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29/09/2004
MARCELO BERABA
Chapa quente no Rio. "O Dia" é quem reflete melhor as últimas 48 horas da cidade:
"Maninho fuzilado - Bicheiro saía de moto de academia em Jacarepaguá quando foi assassinado";
"Providência: execução derruba seis policiais - Flagrante do 'Dia ' em operação no morro faz governo afastar delegado e equipe";
"Arrastão no Leblon".
Tudo com fotos.
A violência no Rio ocupa todo o alto da capa do "Globo" (fotos do arrastão na praia e a manchete: "À luz do dia e no Leblon. O que falta mais?") e da Folha (as fotos do "Dia" que mostram moradores da Providência rendidos e, na seqüência, um corpo sendo levado por policiais). A manchete da Folha, no entanto, é uma pesquisa: "Empresa prefere hora extra a abrir vaga".
Manchete do "Estado": "Metade das empresas confessa ter pago propina no Brasil, revela Bird". Do "Valor", que pelo terceiro dia destaca as negociações comerciais: "UE recua e pode frustrar acordo com o Mercosul".
Eleição
A entrevista com o economista Paul Singer ("Marta não fala, mas é de esquerda, diz Singer", pág. A6 de "Brasil") é uma declaração de voto em Marta Suplicy. "Compensa" a entrevista publicada no domingo em que o filósofo José Arthur Giannotti declarou voto em José Serra.
Singer capta bem a principal característica desta eleição ao rotulá-la de "disputa de patrocínio". O jornal venha cobrindo bem o varejo desta disputa por "padrinhos" ou "patrocinadores" (fenômeno que não ocorre só em SP, embora na cidade tenha tido mais visibilidade por conta dos personagens envolvidos, todos presidenciáveis). Mas deveria, no balanço que certamente fará do primeiro turno, dar uma atenção especial a este fenômeno. Ele não é novo, mas nesta eleição teve um peso ainda maior.
"Eleições 2004"
O Datafolha fez pesquisa dia 23 em Fortaleza, e com uma margem de erro de 3 pontos percentuais. O jornal prefere, no entanto, usar, no quadro da página 2 do caderno especial, a pesquisa do Ibope, que não é tão atualizada (começa dia 21) e tem margem de erro maior. A pesquisa da Folha coloca os três primeiros colocados (Cambraia, Moroni e Inácio) em empate técnico.
A reportagem "Lindberg já se vê como liderança estadual no Rio" (pág. 4 do caderno Especial na Edição Nacional, e apenas um texto-legenda na Edição SP) é daquelas que exigem a idade dos personagens. Ao revelar as ambições eleitorais do petista para 2010 e prever uma disputa dele com o prefeito César Maia, o texto deveria ter informado quantos anos os dois terão naquela data.
Varejo
A arte "Quem mudou e o quê", que ilustra a reportagem "Indústria relança produtos e eleva preços" (pág B8 de "Dinheiro"), deveria ter trazido, em relação aos cinco produtos que enumera, os preços que tinham antes das mudanças que sofreram e os de agora, com o percentual de aumento de cada um. Como está, contém apenas as explicações das empresas para as mudanças e informações vagas sobre os aumentos.
Fora da lei
> A arte "Mortes em confronto com a polícia", que ilustra a reportagem "Polícia é acusada de matar jovens rendidos" (capa de "Cotidiano"), informa que os números expostos são "médias anuais" do crime de auto de resistência no Rio. Acho que são "médias mensais". A verificar.
Bienal
Recebi, do editor de Ilustrada, Cássio Starling Carlos, via SR, resposta ao meu comentário "Bienal", na Crítica Interna de ontem:
"Concordo que a impressão é de que o "Estado" tenha sido "mais ágil" na publicação da cobertura de Bienal na capa do "Caderno 2" e que o material da Ilustrada de terça pareça velho. O que o leitor da Folha não sabe (e deveria saber) é que isso se deve a limitações industriais. Ou seja, se o critério for pouca agilidade, sinto lembrar que a causa deve ser procurada em outra freguesia, não na redação.
Diante disso, a decisão editorial foi privilegiar a notícia (relativa à pichação da obra de Jorge Pardo; um furo interessante, aliás, divulgado ainda ontem à tarde por agências internacionais com citação à Folha como fonte) no espaço reservado pelo jornal na edição de segunda, em Cotidiano.
Mas essa diferença o ombudsman não registrou.
Segundo: se o ombudsman ler com a devida atenção o material publicado na Folha na edição de segunda perceberá que não havia ali as principais informações do texto publicado hoje (o número de público era parcial, e o essencial do texto _a reação dos visitantes às obras_ nem sequer era citado, por exemplo). Conclusão: devíamos o balanço ao nosso leitor.
Terceiro: a propósito de o título da "Ilustrada" e do "Caderno 2" parecer "parecido": no nosso título de terça, enfatizamos que os tais "milhares" a que o "Estado" se referiu tinham um significado mais preciso ("recorde").
Neste caso, fico com a impressão (enquanto leitor) que "milhares" é uma palavra tão vazia de precisão quanto "pareceu" e "parecido".
Se o essencial do texto era "a reação dos visitantes às obras", que isso fosse valorizado pelo editor na abertura e no título da reportagem. Ele preferiu, no entanto, abrir com uma informação velha --a quantificação do público. É uma pena que até mesmo um caderno cultural tenha de se render a números e recordes de público que não têm qualquer importância e que, com maior ou menor precisão, já haviam sido registrados pela Folha e pelo "Estado" na véspera. O tal recorde valia, no máximo, um box. A reportagem segue interessante depois que se vence um título envelhecido e uma abertura relatorial.
Tem razão o editor: "pareceu" e "parecido" são termos vazios de precisão.
Vou ser mais preciso: o editor não soube orientar a abertura da reportagem e fez com que se tornasse velha. O ombudsman quis ser educado e pareceu impreciso.
Gostaria de saber da Redação o que o editor quis dizer com esta passagem: "Ou seja, se o critério for pouca agilidade, sinto lembrar que a causa deve ser procurada em outra freguesia, não na redação". Em que freguesia o ombudsman deve procurar a causa da pouca agilidade da "Ilustrada"? No Industrial? Não me consta que esta diretoria esteja fazendo os títulos e as aberturas das reportagens da editoria.
Quanto a registrar a pichação na edição de segunda, é o mínimo que se podia esperar da editoria.
A editoria foi ágil ao publicar hoje entrevista com o autor da obra pichada no domingo ("Artista diz que ter obra pichada é 'positivo'", pág. E3). Fica aqui o registro.
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