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01/12/2004
MARCELO BERABA
Os novos indicadores econômicos reacendem o otimismo do governo depois de semanas seguidas de crises e críticas, e as manchetes dos principais jornais refletem o alívio:
Folha - "País acumula no ano crescimento de 5,3%"; "Brasil não teve recessão em 2003"; "Governo rebate acusação de incompetência feita por FHC".
"Estado" - "PIB em alta reanima governo"; "Palocci: 'Eu estou feliz e Lula está cantando'"; "Petistas dizem que críticas de FHC foram deselegantes".
"Globo" - "Economia tem o maior crescimento desde 1995"; "Governo usa PIB para reagir a FH"; "Economistas erram previsões".
"Valor" - "PIB tem maior crescimento em 8 anos"; e uma advertência: "Expansão mundial está sob ameaça".
O resto do cardápio é igual em todos estes diários: aprovação da MP que protege o presidente do BC, nova denúncia contra Maluf, Dia Mundial do Combate à Aids, libertação de presos políticos em Cuba, a crise na Ucrânia e o caso do jogador Serginho.
Painel do Leitor
A leitora Patrícia Ramos Tonello conseguiu um feito: emplacou a mesma carta na Folha ("Competência") e no "Estado" ("Incompetência").
Fervura Política
A Folha editou bem o tiroteio que ontem dominou a cena política, reação às críticas feitas ao governo Lula, segunda-feira, pelo ex-presidente Fernando Henrique. Achei a cobertura do jornal consistente, com diversidade de opiniões, bastidores e memória.
O texto de abertura poderia ter sido mais explícito em relação aos números do PIB, principal munição utilizada pelo governo para enfrentar a subida de tom da oposição. E o texto deveria remeter também para os indicadores econômicos que estão editados em "Dinheiro". Os noticiários político e econômico se completam.
O que o jornal talvez tenha dado mal é o resultado da reunião dos prefeitos petistas com a cúpula do partido em Brasília. Era um bom momento para o jornal expor o pensamento das "bases" petistas, dar mais informações sobre o "controle" a que estão submetidas (não puderam nem aprovar, segundo entendi, um texto mais crítico), e revelar novas lideranças e idéias que devem estar surgindo no partido. Os novos rostos ficaram limitados ao folclórico interesse pelo prefeito mais alto e o mais baixo.
O "Estado" teve uma iniciativa que em outros tempos também teria ocorrido à Folha: aproveitou a concentração de prefeitos do PT e fez uma pesquisa de opinião, uma forma de perceber o que pensam as "bases" petistas do governo Lula.
Eleições 2004
Não entendi por que o jornal só publicou a arte com a prestação de contas do prefeito eleito José Serra. Embora a reportagem ("Serra gastou R$ 14,8 mi em campanha") informe que a prestação do PT ainda precisa da assinatura da prefeita, o jornal dispôs de todos os dados da prestação, e poderia ter feito uma arte. Há interesse em saber, na forma consolidada e arrumada de uma arte, quem contribuiu para a campanha de Marta Suplicy, e com quanto.
Campo minado
Segundo o "Estado", foi preso ontem em SP o fazendeiro Adriano Chafik, principal suspeito de ter planejado o ataque que resultou na morte de cinco sem-terra em Minas.
Indenizações
O "Globo" antecipa que a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos "deve aprovar hoje processo de Iara Iavelberg [companheira de Carlos Lamarca] que indeferiu em 1968".
Retomada
A avaliação que fiz para a cobertura dos embates políticos entre PT e PSDB ("Fervura política") vale para o noticiário sobre o PIB divulgado ontem pelo IBGE: a cobertura está bem ampla, com todos os setores da economia examinados, com repercussões, artes, análises e bastidores.
O jornal mostra que deverá haver uma desaceleração no último trimestre, "Economia aponta ritmo menor no final do ano", mas mesmo assim acho que deveria ter dado algum destaque para os economistas e empresários que ainda estão céticos em relação à continuidade dos resultados (como está no "Globo", na reportagem "Economia contraria previsões mais alarmistas") e para os que prevêem dificuldades para o ano que vem, como está no pé do artigo "Desacelerando na margem", de Rogério Mori para a Folha: "A somatória desses elementos dá motivos para comemorar o crescimento de 2004, mas não permite olhar o ano que vem com o mesmo otimismo".
Agenda da transição
O pedido da quebra do sigilo bancário do vice-prefeito eleito, Gilberto Kassab, justificava uma chamada na primeira página do jornal. Trata-se do vice-prefeito e é um caso revelado pela própria Folha.
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