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20/10/2004
MARCELO BERABA
Herzog, Maluf e indicadores econômicos do IBGE são os assuntos que os principais diários destacam hoje. A Folha se rendeu, enfim, e tratou o caso Herzog, e os desdobramentos que vem tendo desde domingo, com a importância que merece.
Os títulos dos três principais jornais: Herzog - "Exército recua de nota sobre Herzog" (Folha, manchete), "Caso Herzog: Lula exige e Exército se retrata" ("Estado", manchete) e "Exército recua e retifica nota sobre Herzog" ("Globo"). Maluf - "Maluf é denunciado por evasão de divisas" (Folha), "Maluf vira réu por evasão de US$ 440 milhões" ("Estado") e "Maluf vira réu e sofre ação para devolver R$ 5 bilhões"("Globo", manchete). Indicadores econômicos - "Escassez de renda freia comércio, avalia IBGE" (Folha), "Emprego, confiança e renda crescem na indústria" ("Estado") e "Comércio e indústria dão motivo para alta de juros" ("Globo"). A chamada do "Valor" é semelhante à da Folha: "Renda freia o avanço do comércio".
Os três jornais têm fotos do caminhão carregado de pacotes com documentos do Ministério Público relativos às ações contra Maluf. O "Estado", com novo projeto gráfico, abre mais espaço para uma foto do Salão Internacional do Automóvel, que será inaugurado amanhã em SP.
Provável reação às reformas do concorrente, a capa de hoje da Folha destaca, com recursos gráficos, o suplemento "Informática" e duas histórias, em "Esporte" (a taróloga de Bernardinho) e "Mundo" (o diário de Helga Deen).
Manchete do "Valor": "Investigação de fraudes ganha mercado no Brasil".
Herzog
A história do cabo Firmino ainda está mal contada pelo jornal. Os textos de hoje na Edição Nacional ("Ex-cabo que repassou fotos diz sofrer ameaças", A6) e na Edição SP ("Exército esperava que a morte fosse esquecida", A7) deixam mais dúvidas do que esclarecem.
O "Correio Braziliense" traz uma relação de arapongas que trabalhavam no Distrito Federal no mesmo período do cabo Firmino (até 95) e mais detalhes sobre as espionagens. Tem ainda uma entrevista com Clarice Herzog, viúva de Vladimir, e um bastidor que não vi nos outros jornais: o Exército teria desencadeado, ao longo do dia de ontem, através de sua assessoria parlamentar, uma operação junto a políticos para neutralizar a repercussão negativa da primeira nota que divulgou.
O "Estado" publica artigo de Flávio Tavares: "O exemplo dos militares argentinos". Ontem, publicou de Luiz Weis ("Onde se entrava vivo para sair morto").
A crise aberta pela primeira nota do Exército provavelmente está superada. Mas a pressão pelo acesso aos documentos e arquivos do Exército certamente se intensificarão.
"Eleições 2004"
O "Globo" continua cobrindo bem a eleição em Campos, origem política do casal Garotinho e onde está ocorrendo uma disputa pesada. Segundo o jornal, "Rosinha transfere gabinete para Campos" e "lançará projetos para a região às vésperas do segundo turno da eleição". A Folha tem acompanhado a campanha na cidade, mas talvez devesse seguir mais de perto pelo que está em jogo para o PMDB.
Mercosul em crise
Na entrevista "Presidente do Uruguai critica Celso Amorim" (pág. B10 de "Dinheiro"), Jorge Batlle diz que as "expressões" usadas pelo chanceler brasileiro chamaram a atenção dele e que nunca tinha escutado um chanceler brasileiro se referir pessoalmente a um candidato de outro país a qualquer cargo naqueles termos.
Que expressões foram estas? Embora as duas reportagens sobre o assunto (a outra é "Brasil tem atitude 'lamentável', diz uruguaio") façam referências às críticas feitas a Carlos Pérez de Castillo, que disputa a diretoria-geral da OMC com um brasileiro, as aspas de Amorim não estão reproduzidas nas reportagens.
Pelo que havia entendido, as críticas não foram feitas por Amorim, mas por outro diplomata. É isso? Se sim, deveria ter ficado mais claro na conversa com o presidente uruguaio. E se o chanceler fez realmente as críticas, uma das reportagens deveria ter relembrado as aspas.
Mas, enfim, como diz um dos textos, tudo não passa de "duelo diplomático". O jornal tem o mérito de ter conseguido entrevistar o diplomata uruguaio que se sentiu ofendido e o presidente Batlle.
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