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17/11/2004
MARCELO BERABA
Algumas manchetes de hoje:
Folha - "Presidente do BB pede demissão";
"Estado" - "Condoleezza assume diplomacia dos EUA";
"Globo" - "Senado aprova reforma que agiliza e controla Judiciário";
"Valor" - "Fundos de estatais perdem milhões no Banco Santos";
"O Dia" - "Aumento da União não dá nem para o cafezinho - Servidores levam reajuste de 0,01%".
"Extra" - Servidor tem aumento de mentirinha: só 0,01%".
Reforma política
O jornal publicou na segunda-feira o artigo "Viva o povo brasileiro!", do advogado Fábio Konder Comparato, sobre a campanha para a aprovação de um projeto de lei "que desbloqueia o plebiscito e o referendo e reforça substancialmente a iniciativa popular legislativa". Noticiou ontem, com chamada na primeira página, o lançamento oficial da campanha, realizado no Rio na segunda-feira. Hoje, o assunto sumiu do jornal.
Era de se esperar que houvesse uma repercussão. O que pensam os partidos políticos e as principais lideranças políticas sobre a proposta? O que pensam cientistas políticos e especialistas que acompanham a vida política do país? O que pensam representantes da chamada sociedade civil? Estas regras funcionam em outros países? Aliás, o que pensa a Folha sobre isso?
O jornal tem apenas uma manifestação hoje sobre a proposta da OAB, na coluna de Clóvis Rossi, que assim a classifica: "a melhor iniciativa política em muitos anos".
O jornal não pode se guiar apenas pela agenda do Congresso e dos partidos políticos. Esta é uma discussão que a sociedade está colocando, e é uma boa oportunidade de o jornal ajudar no debate e na reflexão sobre uma reforma política de verdade.
Lendo o relato sobre o depoimento do ministro Nelson Jobim sobre a reforma política que tramita no Congresso, fiquei sem saber se ele é a favor ou contra o financiamento público das campanhas eleitorais.
Banco Santos
Os títulos escolhidos pela Folha na primeira página do jornal ("Fundos do Banco Santos também são bloqueados") e na contracapa de "Dinheiro" ("CVM imobiliza fundos do Banco Santos") não deixam claro que a autorização da CVM ao interventor é de uma suspensão provisória para proteger os investidores dos fundos. É uma medida de alcance diferente da intervenção no banco, que torna os depósitos dos correntistas indisponíveis por seis meses. Além disso, não foi, a rigor, a CVM que bloqueou ou imobilizou os fundos do Banco Santos. Ela autorizou o interventor do banco a fazê-lo.
O "Valor" fez uma pesquisa mais completa do que a da Folha e informou que vários fundos de pensão de funcionários públicos investem em fundos do Banco Santos e temem perder dinheiro.
Está confusa a arte "CVM suspende fundos do Banco Santos", na contracapa de "Dinheiro". A confusão se dá porque o jornal mistura as informações sobre os fundos com as do banco, sem mostrar claramente que são coisas distintas.
O jornal volta a falar em patrimônio líquido negativo sem explicar do que se trata. O jornal acha que só quem entende do assunto lerá o noticiário e escreve para especialistas.
Equador x Brasil
Na dúvida entre três opções, o jornal apostou em duas. Na Edição Nacional, optou por Ricardinho no lugar de Zé Roberto: "Parreira faz mistério sobre o substituto de Zé Roberto, machucado, mas o mais provável é que o santista Ricardinho entre nessa vaga. "Tenho várias opções", afirma o técnico, citando Júlio Baptista e Kléberson, que foram chamados, segundo o próprio treinador, por terem bastante fôlego para enfrentar a altitude".
Na Edição SP, o jornal foi de Kléberson: "Parreira faz mistério sobre o substituto de Zé Roberto, machucado, mas o mais provável é que entre Kléberson, titular do time pentacampeão e que treinou ontem na equipe A. "Tenho várias opções", afirma o técnico, citando Júlio Baptista, outro chamado por ter bastante fôlego, e Ricardinho".
Espero que não dê Júlio Baptista.
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