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01/11/2004
MARCELO BERABA
A Folha tentou dar, no título da capa, uma dimensão nacional aos resultados de ontem das urnas: "Serra é eleito em São Paulo; PT perde nas maiores cidades".
O "Estado" e o "Globo" preferiram destacar os resultados locais. Manchete do "Estado": "Serra é o novo prefeito de SP". Do "Globo", com letras que costumamos chamar de "garrafais": "Derrotas em Campos e Nova Iguaçu encolhem Garotinho".
No "Estado", as derrotas do PT estão diluídas, não aparecem consolidadas na primeira página. O "Globo" tem uma segunda manchete, com corpo menor e abaixo da dobra: "Fracasso em SP e no Sul abala o PT". O jornal do Rio começou a rodar com uma manchete mais "nacional", "Derrotas em SP e Porto Alegre ofuscam o crescimento do PT", mas trocou pelo enfoque local.
Outras manchetes com os resultados eleitorais: "Valor": "Oposição herda 74% das dívidas". "Diário de S. Paulo": "Serra prefeito". "JB": "PSDB vence confronto com PT". "Extra": "Comeram o Pudim do Garotinho". "Correio Braziliense": "Segundo turno reprova administrações petistas". "Zero Hora": "PT perde em Porto Alegre, Pelotas e Caxias - Fogaça é o prefeito". "A Tarde" (oposição a ACM): "Maior vitória no Brasil". "Correio da Bahia" (do ACM): "PT derrotado no país".
Entrevista
Também não entendi o que aconteceu com a entrevista de domingo do presidente do PT, José Genoíno. O jornal publica carta dele no "Painel do Leitor" de hoje (A3), mas não esclarece o que houve.
Genoíno tem razão quando escreve que a sua entrevista, contraponto à entrevista publicada domingo com Fernando Henrique Cardoso ("Pra FHC, vitória dará presença nacional a Serra"), não circulou em algumas edições da Folha. Mas, diferentemente do que informa o petista na carta, a Edição SP que recebi trouxe as duas entrevistas; já os exemplares da Edição Nacional que chegaram no Rio, na minha casa e na Sucursal da Folha, só traziam a entrevista com Fernando Henrique Cardoso.
Mas isso é o de menos. A entrevista do Genoíno, conforme ele informa na carta, foi dada na véspera. Havia tempo, portanto, para publicá-la, junto com a de Fernando Henrique Cardoso, nas duas edições do jornal. Ao não fazê-lo, o jornal ignorou o seu "Manual" e prejudicou o PT. E não consigo entender por que o jornal já não tornou público, no "Painel do Leitor" de hoje, através de nota da Redação, o que aconteceu neste caso.
Embora o missivista conclua a carta dizendo que aguarda um posicionamento do jornal através do ombudsman, a quem enviou a correspondência, se o jornal se sentiu na obrigação de publicá-la poderia ter poupado tempo e encaminhado a resposta publicamente.
Variedade
O jornal está bem servido, com vasto material sobre as eleições municipais brasileiras, sobre a eleição nos Estados Unidos e sobre celebridades e futilidades (casamento de Angélica e Luciano Huck). E ainda tem Larry Rohter.
"Eleições 2004"
A cobertura está boa. Está extensa (mesmo tamanho do "Estado"), com informações sobre todos os resultados, análises, entrevistas e projeções. Entre os três grandes jornais, o "Globo" destoa, na cobertura dos resultados no Estado do Rio, com uma linguagem própria de jornal popular: "Derrotas (...) encolhem Garotinho", "Garotinho fica ainda menor", "(...) Garotinho caiu do berço que o embalou durante 18 anos".
A Folha mostrou agilidade ao já trazer, na Edição SP, o "Raio X do voto em São Paulo" ("Marta só vence tucano nas franjas da cidade", Esp. 2), com o resultado do segundo turno por zona eleitoral e uma análise da distribuição dos votos.
Um ponto alto da cobertura é a página que aponta os principais problemas que o novo prefeito enfrentará assim que tomar posse, "Dívida de R$ 27,6 bi é a grande preocupação" (pág. 8). A arte, no entanto, teria ficado melhor se trouxesse com destaque e objetividade as promessas feitas por Serra durante a campanha para que o leitor possa acompanhar a gestão e cobrar. Como está, com texto corrido e analítico, repete um pouco o texto principal e não facilita a prestação de serviço. Embora informe que "a campanha de Serra foi marcada pela falta de promessas objetivas", a reportagem cita várias que poderiam estar destacadas na arte. No item "Saúde", por exemplo, não fica claro qual a promessa de Serra. O jornal prestará um grande serviço aos seus leitores se publicar, de forma objetiva, as principais promessas de campanha. É um caminho para ajudar na fiscalização da gestão e na educação política do eleitorado.
Outro ponto positivo é a consolidação dos resultados das 26 capitais e das 96 maiores cidades, e a evolução de votos por partidos (pág. 11).
> Acho que está errada a nota do "Tiroteio" ("Painel", pág. A2) da Edição Nacional: o primeiro prefeito do ciclo histórico do PT em Porto Alegre foi Olívio Dutra, e não Raul Pont, certo? Foi mudada na Edição SP.
Uruguai
O resultado das eleições municipais brasileiras e a expectativa em torno da eleição nos EUA acabaram por prejudicar a cobertura da eleição uruguaia. Pela novidade e pelo fato de o jornal ter feito o esforço de enviar uma jornalista para Montevidéu, a cobertura merecia mais espaço para o factual e para análises.
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