dia da Bienal, domingo, pareceu velha.
Isso porque o próprio jornal já tinha publicado ontem, em "Cotidiano" ("26ª Bienal começa com pichação e atraso", pág. C6 da Edição SP da "Ilustrada"), um alto de página com as principais informações destacadas no texto de hoje ("Público recorde abre a Bienal de São Paulo"). Também ontem o "Estado", mais ágil, já havia publicado a cobertura do primeiro dia, na capa do seu "Caderno 2", e com título parecido com o da "Ilustrada" de hoje: "Milhares de pessoas já foram à Bienal".
O jornal deveria ter aproveitado melhor o espaço. Com a própria Bienal.
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