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18/11/2004
MARCELO BERABA
Juros e a reforma do Judiciário são os principais assuntos dos grandes jornais. A Folha tem títulos insossos, meros registros:
Folha - "BC eleva os juros pelo 3º mês seguido" e "Reforma do Judiciário é aprovada pelo Senado";
"Globo" - "BC sobe juro para 17,25% e Fiesp pede corte de gasto" e "Senado conclui a reforma do Judiciário";
"Estado" - "Juro chega a 17,25%, o maior em 11 meses" e "Conselho vai vigiar, mas não poderá punir juízes".
Plebiscito e referendo
É uma pena que o jornal não perceba o potencial de discussão que o projeto sobre plebiscito e referendo, lançado pela OAB, enseja. A repercussão burocrática editada hoje, no pé da reportagem sobre a reforma política (pág. A4 na Edição Nacional e A5 na Ed. SP), mostra que o assunto tende a morrer nas páginas do jornal. É uma interpretação errada da "cautela" sugerida pelo editorial "Democracia direta" (pág. A2).
O "Globo" informa, na coluna "Panorama Político", que a campanha da OAB coincide com a tramitação no Congresso de um projeto de decreto legislativo que pretende aproveitar o referendo marcado para outubro de 2005 (uso de armas) para a realização de vários plebiscitos. Como o assunto está na agenda do Congresso, é possível que os jornais se interessem por ele.
Bernardo Kucinski
Embora não tenham o peso das críticas feitas pelo presidente do BNDES, os "ataques" (para usar o verbo da Folha no título "Assessor de Gushiken ataca o governo Lula", pág. A8) do assessor de Gushiken à política econômica do governo e, principalmente, à política de comunicação mereciam repercussão já na edição de hoje. O que o ministro Gushiken tem a dizer?
É interessante porque uma de suas críticas, a relativa ao uso excessivo da propaganda oficial, já fora criticada por Kucinski quando voltou de uma viagem aos EUA. É possível que outros jornalistas que fazem parte do governo, como Ricardo Kotscho, que está para sair, e Eugênio Bucci, da Radiobrás, tenham críticas semelhantes.
É mais um elemento neste momento desfavorável ao governo Lula.
Palestina
Tenho a impressão que o jornal exagerou no título que deu para a entrevista com Farouk Kaddumi, "Linha-dura palestino quer poder a radicais" (A14). O que disse o líder do Fatah:
"Temos de enfatizar a união nacional. Todas as facções precisam se unir, e isso é muito importante para o sucesso da resistência, especialmente o Hamas e o Jihad Islâmico, porque essas duas facções são muito ativas. Precisamos permitir que elas participem, com os membros de outras facções, no processo decisório do Executivo palestino e na implementação das decisões de forma que tenhamos um programa político aceito por todas as facções, evitando qualquer mal-entendido entre os integrantes dessas facções".
Pelo que entendi, ele quer a participação dos grupos, que já estão na OLP, neste processo de transição. O que parece lógico e sem novidade que justifique o título. A entrevista é boa e oportuna. O título é que me pareceu forçado.
Palocci
O "Estado" deu mais destaque do que a Folha à participação do ministro da Fazenda em seminário em BSB onde recebeu críticas de empresários, governadores e economistas. "Palocci reage a empresários e diz que não faz política tributária 'de ocasião'", é a manchete da pág. A4 do "Estado". A Folha tem um registro em "Dinheiro", no pé da pág. B6 da Edição SP, "Palocci quer definição sobre reforma". Na Edição Nacional, a notícia de Palocci está no alto da página.
Mas, a página contém um problema sério de edição: não fica claro quaul reportagem a arte "O que eleva ainda mais a carga tributária..." ilustra.
"Cotidiano"
Não sei o que a foto "Música clássica" faz na capa da Edição Nacional de "Cotidiano". Todas as reportagens da página são sobre saúde. A legenda é indigente: "Médicos, funcionários e pacientes do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, de São Paulo, ouvem a Orquestra do Limiar, comandada pelo maestro Samir Rahme, tocando sinfonias". A tal foto, que ocupa ¼ da capa da Ed. Nacional, simplesmente desaparece na Ed. SP. Era calhau?
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