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14/10/2004
MARCELO BERABA
As manchetes dos principais jornais:
Folha: "Datafolha mostra razões de rejeição a Serra e Marta". Tem ainda chamadas fortes para o último debate presidencial nos EUA e para levantamento sobre desemprego fora das metrópoles.
"Estado": "Só 9% dos jovens até 24 anos estão na universidade".
"Globo": "Polícia mata chefe do tráfico mas guerra pode aumentar". Outro destaque: "Miséria cresceu no 1º ano de Lula", estudo da FGV.
Fotos na Edição SP da Folha e do "Estado", com o mesmo título óbvio ("Em branco"), são de Ronaldo, no empate com a Colômbia.
"Eleições 2004"
Segundo a pesquisa do Datafolha, "Marta é rejeitada pelas taxas; Serra, por sua atuação na saúde" (pág. A4). Dos que rejeitam Serra, 23% o fazem por que não aprovam sua atuação na área de Saúde. Entre os que rejeitam Marta, a razão principal (25%) é a criação de taxas.
É correto, sob o ponto de vista jornalístico, que o jornal relembre com destaque as taxas criadas e aumentadas por Marta, como faz na arte "Razões da rejeição e do voto em São Paulo", na mesma página A4. Não entendo, no entanto, por que não informa igualmente as razões pelas quais uma boa parte dos paulistanos entrevistados não aprovam a atuação de Serra na área de saúde, que dirigiu como ministro durante quase quatro anos. O correto, neste caso, teria sido destacar os pontos fracos dos dois candidatos, e não apenas de um.
Este tipo de procedimento, sem qualquer lógica jornalística, tira a força da cobertura crítica da Folha.
O jornal perde, mais uma vez, a oportunidade de discutir os problemas concretos que afligem a cidade. As razões espontâneas de rejeição eram um bom "gancho" (oportunidade) para a discussão da questão das taxas e da questão da saúde. Artigos como "O bilhete único não dá prejuízo; mas, se der, é ruim?", publicado ontem, que junta informações com questionamentos fundamentados, são um caminho que o jornal reluta em seguir. Hoje, com o detalhamento da pesquisa sobre rejeição, tinha uma boa oportunidade de fazê-lo.
O jornal continua a priorizar a cobertura de apoios para o segundo turno e de ataques mútuos entre as candidaturas.
"Mundo"
Está bem editada a cobertura do último debate entre os candidatos à Presidência dos EUA.
O "Estado" comete um erro grave ao atribuir a Bush a frase em que Kerry cita a filha lésbica de Dick Cheney (arte "Fala Bush" da pág. A20).
Justiça
A Folha ignora a visita, iniciada ontem, do relator especial da ONU que fará uma avaliação do Judiciário brasileiro. A última visita de um observador da ONU foi tensa. Esta vem sofrendo resistência desde que foi anunciada. O "Estado" tem editorial contra a inspeção da ONU, "Uma visita dispensável".
"Dinheiro"
São ruins a foto e a legenda da pág. B6 que ilustra reportagem sobre a Vasp. O texto diz que "funcionários da Vasp chegam ao Planalto para encontro com ministro da Defesa", mas a foto mostra em primeiríssimo plano um aeroviário com a cabeça cortada.
Guerra sem trincheira
A Folha deveria ter sido mais crítica na cobertura da morte do traficante Irapuan Lopes, o Gangan. Segundo o jornal, "Para polícia, morte desarticula tráfico" (título da segunda retranca da cobertura).
Quantas vezes os governos Garotinho, Benedita e Rosinha anunciaram, ao prender ou matar um traficante que consideravam importante, que o tráfico seria desarticulado? Era só ir ao Banco de Dados. Nenhuma prisão ou morte desarticulou até agora o tráfico, tanto que continua dominando as favelas e colocando a PM para correr, como aconteceu anteontem no Méier.
A Folha informa, na reportagem principal ("Líder da ADA é morto pela polícia no Rio"), que o chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, comandou pessoalmente a operação de cerco e morte do traficante. "Globo" e "Estado" dizem que a operação foi comandada por dois delegados.
"Esporte"
Quanto foi o jogo Itália x Belarus pelas eliminatórias? Segundo a Folha ("Scolari afasta crise com 7 gols contra a Rússia", pág. D4 da Ed. SP), "a Itália (...) sofreu para bater Belarus em jogo de sete gols em casa. (...) Totti e Gilardino marcaram para a Itália". E o resultado? O leitor tem de ir à página D2, no "Placar", para saber.
Assim como tem de voltar à capa do caderno se quiser saber como ficará a classificação das eliminatórias na América do Sul. Como a arte "A classificação" (pág. D4) não informa o número de jogos de cada equipe, o leitor tem de voltar à capa para lembrar que Venezuela e Equador têm um jogo a menos e se enfrentam hoje.
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