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03/11/2004

MARCELO BERABA

Sem segurança para projetar um resultado, a Folha optou por uma manchete insípida, mas neutra: "EUA têm recorde de eleitores e filas". Agiu com justificada cautela, mas poderia ter informado no título que a disputa estava acirrada, como fez na capa do caderno "O império vota".

O "Estado" confiou em uma única pesquisa para cravar, na edição que fechou às 21h, "Boca-de-urna aposta em Kerry". Na edição de 1h40 mudou a manchete: "Bush x Kerry: batalha dramática".

O "Globo" se baseou nas análises que garantiam que um comparecimento recorde de eleitores beneficiaria a candidatura Kerry: "Votação em massa anima Kerry". O "JB" foi na linha da Folha: "EUA comemoram votação recorde". "Valor" ignorou as eleições norte-americanas na primeira página.

"O Império vota"

Condicionada pela indefinição do resultado das eleições, a edição da Folha traz um panorama do que foi o dia de votação nos principais Estados e os relatos do dia dos candidatos. Como as TVs e os sites na Internet já tinham mostrado ontem, exaustivamente, imagens e impressões do comparecimento recorde e, hoje, amanheceram com o acompanhamento milimétrico das apurações, o que mais valeu a pena ler foram os poucos artigos que o jornal editou. Como as análises do comportamento da mídia ("Mídia dos EUA também racha na eleição" e a coluna "Toda Mídia", na pág. A14), da importância da eleição legislativa ("Pleito legislativo é vital para futuro dos EUA") e das divisões que marcam os EUA hoje ("Onda conservadora independe de Bush", na A17, "Quão profunda é essa divisão?", na A16, e, principalmente, a última coluna da série "On the road"). A série, que transportou o leitor da Folha através dos Estados Unidos nos últimos dias, foi uma diferença a favor do jornal.

Como ontem, seu principal concorrente, o "Estado", reserva mais espaço para a cobertura das eleições nos EUA. São nove páginas contra seis páginas e meia. Mas esta diferença de espaço não se transforma em superioridade editorial. As coberturas estão equilibradas, com vantagem da Folha nos artigos mais analíticos, e do "Estado" nos relatos do dia dos dois candidatos feitos por seus enviados especiais (a Boston, onde votou Kerry, e a Crawford, onde votou Bush).

O "Estado" inclui na cobertura um problema que supõe que permanecerá na agenda de contenciosos entre EUA e Brasil, qualquer que seja o presidente eleito: a usina de enriquecimento de urânio de Resende.

"Eleições 2004"

A Folha tem duas boas entrevistas na edição de hoje, com o governador Geraldo Alckmin (o "Globo" também fez entrevista com ele) e o secretário Valdemir Garreta, do PT. Embora desconhecido do grande público, Garreta é um quadro importante do partido e, por isso mesmo, seu ataque ao senador Suplicy tem importância e certamente terá repercussão. As duas entrevistas extraem revelações importantes para o jogo político de São Paulo: "Alckmin afirma ser 'inadmissível' Serra disputar as eleições em 2006" e "Suplicy ampliou preconceito contra martas, diz homem forte da prefeita".

O "Estado" parece estar mais bem informado sobre os primeiros passos do governo Serra na Prefeitura do que a Folha, embora esta traga reportagem sobre o futuro secretariado. Como tanto no "Estado" como na "Folha" as informações não são do próprio Serra (pelo menos não está identificado), é esperar para ver.

Embora tenha remissão para "Cotidiano", o noticiário sobre o comportamento do PT e do PSDB na futura Câmara de Vereadores perde força, e confunde o leitor, por estar dividido entre "Brasil" e "Cotidiano". O jornal deveria fixar critérios para juntar material afim.

Kroll

A Kroll e a Brasil Telecom publicaram hoje em vários jornais informes pagos em que, mais uma vez, colocam em dúvida informações publicadas pela Folha, que é citada nas duas notas. As notas coincidem com a intimação de envolvidos para depor na Polícia Federal. O "Estado" considerou que as manifestações eram notícia e publicou uma reportagem ("Brasil Telecom nega ter contratado espionagem"). Não vi nada na Folha.

Calhau

É muita falta de imaginação publicar mais uma vez a foto da estátua do touro em frente à Bolsa de Nova York. Não é possível que o jornal não tenha foto diferente e mais recente. Aliás, a foto publicada (pág. B4 de "Dinheiro") foi feita ontem? Se não, não deveria trazer a data no crédito?

"Cotidiano"

> Está errada a legenda da foto da página C8 da Edição SP (C4 na Edição Nacional) que mostra a caminhada pela paz em São Paulo.

"Ilustrada"

Não dá para entender do que tratam o título e a linha fina da capa da Ilustrada: "Preço dos ingressos vira lobo mau de festival --Evento é tido como caro se comparado a outros do porte, como o argentino Personal Fest". Que festival? Que evento?

A crítica interna é de responsabilidade do ombudsman Marcelo Beraba. Circula diariamente na Redação da Folha e na Empresa Folha da Manhã S/A

     
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