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15/10/2004

MARCELO BERABA

Várias mudanças tornaram a capa da Edição São Paulo da Folha mais quente (em termos de fotos e notícias) e mais bem arrumada em relação à Edição Nacional. A manchete permaneceu a mesma: "Gasolina sobe; Palocci indica nova alta".

A manchete do "Estado" é sobre o Iraque ("Ataque mata 10 no QG dos EUA em Bagdá") e a do "Globo" sobre a operação da Polícia Federal ("PF prende 21 acusados de tráfico internacional").

Como os jornais trataram o debate na TV Bandeirantes, ontem à noite, entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo:

Folha: "Serra e Marta fazem debate agressivo";

"Estado": "Marta e Serra fazem guerra de nervos em debate";

"Globo": "Debate esquenta campanha em SP";

"Diário de S. Paulo": "Serra e Marta fazem debate de verdade" (parece uma crítica aos debates de outra emissora);

"Valor" (manchete interna, sem chamada na capa): "Serra cobra corte social em 2005 e Marta, o bilhete único no metrô".

"Eleições 2004"

Assisti a uma boa parte do debate de ontem entre os candidatos de SP e achei bons os relatos, na Folha, das tensões que marcaram os enfrentamentos entre Serra e Suplicy, na telinha e nos bastidores. O texto principal se fixou, corretamente, no enfrentamento direto entre os candidatos, nas suas reações.

Mas faltou, na edição, um destaque jornalístico para os principais pontos colocados em discussão: túneis da Faria Lima, recursos federais para SP, taxas e impostos, gestão do Serra na Saúde, cortes nos programas sociais, bilhete único e metrô e outros. Ao não fazê-lo, o jornal mais uma vez privilegia a cobertura do comportamento e do desempenho dos candidatos, e não ajuda o (e)leitor a encontrar suas próprias conclusões sobre os pontos em discussão. Pego carona na análise do Marcelo Coelho: "Questões concretas foram discutidas, com mais profundidade do que de hábito, ainda que aparecessem poucas soluções. Talvez não existam mesmo..."

Para cada questão levantada, os dois candidatos tinham informações que pareciam contraditórias, que aparentemente se anulavam. Quem está certo? Os dois? Nenhum? Há soluções para os problemas levantados? Quais?

É evidente que, pelo horário, seria impossível aprofundar a discussão e, imagino, em algum momento o jornal o fará. Mas a edição de hoje já poderia ter trazido, em forma de texto ou de arte, um apanhado dos principais problemas levantados, e as posições dos dois candidatos.

Quando o jornal vai dedicar espaço às "questões concretas" de São Paulo?

Barril de pólvora

É um exagero, principalmente em um jornal que economiza papel, como a Folha, destinar quatro páginas, sendo uma inteira, para o aumento da gasolina.

É o dobro do espaço destinado pelo "Estado", que tem um caderno com duas páginas a mais do que o "Dinheiro" da Folha.

Bancários

Ok, a greve dos bancários acabou, como informa o jornal na pág . B7. Mas não deveria ter sido feita uma reportagem de serviço para orientar os leitores prejudicados com a greve, privados de serviços bancários (pagamentos atrasados, pensões)? O que devem fazer agora? Ou a greve já não tinha mais qualquer conseqüência prática na vida das pessoas?

"Esteira livre"

Está pobre a cobertura da Folha sobre o desmonte da rede de tráfico que agia no aeroporto internacional do Rio. Faltou memória (o caso remete à quadrilha que usava aviões da FAB para o envio de drogas), faltaram detalhes das funções e personagens envolvidos, faltou a repercussão junto ao governo (o ministro da Justiça falou), faltou explicar melhor a história do tráfico de armas.

> Na Edição Nacional, o jornal informa na primeira página que a Polícia Federal prendeu 21 acusados de tráfico no Rio e no Paraná. A reportagem "PF desmonta rede de tráfico em aeroporto", na capa de "Cotidiano", informa, no entanto, que foram presos 23 pessoas. Na Edição SP não há esta discrepância.

     
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