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06/12/2004
MARCELO BERABA
Num domingo fraco, sem grandes novidades, a Folha tem a notícia mais forte: "Teles cobravam a mais por interurbano". O "Estado" tem como manchete uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria: "Produção recorde anima indústria a investir mais". O "Globo" revisita os problemas provocados pelo mau uso dos royalties de petróleo nas cidades fluminenses: "Riqueza do petróleo do Rio não vai para a área social".
As revistas:
"Veja" - "A economia decola e os empregos estão de volta".
"Época" - "O segredo do orgasmo".
"IstoÉ" - "Verão".
"CartaCapital" - "Os riscos da queda. O dólar em baixa põe Europa e Ásia em polvorosa."
As manchetes de hoje:
Folha - "Família e empresa perdem poupança; bancos ganham".
"Estado" - "No governo Lula, violência no campo aumenta e assusta".
"Globo" - "Governo não consegue reduzir suas despesas".
DOMINGO
Herança militar
É a terceira tentativa que o jornal faz em menos de um mês de aproveitar o domingo para apresentar um tratamento diferenciado às questões militares e seus entornos. Como nas outras duas vezes ("Herança militar", em 14 de novembro, e "Fervura social", 28 de novembro), o material de ontem, novamente batizado de "Herança militar", carece de rumo e de consolidação.
Desta vez o jornal optou pelo caminho mais fácil quando não há tempo ou pessoal para desenvolver uma cobertura de fôlego: as entrevistas. Na edição de ontem foram três, com o historiador Luiz Felipe de Alencastro, com o diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, e com o advogado argentino Juan Méndez.
O resultado, dependendo dos entrevistados, pode ser instigante (entrevistas com Alencastro e Méndez), ou apenas curioso (como a entrevista com Lima e Silva). Mas três entrevistas em formato de pingue-pongue é um exagero.
Além deste excesso, faltou mais uma vez um texto que "amarrasse" o conjunto das entrevistas e reportagens. Qual o nexo entre elas? Por que todas (págs. A4 a A15) estão sob o chapéu "Herança militar"? O que o jornal quis revelar para os seus leitores? A questão da herança militar tem vários aspectos: o das dificuldades para a consolidação da democracia, o da abertura dos arquivos militares, o das indenizações por danos físicos e morais, o dos desaparecidos. O material de ontem é errático, ora trata de um aspecto, ora de outro, mas sempre de forma incompleta. Separadamente, cada texto produzido tem relevância. Faltou costurá-los.
Uma das heranças do período militar é o problema das indenizações. No caso do Brasil, parece haver um consenso de que as regras diferentes para calcular as indenizações profissionais e para calcular as indenizações para os familiares de mortos e desaparecidos criaram uma situação de fato de injustiça. Outros países, como Argentina e Chile, aprovaram leis diferentes e aparentemente com menos distorções. Outro problema sério é o do acesso aos arquivos militares.
Por estas razões, não se justifica a omissão do temas no quadro "Regimes militares no Cone Sul", da página A8. Ele estaria completo se, além de falar dos golpes, da transição civil e das pendências, tratasse também das soluções encontradas nos três países para as questões dos arquivos militares e das indenizações aos anistiados, mortos e desaparecidos.
Linha cruzada
É um escândalo a revelação de que ao longo dos últimos doze anos pagamos tarifas telefônicas acima dos preços fixados pelo governo ("Telefônicas cobraram a mais por ligações", capa de "Dinheiro") sem que o governo tomasse providência. É assunto que toca diretamente no bolso dos consumidores e merece ser acompanhado em seus desdobramentos.
Detalhe
> Saiu um Cuzco com "s" na abertura de "Brasil busca o Pacífico durante cúpula" (pág. B10 de "Dinheiro").
> No segundo parágrafo da reportagem "BBC prepara a maior reestruturação de sua história" (pág. A34 de "Mundo"), o jornal informa que são a rede britânica tem 28 mil funcionários. No quadro "Como funciona a BBC" está que são 2.700 funcionários.
SEGUNDA
O "Globo" informa que foram soltos três envolvidos no escândalo das fraudes no TCU (Operação Sentinela). O jornal deu as prisões com destaque, e deveria ter noticiado hoje as liberações.
O "Estado" publicou no domingo, um dia antes da Folha, a entrevista com o neurocientista Miguel Nicolelis. É de se supor que a exclusividade seja um dos objetivos da seção "Entrevista da 2ª".
A Folha continua bem nas investigações do Banco Santos pós-intervenção ("Polícia sabe há 1 ano de remessas do Santos", pág. B8 de "Dinheiro").
O jornal tem uma grande história hoje, mas sem chamada na primeira página: "Ex-preso luta por visita íntima a travesti" (pág. C4 de "Cotidiano").
Como interessa a todos os leitores lesados pelas cobranças indevidas feitas pelas telefônicas, era de se esperar que o assunto, manchete de domingo, tivesse seqüência na edição de hoje.
Pendências
1 - Como ficou a história da professora de Nova Odessa acusada de ter colocado um aluno de castigo e esquecido dele? Ela negou que tivesse castigado o garoto, o jornal informou que haveria uma investigação, e o assunto sumiu. Pelo menos, não vi mais. E se a professora não tiver colocado o aluno de castigo? Acho que era o caso de revisitar esta história.
2 - O jornal ainda não publicou as versões ("outro lado") dos presos e acusados de fraude na Operação Sentinela da Polícia Federal, desencadeada quinta-feira. Segundo o "Correio Braziliense", uma das pessoas envolvidas, a mulher do ministro das Comunicações, voltou da Europa no fim-de-semana e desmentiu o seu envolvimento nas fraudes.
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