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22/11/2004
MARCELO BERABA
Folha e "Estado" destacam em suas manchetes os resultados da reunião do Diretório Nacional do PT em São Paulo. A da Folha fixa-se no balanço das eleições, "PT isenta Lula de culpa por derrotas nas eleições", mas omite a tensão provocada pelo grupo da prefeita Marta Suplicy, que co-responsabilizava o governo pela derrota. Pelo menos a linha fina da manchete poderia ter mencionado o fato. A tese da co-responsabilidade foi derrotada, o que justifica o enunciado da manchete, mas teve um grande respaldo interno, o que indica mais problemas futuros para o governo Lula.
O "Estado" explorou um destes problemas, a insatisfação de parte do PT com os rumos da economia: "PT: Palloci deve explicar sua política econômica". Embora já tivesse essa informação na Edição Nacional, a Folha só a incluiu na chamada da primeira página da Edição SP.
O "Globo" continua a explorar o escândalo do caso André Luiz, o deputado que tentou extorquir, segundo gravações da PF, o empresário Carlinhos Cachoeira: "Deputado envolve presidente da Alerj em caso de extorsão".
Folha e "Estado" têm fotos do enterro de Celso Furtado no Rio; o "Globo", de torcedor do Flamengo desesperado com a iminência do rebaixamento.
Manchetes de domingo:
Folha - "Escritos inéditos revelam vida de Mengele no Brasil";
"Estado" - "BNDES abandona a ideologia - Sai o nacionalismo estatizante. O banco adotará o pragmatismo e retomará a política industrial";
"Globo" - "Máfia dos combustíveis agia com apoio de juízes".
As revistas:
"Veja" - "Por que amamos os animais - A ciência explica uma amizade de dez mil anos";
"IstoÉ" - "Gastar 60 bilhões - A nova missão de Mantega";
"Época" - "Você pode chegar aos 100 anos? - Conheça as novidades da Medicina para estender a juventude, manter a cabeça ativa e turbinar a saúde".
Livros e "Mais!"
As grandes novidades da Folha neste final de semana ocorreram na área de cultura: a ampliação do espaço destinado ao mercado editorial (no sábado) e o novo formato do "Mais!" (domingo), agora em tamanho Standard.
A reformulação da seção de lançamentos e críticas de livros é uma reação saudável do jornal às mudanças que o principal concorrente já havia feito com a reforma gráfica que implementou em outubro. A edição do "Caderno 2" de domingo do "Estado" reservou um lugar de honra para os livros, e a Folha agora faz o mesmo na sua edição de sábado, com mais páginas e seções novas. Não sei se é coincidência ou foi planejado, mas a vitaminização ocorre no mesmo sábado em que o setor comercial lança o guia de livros "Leia Mais", com circulação restrita à Grande São Paulo.
E o "Mais!"? É cedo para avaliar se a mudança foi para melhor. A sensação é que ficou com mais "temperatura" jornalística. O formato escolhido e a eleição de uma reportagem de investigação histórica para inaugurar a nova fase ("Mengele - Arquivos inéditos revelam a vida do nazista no Brasil") dão a impressão de que o caderno pode estar buscando um novo perfil editorial.
Em tese, a reportagem sobre Mengele, de resto ótima, poderia ter saído em Brasil, talvez sem o mesmo espaço livre. Mas poderia, porque é uma grande reportagem.
Para os que têm no "Mais!" uma referência de ensaios e reflexões, e para os colecionadores do formato tablóide (mais fácil de ser arquivado), o novo "Mais!" pode ser uma frustração. Como a que ficou expressa na carta do "Painel do Leitor" de hoje: "Pra que mexer em time que está ganhando? O "Mais!" virou uma salada. Não gostei". O jornal também publica uma carta com elogios, mas referentes apenas à reportagem, sem menção às outras mudanças do caderno.
Não sei o que motivou a mudança no formato do caderno. É possível que seja por razões econômicas ou tecnológicas, desconheço. Espero que não seja uma reação ao caderno dominical do "Estado","Aliás", nascido na reforma de outubro e que pretende fazer , através de reportagens e artigos, uma avaliação da semana. O "Mais!" era mais do que isso.
É aguardar para ver que rumo vai tomar.
Anúncio
Folha, "Estado" e "Globo" publicam, ao longo do primeiro caderno de hoje, fotos de barcos que provocam um estranhamento porque estão sem legenda e sem a tarja de informe publicitário. É de se supor que façam parte de um anúncio, mas as primeiras fotos (na Folha, nas páginas A8, A9 e A10) nada informam, estão soltas como se fossem ilustrações. O anúncio só fica completo na pág. A12: é a publicidade da nova novela da Globo, "Como uma onda no mar". Achei estranho o jornal ter aceitado aquelas fotos soltas, sem referência, apenas cercadas de fios. Mas, como os anúncios estão cada vez mais "criativos", deixei passar. Até que folheei o "Globo", jornal do mesmo grupo da TV que anuncia, e verifiquei que as fotos que publica têm legenda, "O amor é como o mar. Veja na página 18". E na página 18 está o mesmo anúncio completo que saiu no "Estado" e na "Folha". É uma forma ainda "criativa", mas que indica que aquelas fotos fazem parte de um anúncio. É o correto.
Não sei o que ocorreu. Uma hipótese é de que a agência esqueceu de enviar as legendas para a "Folha" e o "Estado"; neste caso os jornais deveriam reclamar. Outra hipótese, é de que o anúncio estava previsto para não ter legenda, e o "Globo" não aceitou porque não ficaria explícito que se tratava de publicidade. Neste caso, as Redações da "Folha" e do "Estado" devem reclamar com os seus departamentos comerciais. Talvez tenham sido excessivamente flexíveis.
Professora
A Folha tem obrigação de continuar acompanhando o caso da professora de Nova Odessa acusada de ter esquecido um aluno de castigo depois do final das aulas. O jornal publicou notícias sexta e sábado que indicam que o caso não está esclarecido, que há uma possibilidade de a professora não ter colocado a criança de castigo e de estar sendo, portanto, injustiçada. Como o caso teve muita repercussão a partir do material publicado pela Folha, o jornal precisa agora se empenhar e esclarecer o que de fato ocorreu.
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