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25/07/2005

MARCELO BERABA

Os jornais de DOMINGO e de SEGUNDA têm dois assuntos destacados: os desdobramentos da crise provocada pelo "mensalão" e o assassinato do brasileiro em Londres confundido com um terrorista.

"Mensalão":

DOMINGO

Folha - "Valério ameaça contar o que sabe", "Lula mantém aprovação, mas crise afeta imagem", "Ex-diretor diz que Gushiken influenciava fundo do BB".

"Estado" - "Situação de falência: PT deve R$ 160 milhões", "Gravações comprometem ex-assessor de Palocci" e "BMG e Rural receberam R$ 600 milhões de fundos estatais".

"Globo" - "CPI já investiga bancos e empresas do valerioduto", "Na clandestinidade, Dirceu prepara seu contra-ataque" e "O Brasil depois da crise".

Nas revistas:

"Veja" - "A chantagem - 200 milhões para ficar calado. A história secreta de como Marcos Valério emparedou o governo ao ameaçar contar tudo".

"Época" - "Caixa dois - A farsa. Dinheiro fantasma serviu para acobertar negociatas, pagar mensalão e bancar a máquina do PT".

"IstoÉ" - "Desilusão - Avalanche de denúncias de corrupção deixa políticos em pânico, decepciona e estressa os brasileiros".

SEGUNDA

Folha - "PT diz que não aceita extorsão".

"Estado" - "Lula vai às bases para enfrentar oposição".

"Globo" - "PT desafia Valério a comprovar empréstimos".

Morte em Londres:

DOMINGO

Folha - "Morto pela polícia inglesa era inocente e brasileiro".

"Estado" - "Polícia de Londres matou brasileiro".

"Globo" - "Brasileiro foi morto por engano em Londres".

SEGUNDA

Folha - "Atirar para matar continua, afirma polícia britânica".

"Estado" - "Atitude do governo britânico irrita Brasil".

"Globo" - "Ministro elogia polícia que matou brasileiro".

SEGUNDA

Painel do Leitor

> O jornal não se manifesta a respeito da primeira carta do "Painel do Leitor" de hoje, "Coluna", assinada por Marco Aurélio Garcia. Ele afirma que a colunista do jornal lhe atribuiu uma frase que não é dele. Das duas, uma: a frase é dele, e o jornal deveria reiterar a sua autoria; a frase não é dele, e o jornal deveria admitir que errou com uma correção na seção "Erramos".

Tem razão em parte o ex-secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge, na carta "José Dirceu". Ele manifesta "estranheza" pelo fato de o jornal não ter publicado a íntegra da nota oficial do deputado José Dirceu na sua Edição Nacional. Seja pela razão que apresenta - a publicação da nota permitiria, na sua visão, revelar o "cinismo" de José Dirceu -, seja pela intenção do deputado - a de se defender do que chama de "linchamento" - o jornal tinha de ter publicado a nota na edição de hoje. E as acusações do deputado deveriam ter tido respostas dos jornais e revistas mencionados.

Escândalo do "mensalão"

O "Estado" já traz na sua primeira edição de hoje a informação de que a secretária Karina Somaggio pede R$ 2 milhões para posar nua para a "Playboy". Na Folha, a informação só entrou na Edição SP.

Esporte

Segundo o texto "Falta de pontaria mina São Paulo, diz Autuori" (pág. D5), "a observação de Autuori vai de encontro ao que os números do Datafolha registraram contra Santos, Brasiliense e São Caetano". Acho que o autor queria escrever que os números do Datafolha confirmam a avaliação que Autuori faz do time, e não que contestam. A verificar.

DOMINGO

"Painel"

> A nota "Afinidades baianas" trata Cícero Lucena como "ex-prefeito da Paraíba".

> A nota "Confiando no futuro" informa que "a GDK anunciOu a construção, na Bahia, de um complexo de R$ 100 milhões para produzir plataformas". Na nota oficial que pagou para sair na pág. A3, a GDK diz que o investimento é de R$ 150 milhões. A verificar.

Escândalo do "mensalão"

O infográfico "Saques mostrados na quebra de sigilo" (pág. A10) não informa que Carlos R. de Macedo Chaves trabalha para uma prefeitura petista em cargo de confiança.

No caso do saque de Carlos R. de Macedo Chaves, o "Globo" de domingo apresenta um novo personagem, Carlos Manoel da Costa Lima, ex-subsecretário estadual na gestão de Benedita da Silva. Segundo o jornal, Costa Lima admite que retirou R$ 100 mil via Carlos Chaves para o pagamento de despesas eleitorais e que não "contabilizou" o dinheiro.

O infográfico "48 dias de desmentidos" é um avanço em relação ao tratamento que o jornal vem dando às informações publicadas no varejo. Mas deveria ser bem aperfeiçoado, incluindo mais fatos paralelos que o jornal deu destaque, mas que agora vão se perdendo pelo caminho. Um exemplo: Furnas. O fato: o deputado Roberto Jefferson acusou, na Folha, a existência de um esquema dentro da empresa. A queda: todos os diretores acusados foram afastados. A auditoria: investigações internas não encontraram irregularidade.

Não entendi a última pergunta da entrevista com Henrique Pizzolato: "O ex-ministro Gushiken soube detalhes do contrato de put?". A entrevista se refere várias vezes a "put", mas não explica o que seja.

A entrevista exclusiva com Marcos Valério ("Marcos Valério ameaça revelar esquema", pág. A10) adota a versão oficial do próprio empresário e de Delúbio Soares -"os recursos foram repassados ao PT (mediante contratos de empréstimos entre suas empresas e o partido) para financiar campanhas eleitorais de petistas e da base aliada" - que vem sendo contestada pela oposição e mesmo por petistas da CPI. O jornal deveria ter deixado claro que aquela era a versão oficial dos acusados.

Jornal velho

Os exemplares que as bancas do Rio vendiam ontem não traziam a entrevista com Marcos Valério e nem detalhes do assassinato do brasileiro em Londres. O jornal chegou envelhecido. Os exemplares para os assinantes estavam atualizados.

     
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