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18/10/2004

MARCELO BERABA

A grande novidade do fim-de-semana foi a implantação do novo projeto gráfico do "Estado". Como o próprio jornal informa, "a meta é tornar leitura mais prazerosa, com mais informações sobre tendências em tecnologia, entretenimento e a vida de pessoas e empresas". A manchete trata do peso da carga tributária sobre os negócios: "Dívida fiscal sufoca empresas". Não há nenhum furo relevante, mas um nítido investimento em viagens.

Outras manchetes de domingo:

Folha: "67% acreditam que Serra vencerá" (pesquisa Datafolha);

"Globo": "Doze vereadores eleitos respondem a processos";

"Correio Braziliense": "Exclusivo - Herzog, humilhação antes do assassinato";

"Veja": "Os intocáveis - A guerra do grupo de agentes de elite contra o crime organizado e a corrupção na própria Polícia Federal";

"Época": "Células vivas - Como os embriões podem gerar tratamentos para males cardíacos, paralisia, diabetes, câncer e Alzheimer";

"istoÉ": "A força da célula-tronco".

Manchetes de hoje dos dois jornais de São Paulo:

Folha: "Analistas apostam em alta de juros até 2005";

"Estado": "Burocracia bloqueia investimento de US$ 16 bi".

Reforma do "Estado"

O "Estado" apresentou domingo seu novo projeto, com mudanças gráficas, morfológicas e temáticas.

O jornal ficou mais leve, o que não era difícil de se obter em relação ao projeto anterior.

O uso abundante de fios e cores nas vinhetas e chamadas lembra outros projetos da mesma "Cases i Associats".

Com as mudanças, "Estado" e Folha ficaram bastante diferentes nestas edições de domingo e de hoje, o que é bom para os dois, que vinham editando capas muito parecidas.

A reforma, independentemente de seus defeitos e obviedades, é positiva para o "Estado". Demonstra para o mercado de São Paulo, maior centro consumidor de informações e publicidade, que o jornal está vivo.

A mensagem que tenta passar é a de que resolveu seus problemas internos de gestão e caixa, e está novamente no mercado com o objetivo claro de aproveitar a força de marketing da reforma para estimular a circulação.

O novo projeto juntou as seções destinadas aos leitores, o "Fórum de Debates" e o "Fórum dos Leitores". Não sei se por conta do corpo das letras ou pelo tamanho menor das mensagens, o certo é que o novo espaço acolheu, nos dois primeiros dias, mais correspondências dos leitores do que o habitual.

O jornal adotou cores nas páginas de opinião e estreou um chargista com traços fortes, Cau Gómez (se consegui entender a assinatura).

Quanto ao conteúdo, algumas observações:

- Não há furos relevantes, mas um esforço evidente --que ocorre sempre que os jornais anunciam mudanças-- de enviar jornalistas para produzir grandes reportagens, não necessariamente com novidades. Seus repórteres foram para o Ceará, Acre, rio São Francisco, Toledo (Ohio/EUA), Cabul (Afeganistão), Montevidéu, Catu (Bahia) e Brumadinho (Minas)

- Há uma ênfase na valorização do que as ongs gostam de chamar de "agenda positiva", ou seja, casos de sucesso.

- O artigo de Celso Lafer ("Pró-Serra") e a entrevista com o governador Geraldo Alckmin ("O governo Lula é ineficiente, centralizador e pouco ágil"), ambos sem contraponto, reforçam a opção tucana firmada em editorial de 3 de outubro ("O que está em jogo em São Paulo").

A Folha reagiu ontem com uma edição bem mais generosa em espaço do que o normal. Os dois jornais não economizaram papel. A Folha pulou das 172 páginas do domingo passado para 264 páginas; e o "Estado", de 164 para 272.

"Eleições 2004"

A Folha editou neste sábado sua melhor contribuição para a compreensão da disputa eleitoral em São Paulo. A manchete "Serra e Marta distorcem dados em debate na TV" e o quadro "A verdade de cada um", na página A6, questionam, pela primeira vez, os números e as críticas que os dois candidatos repetem como se fossem verdadeiros. Nem todos são, e os leitores não têm como saber, exceto se o jornal checar os dados, como fez no sábado. A iniciativa de sábado deveria se tornar uma rotina neste segundo turno.

"O Globo" também deu duas boas contribuições para que os (e)leitores reflitam sobre os resultados do primeiro turno. No domingo, a manchete foi um levantamento das fichas dos vereadores eleitos para a Câmara do Rio: "Doze vereadores eleitos respondem a processos". E hoje, outro levantamento, sobre prefeitos investigados pela Controladoria Geral da União: "Prefeitos reprovados em inspeção são reeleitos --Eleitores ignoraram desvios de verba e licitações fraudulentas".

Turismo

A Folha publica neste domingo duas reportagens sobre o Brasil como destino turístico. Uma, em "Cotidiano" ("Brasil é visto como destino turístico perigoso" e "Violência ainda não afetou venda de pacotes", na pág. C10), e outra, em "Dinheiro" ("Propaganda boca a boca atrai mais turistas", "Violência no Rio não muda plano de viagem", "Aumenta o investimento em hotelaria no Nordeste" e "Bahia deseja atrair negros dos Estados Unidos", B16). As reportagens se complementam, e é estranho que estejam separadas.

Pareceu-me excesso de espaço para o assunto e falta de coordenação.

A crítica interna é de responsabilidade do ombudsman Marcelo Beraba. Circula diariamente na Redação da Folha e na Empresa Folha da Manhã S/A

     
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