Ombudsman Folha   Folha Online
 
01/10/2004

MARCELO BERABA

Terror em Bagdá e na faixa de Gaza, os últimos debates na TV, a previsão de inflação e crescimento, a proibição do antiinflamatório Vioxx - são estes os principais assuntos das capas dos principais jornais. Folha e "Estado" foram os únicos que optaram pelo atentado em Bagdá. Têm capas bem parecidas, na Edição Nacional, por conta da foto principal (pai carrega no colo o corpo do filho morto no atentado) e de suas manchetes: "Atentado mata 34 crianças em Bagdá" (Folha) e "Explosões matam 34 crianças em Bagdá" ("Estado").

O "Globo" optou por manchete e fotos dos debates eleitorais no Rio, em SP e nos EUA. A manchete: "Ofensas marcam último debate eleitoral no Rio - Conde e Cesar trocam acusações e adversários do prefeito lutam pelo 2º turno".

Praticamente todos os jornais regionais que consultei (www.newseum.org) deram manchete para os últimos debates e pesquisas antes da eleição de domingo. Como alguns jornais trataram os debates: "Marta e Serra partem para o confronto" (Folha), "Confronto entre Serra e Marta esquenta debate" ("Estado") e "Último debate foi show de baixaria" ("O Dia", do Rio). Quase todos os jornais, pequenos e grandes, destacaram a retirada do Vioxx do mercado com a informação de que eleva o risco de infarto. Uma exceção foi a "enfoque econômico" do "Valor": "Merck perde o Vioxx e US$ 26,8 bi".

"Tendências/Debates"

É bom que a Folha estimule polêmicas, como fez esta semana em relação à participação de Lula na campanha eleitoral. Publicou, na terça, um artigo do senador Jorge Bornhausen ("Sabotagem contra a democracia") e, ontem, uma resposta do presidente do PT, José Genoíno ("Uma democracia sabotada"). Hoje, Bornhausen volta às páginas do jornal, com uma réplica ao artigo de ontem ("Sabotagem, sim"). Como se trata de um tema eleitoral, o correto é que o jornal dê igual espaço para a tréplica antes da eleição. Ou encerre a polêmica como orienta o "Manual": as partes "terão apenas mais uma oportunidade e igual número de linhas para se manifestar e publicar essas manifestações lado a lado".

"Eleições 2004"

Ao optar por não abrir a Edição São Paulo da cobertura eleitoral com o último debate na TV, o jornal "esfriou" o seu o caderno especial "Eleições 2004".

"Redutos malufistas devem decidir 2º turno" é uma análise de pesquisa interessante, mas que não tem a força jornalística do relato de um debate que foi marcado, segundo o próprio jornal descreve, pela "colisão frontal" entre Marta Suplicy e José Serra. Além disso, o debate foi o último grande fato da eleição, enquanto a pesquisa é um retrato do quadro eleitoral de quarta-feira e que estará completamente mudado quando ficar definido o segundo turno. Ela deveria ter sido bem dada, mas não na capa.

Estão muito parecidas as coberturas do debate de ontem à noite feitas pela Folha e pelo "Estado". A Folha tem duas diferenças a seu favor: os comentários do colunista Nélson de Sá e do chargista Jean deram o tom crítico ao noticiário.

Um dos problemas ao longo da cobertura eleitoral, na minha opinião, foi a escassez de análises e comentários críticos.

O jornal, acertadamente, escalou dois colunistas qualificados (Demétrio Magnoli e Nelson Ascher) para assistirem e analisarem o debate entre Kerry e Bush nos Estados Unidos (pág. A10 da Edição SP). Por que não fez o mesmo em relação à eleição municipal, mais próxima e que toca diretamente nos interesses dos seus leitores?

Era completamente descartável, tanto que o jornal derrubou na Edição SP, a reportagem "Jingles de uma nota só" (pág. Especial 4 da Edição Nacional). É uma reportagem bem feita, mas fria e já fora de época, uma vez que a eleição está praticamente encerrada. Teria caído bem há uma ou duas semanas.

O espaço teria sido mais bem aproveitado se destinado a mais relatos e análises das últimas horas da campanha em várias cidades com disputas acirradas e indefinidas.

Aliás, a Edição Nacional do caderno está quase toda "gelada", ou seja, com reportagens interessantes mas atemporais.

Brasil

A reportagem "Procuradoria processa fazendeiros de Unaí" (pág. A6) não informa que um dos irmãos Mânica, Antério, é candidato a prefeito da cidade e tem veiculado, nas rádios e TVs, mensagem de apoio que recebeu do vice-presidente da República, José Alencar. São informações relevantes, não?

O "Estado" continua investindo na questão nuclear e nas pressões da Agência Internacional de Energia Atômica. A Folha continua minimizando o assunto.

Kerry x Bush

A cobertura da Folha está melhor do que a de seus principais concorrentes. Tem, além do relato do debate, as análises de dois colunistas do jornal e a reprodução de vários trechos do enfrentamento.

"Dinheiro"

O "Globo" informa que o governo quer reativar a Telebrás para vender serviços de satélite.

A notícia é a mesma nos dois jornais, Folha e "Estado", mas os títulos não batem: "Estimativa de inflação maior não afeta juro" (Folha) e "Projeção de inflação maior eleva juros futuros" ("Estado").

"Cotidiano"

Está bem feita e completa a reportagem da Folha sobre a suspensão da venda do antiinflamatório Vioxx.

     
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